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domingo, agosto 28, 2016

Os acordes no fundo da rua



Poderá o choro de uma guitarra e os gritos de uma harmónica apresentar, num eco profundo, que nem sempre alcança os mais sensíveis tímpanos, mostrarem que um par de extremidades dedilham a dor de, quem não vê, vai vendo o que o seu redor lhe reserva?

sexta-feira, novembro 20, 2015



Hoje aconteceu!

Enquanto caminhava, no meu sentido, embrenhado nos meus pensamentos, nos meus devaneios, nas minhas inquietudes, daquelas que todos temos, banais, superficiais, absorvendo a luz do sol resplandescente, tive a percepção de que alguém fazia uma diagonal na via em minha direcção.
A principio, naquele segundo inicial, julguei ser uma traição de visão e que seria apenas uma pessoa, um transeunte que, tal como eu, aquela hora, apenas se deslocava, caminhando, na sua vida.

O meu olhar periférico chamou-me para um olhar mais atento...olhei!

Um homem na casa dos sessenta e muitos anos deslocava-se numa diagonal propositada na minha direcção. Poderia querer alguma informação, pensei. Estaria a uns cinco, seis metros de distância do meu ponto de trajectória. Segui a minha passada.

"Desculpe!" - disse, continuando com uma nova frase.
"Perdão?!" - disse-lhe eu, não percebendo o que tinha dito

O homem, um senhor razoavelmente vestido, com umas calças em sarja, uma camisa e um blusão. O olhar, esse mostrou-se triste. Verifiquei após uma análise mais atenta. Por detrás daqueles óculos, uns olhos verdes apresentavam uma visão desarmada, destruída, envergonhada.

"Perdão!" - disse-lhe - "Não percebi o que disse." - informei.
"Poderá dar-me algum dinheiro para eu poder comprar algo para comer?" - solicitou-me.
"Desculpe!" - disse-lhe, aparvalhado, talvez.
"Perguntei se não me podia dar algum dinheiro para eu poder comprar comida."

Levei as mãos aos bolsos e não encontrei moedas. Senti o chão fujir-se-me debaixo dos pés.

"Não tenho dinheiro comigo!" - disse-lhe - "Desculpe!" - pedi-lhe eu por não o poder ajudar.
"Eu é que peço desculpa por estar a pedir." - disse-me.

Seguiu o seu caminho, num passo lento, demorado, sem tempo de chegar, derrotado, arrastado.
Fiquei a olhá-lo. Senti-me triste de não o poder ajudar. Vi-o desaparecer na esquina do prédio.

Naquele momento senti uma enorme raiva. Tive vontade de gritar...e na verdade fi-lo de uma forma silenciosa. Acabara de vir de almoçar e pensei para comigo que, aquele senhor, aquele idoso, me deveria ter encontrado antes. Assim, teria ele almoçado, não eu.

domingo, outubro 04, 2015



Hoje é dia de escolhas... de importantes escolhas.
Hoje é dia de escolher se... vou votar ou fico em casa. Sim, porque este tempo de chuva proporciona a vontade imensa de estar em casa, sentado numa cadeira de baloiço, com um livro na mão, um som a sair das colunas da aparelhagem e olhar a rua, para lá da janela.
Hoje é dia de escolhas... de imensas escolhas.
Hoje é dia de escolher... em quem vamos votar!
É dia de percebermos onde vamos colocar a cruz, que consequências esse acto pode ter para o nosso futuro imediato e para o futuro dos nossos filhos ou netos.
Hoje é dia de escolhas...de saborosas escolhas.
Como em todos os domingos, é dia de escolher o que vamos comer.
É uma escolha importante, como qualquer outra escolha. Mas quem será que pode escolher em quem votar, ou se vai votar? Todos nós...ou quase todos. Sim, quase todos, porque os há que estão comprometidos com esta ou aquela cor. Os que estão emocionalmente condicionados com teorias da conspiração partidária.
Mas a grande questão do dia é... quem pode escolher o que comer?
Quem tem de escolher se vai ou não comer... pois pode não ter ou ter de guardar para mais tarde.
Hoje é dia de escolhas... chuvosas escolhas.
Se noutros anos foi o sol e o calor que afastou os eleitores das mesas de voto e os arrastou para as praias, hoje é a chuva que o faz, transportando os votantes para o sofá.
E mais uma vez, como em todas as outras, alguém irá sair beneficiado e alguém ira lamentar.

segunda-feira, setembro 28, 2015

Procuro a tua mão



Procuro no livro
A vida que perdi
Aquela que me deram
E eu destruí.

Anseio numa busca,
Que sei não conseguir
Da mão que outrora
Num tempo já ido
Se me estendeu e eu não vi.

Temos histórias que não conheço
De amor, ódio ou então
São histórias que desejo
Finais pelos quais vivo
A minha eterna paixão.

Maldita sejas, maldita,
Que me fizeste sonhar, acreditar,
Entraste em mim sem pedires
De mim te viciaste
E de ti me vou matar.

Fujo desta estrada sem chão,
Do lugar que não conheço.

Sei que viajo sem rosto
Que voo sem gosto
E que amanhã,
Sim, amanhã acordarei
E ao olhar, ao procurar,
Não encontrarei,
Aquela pela qual choro,
A tua mão.

in "Aurélio - o sem-abrigo"

quinta-feira, junho 21, 2012

António

Hoje, mais um dia igual a tantos outros, uma repetição dramática que apenas eu conheço.Mais um dia vagabundo de incertezas concretas.

Hoje, um acordar já sem fome de uma refeição que não sei se vou ter. Um caminhar doentio na procura da migalha misericordiosa que almejo a cada dia.

Hoje, como ontem e no mês passado e no ano passado, caminho descalço pelo trilho que já não me queima ou sangra os pés, não me marca a alma, não me dá esperança.

domingo, junho 17, 2012

A Rua

A rua está deserta e eu, sem rumo, vagueio por parte incerta. Busco um sinal, o sinal.

Olho em meu redor com a turva neblina que me ofusca a esperança de te encontrar.

Num mudo grito procuro o eco, o eco surdo, cego que não me escuta, vê e não me responde ao chamar.