sábado, junho 11, 2016
No prado verde contigo (II)
- Meninos... - começou por dizer com uma cara de gozo - ...o pensador. - disse enquanto me direccionava os seus dois indicadores - O pensador que com os seus pensamentos vai salvar o mundo das suas maleitas, os pretitos lá de África de morrerem à fome, os pobres que mendigam nas ruas, mal trapilhos, de se arrastarem ou até mesmo os glaciares do Ártico de derreterem. - olhou os meus colegas, que se riam, e voltou a colar aquele maléfico olhar na minha pessoa. Disse-me - Diga lá, pensador, em que tanto pensava? - e eu calei-me e olhei para o chão. Depois, pensei - Eu não estava a fazer mal algum. Só estava distraído da aula a pensar noutras coisas. - e foi aí que levantei os olhos do pavimento em madeira gasta e a olhei nos olhos. Sabes que eles não gostam que os olhemos nos olhos?
- Não sabia!
- Pois! Olhei-a nos olhos, primeiro, e depois para os meus colegas. Ela nesse momento dizia qualquer coisa que, se queres que te diga, nem tomei atenção do que era. Eles, riam-se todos, feitos parvos, a gozarem comigo. Todos não; a Joana, a Raquel e o Artur não se riam; estavam sérios; não achavam piada ao que se estava a passar. Olhei novamente para a professora, que continuava a mexer a boca, certamente a falar qualquer coisa que não interessava ao meu cérebro, pois mantinha-se fechado às suas palavras, e disse-lhe num tom tranquilo e sereno - Os alunos têm uma vida para além da vida da escola e têm sentimentos para além da relação de aluno. e disse-lhe e calei-me; e no meio da algazarra, uma muito pior do que o silêncio dos meus pensamentos que não estavam a incomodar a aula, ela não percebeu o que eu dissera.
- Então e depois? - indagou Maria.
- Depois disse-me assim - O que é que foi que disse?
- E tu?
- Eu respondi-lhe - Estava distraída ou a pensar na morte da bezerra?
- A sério? Ui! E ela? - o semblante era de espanto.
- Olha, ela apontou para o fundo da sala de aula e disse-me - Rua! O menino é muito mal-educado. Ponha-se na rua.
- Tu és mal-educado! Então ela é que estava a tentar envergonhar-te e humilhar-te.
- Pois! Mas é sempre assim, eles podem fazer o que quiserem, mas se nós dissermos alguma coisa, somos logo mal-educados.
-Foste para a rua. O que aconteceu depois?
- Olha... depois os meus pais foram chamados à escola, a professora pintou a manta da cor que lhe deu mais jeito, sabes como é, e depois quando cheguei a casa os meus pais vieram conversar comigo e saber a minha versão dos acontecimentos. Aceitaram-na, porque eu não lhes minto... sabes, a mentira tem perna curta e logo se descobre a verdade... dizia-te, aceitaram a minha explicação, mas logo me pediram que não entrasse em conflito com os professores.
- Está bem, não achas?
(continua)
sexta-feira, junho 10, 2016
A influência da fadiga no contexto geral da condução
"Fadiga e sonolência são condições diferentes que podem atingir o condutor. São condições dispares, mas quem por elas é atingido não as sabe diferenciar. Os seja, a sonolência pode levar o condutor ao adormecimento, enquanto a fadiga não tem, obrigatoriamente, de o fazer." - Circula Seguro - Jorge Ortolá
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quinta-feira, junho 09, 2016
No prado verde contigo.(I)
- Sabes... - disse - ... também gosto de aqui estar.
- É bom, não é?
- Sim, é muito fixe. Vens cá muitas vezes?
- Sempre que posso, venho.
- E vens cá há muito tempo?
- Nem sei... - pensou um pouco - ...se calhar há mais de ano e meio.
- E por que começaste a vir aqui?
- Olha, vou contar-te. Um dia estava na escola e a professora de matemática disse-me - Olhe lá, menino, está a pensar em quê? - e eu que estava distraído respondi-lhe - Hã! - e ela disse-me - Hã?! Acha que é assim que se responde à professora? Primeiro está distraído, certamente a pensar na morte da bezerra...
- Em que bezerra estavas a pensar?
- Não estava a pensar em bezerra nenhuma. Foi ela que disse.
- Então mas por que disse ela isso?
- Disse-me que era uma expressão.
- Não entendo... mas a bezerra morreu?
- Não existe nenhuma bezerra.
- Não!
