Capítulo 2
Recordara-se que prometera,
agarrado ao caixão da mãe, que não iria fraquejar e sim lutar com todas as suas
forças para ter uma vida minimamente digna. Chorou num pranto seco, emoções sem
fim, murmurando junto da urna como se ao ouvido de Manuela contasse um segredo,
como anteriormente fazia na sua cumplicidade umbilical. «Prometeste não
deixar-me e agora vais partir. Que vai ser de mim? Sim, vou ser forte e lutar,
mas também vou ser mudo e pouco falar».
Desde esse dia poucos foram os que
escutaram um som sair das cordas vocais daquele rapaz que tantas histórias, a
todos, habituara a contar. Nem mesmo quando aquele homem lhe disse «Amigo, não
faça isso!», ele reagiu ou tentou argumentar a sua dor.