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quinta-feira, abril 02, 2020

Ensaio sobre o amor - 11

(continuação)


A resposta de Armando fomentou em Matilde um sentimento de culpa, de raiva, de angústia, de revolta e de frustração. Passou a mão pela cabeça do jovem e, afagando-lhe o cabelo, afastou-se, impotente, dizendo-lhe apenas:
-Se necessitares de alguma coisa, chama-me. Está bem? - recebendo um sinal de afirmação com um movimento de cabeça, vindo do pequeno Armando.
Ficou a observá-lo a trabalhar. Num encanto de admiração, observou-o a tactear a folha desde o pecíolo à ponta do limbo. Fê-lo uma, duas, três vezes. Observou a técnica como libertava os veios da folha do limbo, deixando-a em esqueleto, despida.
Percebeu que murmurava algo com a pequena Margarida; certamente solicitava-lhe alguma ajuda, ao que esta correspondeu, colocando algumas pontas de cola na armação da folha, colando-a ao papel.

domingo, julho 17, 2016

Tempo


Os ponteiros do relógio, aqueles que teimam em desaparecer e a dar espaço a números quadrados, obviamente vindos de um qualquer jogo de computador da década 80, marcam o tempo que vai passando, que por nós vai passando, tantas e tantas vezes sem nos apercebermos disso, outras vezes desejando que pare; e ele não pára, teimosamente, mas outras tantas vezes almejando que corra, que seja rápido, mais rápido que o relógio mais rápido do Mundo, aquele que conta os cem metros percorridos pelo Bolt...

Os ponteiros são os obreiros de um tempo pelo Homem inventado, pelo Homem definido e pelo Homem odiado. Já tenho pouco tempo, ou ainda me falta tanto tempo; esse tempo é tão ambíguo quanto misterioso, pois o mesmo tempo pode ser demasiado, ou demais limitado.

Assim, devemos valorizar cada fracção do tempo, desse definido por alguém, e aproveitar para sorrir, cantar (mesmo que não sejamos aceites pelos ouvidos cristalinos), dançar e viver. Devemos ser felizes, dentro do possível; preocuparmo-nos, essencialmente, com o nosso tempo e, não perder tempo, a olhar o tempo alheio, é que um dia podemos ter de parar e perceber que perdemos tanto tempo com o tempo alheio que agora já não temos tempo para o nosso tempo... aquele que nos resta!

segunda-feira, dezembro 28, 2015


Tanta gente boa, sem interesse, com tanta preocupação em proporcionar um momento de bem-estar a quem mais necessita.
Tanta gente que disponibiliza do seu tempo, daquele que vai passando sem voltar atrás, para o colocar à disposição de quem já não conta o tempo a passar.
Tanta gente que é tão pouca, quando muitos mais poderiam ser, a dar o seu apoio incondicional, mas que não o fazem por preconceito.
Tanta gente que está bem, mas que um dia poderá estar mal.
Tanta gente com tantas estórias a serem escritas e com tanto ainda por escrever.

sábado, dezembro 26, 2015



A convite do meu amigo Emídio fui até ao Natal que a Casa ofereceu, uma vez mais, aos seus utentes, pessoas carenciadas, sem rosto, com história, umas melhores que outras, umas menos agradáveis que outras, umas diferentes de outras.

São histórias de vida, histórias que marcam, cada uma, a sua viagem, o seu trajecto, diferentes trajectos que hoje se encontram num entroncamento de pobreza, necessidade, solidão, por vezes e alguma angústia, certamente. Mas encontram-se numa "biblioteca" que acolhe as suas páginas, numa ajuda de vida melhor, que escrita enriquecida e de leitura capaz.

Fui convidado a participar, sob o pretexto de ler uma história aquelas estórias. E contei...penso eu!
Contei a história de uma vida que não conheço o ponto inicial, mas consegui imaginar parte dela e encontrei o ponto actual. Contei uma história que creio ser a de cada uma daquelas pessoas, que diante de mim me escutaram. Contei aquela que espero ser a história deles, ainda que me tenha apercebido das suas dificuldades.

Sabendo da dificuldade em que a Casa tem em conseguir, por vezes, alimentação para chegar a tanta gente, seria fantástico que as grandes superfícies comerciais da cidade pudessem auxiliar, assim como os cidadãos. Seria fantástico que se desenvolvessem esforços para se conseguir uma infraestructura  móvel ou mesmo fixa, capaz de proporcionar um banho quente, diário, aos sem-abrigo e aos carenciados.

Da minha parte uma certeza tenho. Vou desenvolver esforços para conseguir mais e melhor apoio à organização que não tem fins lucrativos. E apelo a todos quantos lerem este texto que o façam também, sem interesses, preconceitos ou vergonha.






Fotos: Carlos Miguel e Casa

terça-feira, novembro 03, 2015




"- Sabe Armando, pergunto-me tantas vezes, por que razão as pessoas não estão disponíveis para se ajudarem umas às outras? Por que não estão disponíveis para ajudar alguém a resolver os seus problemas, mesmo que não conheça esse alguém? Ajudar deveria ser uma coisa natural." - in As cores da escuridão - Miguel Branco