- Ela disse que eu estava distraído, a pensar na morte da bezerra e eu perguntei-lhe qual bezerra e ela respondeu-me que não havia bezerra, que era uma força de expressão e eu respondi-lhe o que é que a matemática tem a haver com o reino animal e ela disse-me que era o facto de eu estar distraído.
- E estavas?
- O quê?
- A pensar na morte da bezerra?
- Não! Estava distraído.
- Hã!
- Depois ela começou a dizer que não tinha melhores notas porque não estava atento na aula; eu disse-lhe que sim.
- Que sim?
- Sim! Que sim.
- Que sim, o quê?
- Que sim que estava atento.
- E estavas?
- O quê!
- Atento.
- Mais ou menos.
- Como assim, mais ou menos?
- Estava e não esta.
- Como estavas e não estavas?
- Estava atento, mas não era ao que ela estava a falar.
- Ah! Ah! Ah! - gargalhou.
- Estás a rir-te?
- Sim! Teve piada.
- Pois tem, mas devias de ver a cara da professora quando me perguntou - Ao que é que o menino está atento? À aula não é certamente.
Estou atento aos meus pensamentos.
- E o que é que os seus pensamentos têm de interessante para a aula de matemática?
- Para a aula?
- Sim! O menino não está na sala de aula?
- Estou! Mas os meus pensamentos só a mim me pertencem. - disse-lhe eu e ela respondeu-me - Então fique com eles para quando está fora das aulas.
- Está bem. - disse-lhe eu; e ela interpretou que eu estava a gozar com ela e então disse-me:
- Levante-se e venha aqui à frente; e eu fui e ela tentou envergonhar-me e humilhar-me...
- A sério?
- Sim! ...quando cheguei junto a ela, disse-me - Sobe para o estrado. - e eu subi.
- Meninos... - começou por dizer, com uma expressão de gozo - ...o pensador.
(continua)
quarta-feira, junho 08, 2016
"O sistema de educação português não prevê uma intervenção incisiva na formação da área da prevenção e segurança rodoviária infantil. Desta feita, cabe às autarquias desenvolver projetos interventivos capazes de proporcionar essa mesma formação; não de uma forma pontual, mas sim progressiva." - Circula Seguro - Jorge Ortolá
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sábado, junho 04, 2016
O transporte dos animais de estimação
"Se dentro do automóvel um animal for transportado sem a devida retenção, esse animal será um objecto físico que irá ser projetado dentro da viatura, como uma bola de ping-pong, sem capacidade de se deter e com uma peso três vezes, aproximadamente, superior ao seu peso normal." - Circula Seguro - Jorge Ortolá
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segunda-feira, maio 02, 2016
Aconteceu! Algo aconteceu por aí, algures, perto ou longe. Mas aconteceu! E eu não sei o que aconteceu, nem que reflexo esse acontecimento vai produzir na minha vida, na minha forma de ver e avaliar os acontecimentos, na minha vida social ou na sociedade em geral, mas ainda assim, porque aconteceu, falo sobre isso, o acontecimento; falo de uma forma vaga, despreocupada, ainda que por vezes possa apresentar um semblante de preocupação, palavras ocas, sem sentimento definido... mas falo! Falo com propriedade do tema, de forma esclarecida, por vezes com uma altivez desmesurada, sobre o que aconteceu.
Mas a minha ignorância, por vezes naíf, não me deixa perceber quão ridículo é divagar sobre o que aconteceu, sem realmente perceber o sucedido; aconteceu que algo aconteceu, algo sobre a matéria não posso articular, mas que insisto em opinar sem razão.
Aconteceu que, algures, alguém, comentou um acontecimento que aconteceu, sem que realmente soubesse o que aconteceu.
E na verdade é que o que aconteceu foi que este texto vai chegar ao seu final sem que tenha acontecido uma explicação plausível sobre o que realmente aconteceu, e todos, pelo menos os que o leram até ao final, vão ficar sem perceber o que realmente aconteceu, onde aconteceu, porquê aconteceu, quando aconteceu e com quem aconteceu.
Como diz o meu amigo Tó, "tu foca-te, está a acontecer!". E ele diz que ninguém o entende porque esse acontecimento só está ao alcance de alguns, daqueles que realmente vêem o que aconteceu.
sábado, abril 30, 2016
Puta-que-pariu, Foda-se, Caralho!
- Não digas isso, ou melhor, não escravas isso que há crianças a ler e depois vão repetir, ou há pessoas mais pudicas que não aceitam que digas esses palavrões. Não escrevas que tamanhos palavrões, porque não fica bem e vão-te apontar o dedo e dizer que és mal educado e que não dás bom exemplo aos teus filhos. Anda, apaga!
