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quinta-feira, dezembro 19, 2019

Momentos - Turn-off


Desliguei-me do Mundo por alguns momentos. Momentos esses que não consigo definir em tempo, uma vez que não contabilizei ou tão pouco estive preocupado com isso. Apenas me ausentei e tentei desfrutar do momento; foi agradável!
Entrei no meu carro, para o banco traseiro, após ter corrido os bancos dianteiros o máximo para a frente e ter ganho espaço naquele lugar traseiro. Esse quase silêncio, uma vez que o único som que escutava era o da chuva a embater nas vidraças, como que a chamar-me, e o cantar das gotas no tejadilho – desliguei o telemóvel, estiquei as pernas e repousei a cabeça para trás. Fechei os olhos e libertei os meus pensamentos no vazio. Fiz um “Turn-off”.
Foi libertador! Talvez estranho, por ter sido efectuado dentro do carro, à chuva, no meio de um estacionamento repleto de automóveis, mas onde ninguém vai ao longo do dia.
Quando terminei, não sei quantos sismos ocorreram no planeta, quantos vulcões entraram em erupção, quantos bebés nasceram, quantas marés se deram ou poemas se escreveram. Apenas sei que naqueles momentos, na minha “Bolha do nada”, viajei, não sei por onde, pairei, naveguei.

domingo, novembro 24, 2019

Momentos - O Malabarista


Mantêm-se expectante - tal como na vida, de quem aguarda um dia melhor, um dia de cada vez, a cada dia que passa, que um melhor dia chegue a cada raiar do dia – junto ao semáforo, que o vermelho acenda para os veículos, impedindo-os de avançar – como o ditador ao povo que quer a sua liberdade de movimento e auto-determinação – mas que lhe proporcione breves segundos que podem marcar uma vida, possa também ele – por vezes ela e outras tantas vezes ele e ela – com sorrisos no rosto estampados, sorrisos de prazer e angustia, num mesclado de agridoce, deslizar até meio da passadeira – porque na verdade aquele é o meio caminho entre viver e sobreviver e aí mostrar aos juízes, muitos deles com expressão de asco – que se mantêm longe do frio, da chuva, do sol e do calor, todo o seu potencial de malabarismo e habilidade, deambulando depois entre o emaranhado de viaturas de motores ronronantes - ávidos de asfalto, perfeitas bancadas andantes – sempre com o sorriso tatuado no rosto, um chapéu de trapos gastos numa mão e as maçarocas na outra e um permanente “obrigado” – mesmo quando a moeda não tilinta no interior do concavo – aguardando a aprovação dos que por ali assistem. Depois, bem depois tudo recomeça, uma e outra vez.