Prostrada
no parapeito da janela, olha a rua. Aquela rua que já conhece de cor, cada tonalidade,
cada timbre, cada passo, cada cheiro, cada fragmento de chão, cada porção de
vida. Olha-a sem no entanto descerrar as portadas, tal é o receio que uma
levada de ar lhe adentre o espaço e a faça adoecer, ainda mais do que já está.
Olha quem passa pela vidraça quadriculada, desde onde e até onde o seu ângulo
de visão lhe permite constatar; não usa óculos!