- Apago uma merda. Digo e repito; puta-que-pariu, foda-se, caralho! Digo e repito, porque ninguém me pode acusar de ser mal educado ou não dar o exemplo. E se alguém o fizer, mesmo aqueles falsamente pudicos, que entre as quatro paredes fazem bem pior do que eu estar a escrever estas palavras; sim, aqueles que aos olhos da sociedade são tão bem vistos, exemplos a seguir, supra-sumos da educação e do saber estar, mas que trancada a porta, batem na mulher, nos filhos, no cão e na sogra, se a velha pensar em meter os cornos onde não é chamada.
- Mas que revolta é essa, homem!?
- Não é revolta. É um sentimento que não sei explicar... um sentimento que se me entranha ao assistir a algumas merdas. Um sentimento, por vezes, de impotência.
- Mas apaga os palavrões. Vá lá!
- Não, não apago. E digo mais, puta-que-pariu a merda das doenças que levam os Homens bons, que lhes infernizam a vida, que os fazem olhar o passado e ver um vazio. Puta-que-pariu os filhos-da-puta que passam a vida a foder os cornos a quem não devem, em vez de baterem com os deles na parede. Puta-que-pariu os filhos-da-puta que se acham superiores aos demais. Caralhos fodam a miséria daqueles que não têm possibilidades de serem alguém, alguém digno.
- Mas homem, falas de quê?
- Falo dos desgraçados que dormem no meio das canas e têm de mijar e cagar no meio das ervas, no orvalho da manhã, com as calças na mão e que nem sabem se vão colocar alguma comida na boca. Falo daqueles que não escolheram ter uma vida miserável, que são atingidos por doenças terminais, que estão expostos a médicos incompetentes, é verdade que nem todos, mas há muitos que são. Falo dos que têm de emigrar, fugir do seu país, deixar de contribuir para a riqueza do país que o viu nascer e não lhe dá o braço, por incompetência de uma classe politica soberba e protegida por uma imunidade desprezível.
_...
- Mas a minha esperança, é que há sempre uma lampada que se acende, quando tantas outras se apagam.
- Não digas isso, ou melhor, não escravas isso que há crianças a ler e depois vão repetir, ou há pessoas mais pudicas que não aceitam que digas esses palavrões. Não escrevas que tamanhos palavrões, porque não fica bem e vão-te apontar o dedo e dizer que és mal educado e que não dás bom exemplo aos teus filhos. Anda, apaga!
- Apago uma merda. Digo e repito; puta-que-pariu, foda-se, caralho! Digo e repito, porque ninguém me pode acusar de ser mal educado ou não dar o exemplo. E se alguém o fizer, mesmo aqueles falsamente pudicos, que entre as quatro paredes fazem bem pior do que eu estar a escrever estas palavras; sim, aqueles que aos olhos da sociedade são tão bem vistos, exemplos a seguir, supra-sumos da educação e do saber estar, mas que trancada a porta, batem na mulher, nos filhos, no cão e na sogra, se a velha pensar em meter os cornos onde não é chamada.
- Mas que revolta é essa, homem!?
- Não é revolta. É um sentimento que não sei explicar... um sentimento que se me entranha ao assistir a algumas merdas. Um sentimento, por vezes, de impotência.
- Mas apaga os palavrões. Vá lá!
- Não, não apago. E digo mais, puta-que-pariu a merda das doenças que levam os Homens bons, que lhes infernizam a vida, que os fazem olhar o passado e ver um vazio. Puta-que-pariu os filhos-da-puta que passam a vida a foder os cornos a quem não devem, em vez de baterem com os deles na parede. Puta-que-pariu os filhos-da-puta que se acham superiores aos demais. Caralhos fodam a miséria daqueles que não têm possibilidades de serem alguém, alguém digno.
- Mas homem, falas de quê?
- Falo dos desgraçados que dormem no meio das canas e têm de mijar e cagar no meio das ervas, no orvalho da manhã, com as calças na mão e que nem sabem se vão colocar alguma comida na boca. Falo daqueles que não escolheram ter uma vida miserável, que são atingidos por doenças terminais, que estão expostos a médicos incompetentes, é verdade que nem todos, mas há muitos que são. Falo dos que têm de emigrar, fugir do seu país, deixar de contribuir para a riqueza do país que o viu nascer e não lhe dá o braço, por incompetência de uma classe politica soberba e protegida por uma imunidade desprezível.
_...
- Mas a minha esperança, é que há sempre uma lampada que se acende, quando tantas outras se apagam.
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