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quinta-feira, março 23, 2017

# O teu coração


                                             Quero dizer-te, amor, como te amo
                                             Esvaziar o meu sentimento em ti
                                             Tornar-te dona da minha razão
                                             Sentir que dei e não perdi.

                                             Quero abraçar-te, num abraço eterno
                                             Ser de ti, parte de mim
                                             Fundir-me em ti, estregar
                                             A um só corpo, flor de Jasmim.

                                             E tu a mim me deste
                                             O teu porto-abrigo, seguro
                                             Da queda me salvaste.

                                             E eu, grato de paixão
                                             Amar-te-ei até morrer,
                                             Até me parar, o teu coração.

                                                   # Miguel Branco


domingo, novembro 15, 2015


De coisas simples é feita a vida de cada um de nós.
Coisas simples, bonitas, práticas, reais e capazes de nos fazerem felizes.
Muitos são os que não valorizam o que têm, é verdade.
Muitos são os que lamentam não terem mais...ou melhor!

De um momento para o outro tudo muda;
Vimos partir quem não valorizamos,
Vimos sair quem não acarinhamos,
Vimos desaparecer quem tanto amamos, mas que não encantamos.

Um dia , cada dia.
Um dia, cada tempo,
Um dia, cada momento,
Um dia...de cada vez!

Saberemos a razão de olharmos e não vermos?
Saberemos acreditar no que não entendemos?
Conseguiremos perceber o que não percebemos ou não queremos perceber?
Conseguiremos agarrar a nossa vontade de saber?

Olhamos para trás e percebemos,
que afinal não entendemos,
que afinal não conseguimos,
que afinal tanto faltamos,
que não atingimos e nem sabemos porquê,
que não sorrimos, abraçamos ou choramos,
que não crescemos,
que não aproveitamos cada momento,
e que morremos.

Saberá o tempo dizer-nos,
ensinar-nos,
compreender-nos?

Fugimos do que não conhecemos e não arriscamos conhecer.
Falamos do que não sabemos e não procuramos nos informar.
Corremos do que não queremos e não tentamos enfrentar.
Enganamo-nos porque tememos o resultado final,
a verdade, a razão, a existência.

Teremos conseguido atingir o objectivo?
Teremos mimado o amigo?
Teremos compreendido a sua decisão,
chama-lo à atenção,
Abraçá-.lo na emoção,
Apoiá-lo na monção?

Devemos parar e meditar,
devemos procurar sem a razão,
devemos escutar sem falar,
devemos observar e ver,
devemos viver, viver, viver,
devemos ser maiores que o coração.

Conseguiremos fazê-lo ou sê-lo?
Conseguiremos valorizar?
Conseguiremos considerar?
Conseguiremos perdoar?
Conseguiremos alcançar?

quarta-feira, novembro 04, 2015



Parei ao longo do caminho de terra batida e, por momentos, breves momentos, fiquei imóvel, petrificado.

Ali, parado, pensei no caminho que tinha percorrido, do que tinha vivido, sofrido, aprendido. Pensei nas vitórias, nas derrotas, nos incentivos e nas destrutivas críticas. Ali, imóvel, senti sangue de suor, lágrimas de raiva escorrerem-me alma abaixo.

O chão libertava um ácido calor que me consumia a vontade de seguir, continuar a batalhar e terreno galgar.

Com o olhar enterrado em memórias passadas, tentei adivinhar o futuro, todavia a natureza não me concebeu esse condão.

Passaram-se horas, dias, semanas e eu ali, parado, imóvel no caminho.

Tive vontade de olhar para trás e perceber. Tive vontade de olhar para trás e analisar. Tive vontade de olhar para trás e questionar. Tive vontade de me sentar e esperar. Esperar por mais um dia, por um sinal, por um motivo, por um "sim", por um "talvez", por um "não".

Num momento de reflexão assisti ao filme do caminho. Olhei-o de frente, sem temor. Revivi momentos de glória, momentos de doce ternura, momentos de elevada dor.

Uma leve brisa acariciou-me a face e do chão libertaram-se pequenos tornados que avançaram no caminho.

Olhei em frente, num olhar profundo, sem fim, sem dor, sem certeza, sem mágoa. Fitei o horizonte, aquele lugar onde o caminho se funde com as árvores, com os rios, as montanhas e os mares.

Olhei na certeza de ir enfrentar mais batalhas, umas fáceis, outras complicadas. Olhei na certeza de ir conquistar muitas lutas e perder outras tantas. Olhei na certeza e convicção de que vou alcançar a meta, conquistar grandes momentos.


Enchi o peito de ar, decidido, abandonei parte da razão, camuflei o coração e a emoção e sem medo dei o primeiro de milhares de passos que tenho para dar.