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segunda-feira, março 30, 2020

Ensaio sobre o amor - 8 - Capítulo 2


Capítulo 2

                Recordara-se que prometera, agarrado ao caixão da mãe, que não iria fraquejar e sim lutar com todas as suas forças para ter uma vida minimamente digna. Chorou num pranto seco, emoções sem fim, murmurando junto da urna como se ao ouvido de Manuela contasse um segredo, como anteriormente fazia na sua cumplicidade umbilical. «Prometeste não deixar-me e agora vais partir. Que vai ser de mim? Sim, vou ser forte e lutar, mas também vou ser mudo e pouco falar».
Desde esse dia poucos foram os que escutaram um som sair das cordas vocais daquele rapaz que tantas histórias, a todos, habituara a contar. Nem mesmo quando aquele homem lhe disse «Amigo, não faça isso!», ele reagiu ou tentou argumentar a sua dor.

domingo, fevereiro 23, 2014

Ensurdecedor silêncio que me matas



É mortal o silêncio que os seres, estes seres que desejam um futuro diferente, de promessas infindáveis, de anseios luzidios, sentem num sufoco atroz. É doentio o tempo que medeia a incerteza e o desejo de ser diferente, ousado, olhar em frente e buscar a verdade que se esconde, guardada, fechada, dissimulada na sombra de um olhar mentiroso e palavras que não se escutam. É profundo e frio o sentimento insuportável que cada ser, esse mesmo ser, ostenta num dilacerante e frustrado momento no tempo.

Olhamos o infinito e desejamos dar i grito, aquele grito de ansiedade, de vontade, de força, de poder de liberdade. Aquele grito que não quer saber o que o outro livro vai escrever, que noticia no jornal da noite vai passar, que olhares se vão prender ou que deserto se terá de percorrer. A nossa vontade de fazer fica grandes vezes presa ao medo do que os outros vão pensar ou dizer, com base nas suas frustrações,

O vazio deve dar lugar ao concreto de fazer, de realizar, de ganhar e de vencer. O vazio, deve ser ocupado pelo que desejamos fazer, sempre olhando e sentindo o que queremos alcançar e fazer acontecer. Só assim o ensurdecedor silêncio que nos mata poderá dar lugar ao alado som de vitória, de realização, de conquista sobre o preconceito e a vergonha do silêncio. Haverá sempre, contudo, quem irá morrer asfixiado no seu silêncio.