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segunda-feira, março 23, 2020

Ensaio sobre o amor - 2 - Prólogo


Prólogo

                A azinhaguense sentia a repulsa de quem está na linha, com as costas no frio muro, prestes a ser fuzilado pelo esquadrão da morte das SS de Hitler, a não ser que ceda à chantagem do seu carrasco. Apetecia-lhe fugir, mas não tinha como nem para onde. Havia uma escolha a executar. Olhou o pai de frente, como o forcado que olha o touro prestes a investir. Os olhos não libertavam apenas lágrimas. Libertavam dor, raiva, ódio daquele homem que estava em frente a si. Inspirou fundo com tranquilidade dissimulada; avançou.

quinta-feira, dezembro 19, 2019

Momentos - Turn-off


Desliguei-me do Mundo por alguns momentos. Momentos esses que não consigo definir em tempo, uma vez que não contabilizei ou tão pouco estive preocupado com isso. Apenas me ausentei e tentei desfrutar do momento; foi agradável!
Entrei no meu carro, para o banco traseiro, após ter corrido os bancos dianteiros o máximo para a frente e ter ganho espaço naquele lugar traseiro. Esse quase silêncio, uma vez que o único som que escutava era o da chuva a embater nas vidraças, como que a chamar-me, e o cantar das gotas no tejadilho – desliguei o telemóvel, estiquei as pernas e repousei a cabeça para trás. Fechei os olhos e libertei os meus pensamentos no vazio. Fiz um “Turn-off”.
Foi libertador! Talvez estranho, por ter sido efectuado dentro do carro, à chuva, no meio de um estacionamento repleto de automóveis, mas onde ninguém vai ao longo do dia.
Quando terminei, não sei quantos sismos ocorreram no planeta, quantos vulcões entraram em erupção, quantos bebés nasceram, quantas marés se deram ou poemas se escreveram. Apenas sei que naqueles momentos, na minha “Bolha do nada”, viajei, não sei por onde, pairei, naveguei.