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quinta-feira, abril 02, 2020

Ensaio sobre o amor - 11

(continuação)


A resposta de Armando fomentou em Matilde um sentimento de culpa, de raiva, de angústia, de revolta e de frustração. Passou a mão pela cabeça do jovem e, afagando-lhe o cabelo, afastou-se, impotente, dizendo-lhe apenas:
-Se necessitares de alguma coisa, chama-me. Está bem? - recebendo um sinal de afirmação com um movimento de cabeça, vindo do pequeno Armando.
Ficou a observá-lo a trabalhar. Num encanto de admiração, observou-o a tactear a folha desde o pecíolo à ponta do limbo. Fê-lo uma, duas, três vezes. Observou a técnica como libertava os veios da folha do limbo, deixando-a em esqueleto, despida.
Percebeu que murmurava algo com a pequena Margarida; certamente solicitava-lhe alguma ajuda, ao que esta correspondeu, colocando algumas pontas de cola na armação da folha, colando-a ao papel.