Foi debaixo de sol escaldante
E de uma chuva de ódio
Que lutou, quem lutou,
Pela dignidade,
Pelo respeito,
Pela cor, que não é a do dinheiro!
- Jorge Ortolá -
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sábado, junho 06, 2020
quinta-feira, dezembro 19, 2019
Momentos - Turn-off
Desliguei-me do Mundo por alguns momentos. Momentos esses que não consigo definir em tempo, uma vez que não contabilizei ou tão pouco estive preocupado com isso. Apenas me ausentei e tentei desfrutar do momento; foi agradável!
Entrei no meu carro, para o banco traseiro, após ter corrido os bancos dianteiros o máximo para a frente e ter ganho espaço naquele lugar traseiro. Esse quase silêncio, uma vez que o único som que escutava era o da chuva a embater nas vidraças, como que a chamar-me, e o cantar das gotas no tejadilho – desliguei o telemóvel, estiquei as pernas e repousei a cabeça para trás. Fechei os olhos e libertei os meus pensamentos no vazio. Fiz um “Turn-off”.
Foi libertador! Talvez estranho, por ter sido efectuado dentro do carro, à chuva, no meio de um estacionamento repleto de automóveis, mas onde ninguém vai ao longo do dia.
Quando terminei, não sei quantos sismos ocorreram no planeta, quantos vulcões entraram em erupção, quantos bebés nasceram, quantas marés se deram ou poemas se escreveram. Apenas sei que naqueles momentos, na minha “Bolha do nada”, viajei, não sei por onde, pairei, naveguei.
terça-feira, novembro 26, 2019
Momentos - O Senhor do chapéu de chuva
Todos os dias, pela manhã, pelas 7:30
horas da manhã, seja Verão ou inverno, faça chuva ou faça sol, quando passo
naquela estrada a caminho do trabalho, lá vai ele, no seu ritual matutino, calcorreando,
após estacionar devidamente o seu automóvel, aquele senhor de feita idade. Já o vejo naquela caminhada faz tempo.
Segue sempre a mesma vereda, aquele caminho que já lhe conhece os passos, a
passada, a cadência.
Todos os
dias, pela manhã, lá vai ele, num passo que não sendo apático, não é apressado.
É um passo de quem quer manter uma actividade física e iludir a inércia amorfa
e demente para onde o Estado e as suas directrizes o enviaram, quando lhe outorgaram
o tempo da reforma sem o prepararem para o vazio.
O Senhor que
pela manhã vejo caminhar, contrariando um estado gradativo de decadência, fá-lo
determinado e com uma idiossincrasia interessante; debaixo do braço carrega,
ao longo de todo o ano, um chapéu de chuva.
Afinal,
Homem prevenido vale por dois.
segunda-feira, janeiro 29, 2018
#As cores da escuridão - Capitulo I
Aqueles foram os dez metros de filme mais
longos que alguma vez vira. Armando Cebola, assim lhe chamavam, era Armando de
nome próprio e Cebola de alcunha que já vinha desde o tempo do seu tetravô paterno
e que não morreu no passar das gerações nem na natural, mas acentuada, evolução
do tempo e do espaço que atingiu a família na imensa epopeia que fizera seu avô,
e depois seu pai nas terras do Ribatejo, na viagem dilacerante de sentimentos à
longínqua França ou dos anos que o calendário não determinou e que o relógio
não contou quando, seu pai, viveu ermidas na Serra da Estrela, fundido num
emaranhado de floresta silenciosa, onde os pássaros calados eram cúmplices do
seu desassossego emocional.
quarta-feira, outubro 26, 2016
A tecnologia ao serviço dos semáforos
Os semáforos servem, como todos sabemos, para regularem o trânsito nas intersecções, por forma a permitirem que haja uma melhor fluidez do tráfego e um aumento na segurança rodoviária.
Todos sabemos que assim é, mas nem todos cumprimos essa indicação, nomeadamente, quando se trata de semáforos controladores de velocidade.
segunda-feira, outubro 05, 2015
Hoje sopram ventos de mudança.
Daqueles que não se veem, mas se sentem. Ventos que nos fazem pensar sobre o que aí poderá vir. Ventos que nos podem erguer a vela e fazer navegar a bom ritmo...ou simplesmente rasga-la com as facas que lançamos quando a nosso favor bolia.
Hoje sopram ventos de mudança.
São ventos fortes, cheios de intensão, carregados de certezas...para uns e incertezas para outros. São ventos que podem fazer remoinhos e tudo baralhar, mas podem simplesmente acariciar quem os recebe destemido, de braços abertos.
Hoje sopram ventos de mudança.
Ventos determinados, limpos ou obscuros. Acompanhados por uma chuva que irá molhar quem nela caminhar, carregando de pesadas heranças quem a ignorou ou simplesmente subestimou, mas também de água cândida e purificante, para quem a desejou, para ela trabalhou e jamais a subestimou
Hoje sopram ventos de mudança..
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