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segunda-feira, março 30, 2020

Ensaio sobre o amor - 8 - Capítulo 2


Capítulo 2

                Recordara-se que prometera, agarrado ao caixão da mãe, que não iria fraquejar e sim lutar com todas as suas forças para ter uma vida minimamente digna. Chorou num pranto seco, emoções sem fim, murmurando junto da urna como se ao ouvido de Manuela contasse um segredo, como anteriormente fazia na sua cumplicidade umbilical. «Prometeste não deixar-me e agora vais partir. Que vai ser de mim? Sim, vou ser forte e lutar, mas também vou ser mudo e pouco falar».
Desde esse dia poucos foram os que escutaram um som sair das cordas vocais daquele rapaz que tantas histórias, a todos, habituara a contar. Nem mesmo quando aquele homem lhe disse «Amigo, não faça isso!», ele reagiu ou tentou argumentar a sua dor.

quinta-feira, março 26, 2020

Ensaio sobre o amor - 5


ANTÓNIO CEBOLA


- O meu filho! O meu filho! O meu querido filho! – pensei, ao escutar os primeiros choros do recém-nascido – Será menino ou menina? – indaguei-me.
- Parabéns! – congratulou-me Emília com um grandioso sorriso no rosto – Tem ali um belo rapaz.
- Um menino? – uma manifestação de enorme felicidade anunciou-se-me no rosto – Um filho macho! – murmurei.

quinta-feira, outubro 06, 2016

Secretário-Geral da ONU



Nem todos somos obrigados a gostar de todos, nem todos somos obrigados a não gostar de todos. No entanto, todos gostamos de alguém, ou não gostamos, num ou noutro ponto de vista, num ou noutro conceito, por uma ou outra qualquer razão.

Hoje sinto-me orgulhoso em ser português e em poder dizer - Sou do país de onde saiu o novo Secretário-Geral das Nações Unidas -  o Senhor António Guterres.

domingo, julho 03, 2016

Vila de Buarcos Vs Buarcos city




No planeta Terra existe uma localidade cujo nome é Buarcos, vila de Buarcos, situa-se no concelho da Figueira da Foz, distrito de Coimbra, país de Portugal, continente europeu. Por todos, pelo menos aqueles que se dizem gente viva e acordada neste pequeno planeta, conhecida como - vila de Buarcos - para outros, aqueles que a sentem de uma forma diferente, o vilarejo de Buarcos é conhecida com - Buarcos city.

quarta-feira, junho 22, 2016

Portugal, Portugal, Portugal


As viagens de comboio são realmente uma fonte de inspiração para a escrita de algumas frases, mas também espaço de enormes surpresas e apreciações realmente fantásticas. Daquela porta para dentro, no espaço de cerca de trinta minutos tudo pode acontecer, se escutar ou observar.

A minha saída do trabalho indicava que Portugal se encontrava empatado a um golo com a seleção da Hungria. Cerca de dez minutos foi o tempo que mediou a minha chegada ao comboio, depois de uma caminhada, um autocarro e outra curta caminhada.

Ansiava a chegada ao comboio, pois o calor que se fazia sentir era tanto que o ar condicionado e o fresco daquele vagão me iria saber bem. Entrei e logo me sentei no primeiro banco livre que encontrei. Quatro filas mais adiante, um grupo de quatro senhoras e três senhores ocupavam quatro bancos do dito comboio. Percebi algum reboliço. Espreitei, tentanto perceber o que se passava;

- Três a dois. Já fomos. - disse uma das senhoras.
- Quanto? - indagou, mais admirado do que interrogativo, um dos cavalheiros.
- Três a dois.
- Não pode ser!
- Pode pois! - confirmou, pegando no telemóvel e colocando o relato em alta-voz.

O relato foi escutado por toda a carruagem. E enquanto os homens se mantinham tranquilos, as senhoras, com o relato em alta-voz e a partilharem um par de auscultadores, iam esgrimindo alguns argumentos contra o nosso selecionador, acusando-o de não saber montar uma equipa de ataque, indicando que jogadores deveria levar a jogo e quais os que não tinham lugar na equipa. Verdadeira experts.

Vai às tantas e percebendo a incredulidade das senhoras e toda a sua agitação, comenta;

- Um destes dias estão as mulheres a beber mínis e a comer tremoços, enquanto nós somos mandados para a cozinha lavar loiça.

Elas olharam para ele e logo lhe disse uma;

- Cala-te homem, olha que quando chegares a casa vais é para o tanque. - saindo uma risada estrondosa entre o mulherio.

quinta-feira, outubro 29, 2015


Sou bombeira. Chamam-me, tal como aos meus camaradas, heróis. Heróis sem rosto, sem nome, de ocasião, de hora, aquela hora em que somos chamados e saímos sem perguntar para onde vamos ou sem saber se voltamos.

Sou bombeira. Sou mãe, tia, irmã de quem me cruzo, da criança que abraço no desencarceramento, filha e neta de quem salvo da enchente e tratadora de uma floresta que não é minha. Sou quem chamam por um número, quem batem nas costas com uma palmadinha de não sei o quê, quem ouve os aflitos por que "Chegaram atrasados".

Sou bombeira. Sou uma mulher da noite, quando tem de ser, mas não da vida. Sou uma mulher que corre, sem vencer maratonas. Sou uma mulher que salta, sem ir à olimpíadas. Sou uma merda qualquer quando me magoou para salvar os outros.

Sou bombeira. Sou desprezada na minha dor, mal tratada nos meus direitos, discriminada nas minhas funções, não aquelas em que presto auxilio, mas sim nas outras, nas que não uso a farda com a luz na cabeça, os ouvidos replectos de gritos, de dor, angustia e aflição.

Sou bombeira. Sou mulher, sim, sou mulher. Mas com a farda vestida nós, os BOMBEIROS, não temos sexo. Temos aquilo que quem nos governa não tem; ALMA, SENTIMENTOS, GRANDEZA, MORAL e CORAGEM.

quinta-feira, março 06, 2014

Fim do caminho


Dei comigo a pensar, sim , porque por vezes, como as pessoas normais, também penso, se o caminho tem um fim ou qual será o fim do caminho. Que caminho? Aquele caminho que escolhemos por opção ou que nos é atribuído por razão ou como muitos dizem por destinho.Olho em frente e vejo aquele caminho repleto de curvas, longas rectas por vezes, algumas encruzilhadas de novelo de lã e uns tantos cruzamentos nos quais devemos optar por um e apenas um caminho. Muitas vezes encontramos sentidos proibidos, é verdade, mas há quem diga que o fruto proibido é o mais desejável e pumba, lá nos metemos não por caminhos mas sim por atalhos e que nada mais são do que caminhos que escolhemos, bem ou mal, logo se verá, mas pelos quais optamos caminhar. É o "Demo", dizem alguns, que para lá empurra o Homem. Foi "Deus", dizem outros que nos deu uma luz. Foi o caraças da cabeça, dizem os médicos que nunca foram a estudos, pelo menos os do ensino superior, das Faculdades dos Mestres que nos ensinam a identificar as dores, ainda que por vezes elas sejam internas, indecifráveis, complexas e de caminho difícil de alcançar.

Terá o caminho um fim ou será o fim um caminho?