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sexta-feira, novembro 04, 2016

# Um bimbo na estrada


Tenho todo o respeito pela terceira idade e nunca me ouvirão dizer ou escrever - a brigada do reumático - ou - os grisalhos do não sei quê - mas, uma coisa é certa, há momentos em que os "velhinhos" me deixam de cabelos no ar...de estupefação.

sexta-feira, novembro 20, 2015



Hoje aconteceu!

Enquanto caminhava, no meu sentido, embrenhado nos meus pensamentos, nos meus devaneios, nas minhas inquietudes, daquelas que todos temos, banais, superficiais, absorvendo a luz do sol resplandescente, tive a percepção de que alguém fazia uma diagonal na via em minha direcção.
A principio, naquele segundo inicial, julguei ser uma traição de visão e que seria apenas uma pessoa, um transeunte que, tal como eu, aquela hora, apenas se deslocava, caminhando, na sua vida.

O meu olhar periférico chamou-me para um olhar mais atento...olhei!

Um homem na casa dos sessenta e muitos anos deslocava-se numa diagonal propositada na minha direcção. Poderia querer alguma informação, pensei. Estaria a uns cinco, seis metros de distância do meu ponto de trajectória. Segui a minha passada.

"Desculpe!" - disse, continuando com uma nova frase.
"Perdão?!" - disse-lhe eu, não percebendo o que tinha dito

O homem, um senhor razoavelmente vestido, com umas calças em sarja, uma camisa e um blusão. O olhar, esse mostrou-se triste. Verifiquei após uma análise mais atenta. Por detrás daqueles óculos, uns olhos verdes apresentavam uma visão desarmada, destruída, envergonhada.

"Perdão!" - disse-lhe - "Não percebi o que disse." - informei.
"Poderá dar-me algum dinheiro para eu poder comprar algo para comer?" - solicitou-me.
"Desculpe!" - disse-lhe, aparvalhado, talvez.
"Perguntei se não me podia dar algum dinheiro para eu poder comprar comida."

Levei as mãos aos bolsos e não encontrei moedas. Senti o chão fujir-se-me debaixo dos pés.

"Não tenho dinheiro comigo!" - disse-lhe - "Desculpe!" - pedi-lhe eu por não o poder ajudar.
"Eu é que peço desculpa por estar a pedir." - disse-me.

Seguiu o seu caminho, num passo lento, demorado, sem tempo de chegar, derrotado, arrastado.
Fiquei a olhá-lo. Senti-me triste de não o poder ajudar. Vi-o desaparecer na esquina do prédio.

Naquele momento senti uma enorme raiva. Tive vontade de gritar...e na verdade fi-lo de uma forma silenciosa. Acabara de vir de almoçar e pensei para comigo que, aquele senhor, aquele idoso, me deveria ter encontrado antes. Assim, teria ele almoçado, não eu.

sábado, junho 16, 2012

Velho

De olhar preso num horizonte infinito e vazio, aqueles sentimentos viajam vagabundos por um tempo que só ele sabe, só ele conhece, só ele pode descrever, observar.

De olhos vidrados em memórias, aquele momento aquele momento de imaculada interiorização fá-lo percorrer anos, quiçá corredores de lembranças e saudades.

Olho-o sem o querer entender, percebendo a solidão do momento, um em tantos iguais aos diferentes na história, mas gémeas na imensa procura  da resposta em tantos outros assentos.