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quarta-feira, novembro 04, 2015



Parei ao longo do caminho de terra batida e, por momentos, breves momentos, fiquei imóvel, petrificado.

Ali, parado, pensei no caminho que tinha percorrido, do que tinha vivido, sofrido, aprendido. Pensei nas vitórias, nas derrotas, nos incentivos e nas destrutivas críticas. Ali, imóvel, senti sangue de suor, lágrimas de raiva escorrerem-me alma abaixo.

O chão libertava um ácido calor que me consumia a vontade de seguir, continuar a batalhar e terreno galgar.

Com o olhar enterrado em memórias passadas, tentei adivinhar o futuro, todavia a natureza não me concebeu esse condão.

Passaram-se horas, dias, semanas e eu ali, parado, imóvel no caminho.

Tive vontade de olhar para trás e perceber. Tive vontade de olhar para trás e analisar. Tive vontade de olhar para trás e questionar. Tive vontade de me sentar e esperar. Esperar por mais um dia, por um sinal, por um motivo, por um "sim", por um "talvez", por um "não".

Num momento de reflexão assisti ao filme do caminho. Olhei-o de frente, sem temor. Revivi momentos de glória, momentos de doce ternura, momentos de elevada dor.

Uma leve brisa acariciou-me a face e do chão libertaram-se pequenos tornados que avançaram no caminho.

Olhei em frente, num olhar profundo, sem fim, sem dor, sem certeza, sem mágoa. Fitei o horizonte, aquele lugar onde o caminho se funde com as árvores, com os rios, as montanhas e os mares.

Olhei na certeza de ir enfrentar mais batalhas, umas fáceis, outras complicadas. Olhei na certeza de ir conquistar muitas lutas e perder outras tantas. Olhei na certeza e convicção de que vou alcançar a meta, conquistar grandes momentos.


Enchi o peito de ar, decidido, abandonei parte da razão, camuflei o coração e a emoção e sem medo dei o primeiro de milhares de passos que tenho para dar.

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Voar no horizonte


Quis voar! Quis voar numa liberdade arrebatadora do meu saber, do meu direito, das minhas emoções.
Quis voar sem amarras que me prendessem à terra, ao cais, ao preceito de avassalar.
Quis ser um pato bravo com o olhar no horizonte, onde o meu quinhão é além, sem fim, sem meta, sem nenhuma ordem correta.
Quis correr sobre a água, aquela água que me afoga sem estar.
Quis ser alguém, alguém que pode dizer o que pensa, o que deseja, o que lhe parece, de como quer estar. Mas a minha voz, aquela cândida voz foi calada, amofinada, abafada e amaldiçoada por uma arma que me matou.
Quis voar e quando olhei, tinha asas. Quis voar e pensei poder fazê-lo. Quis voar e reparei que as minhas asas, aquelas belas asas que me permitiriam lá chegar, tinham sido cortadas, destratadas, aniquiladas e manipuladas pela arma fraudulenta que voar não me deixou.


Foto: Martin Correns