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quarta-feira, junho 24, 2020

Sorriso Par



Por ti sorri tão pouco
Ainda que me digas que não
Num tempo que foi louco
E nem sempre de razão.
Voamos os dois baixinho
Nos altos céus de sonhos
E deitados, quebrámos,
Amarrados ao cais do outro
Apenas observando
No silêncio da madrugada
O céu estrelado do olhar.

Por ti sorri tão pouco
Mesmo que se conte numa vida.
E em cada sorriso que dei
Mesmo que achasse louco
Era teu, sabes que sei,
O nosso sorriso par!

sexta-feira, março 27, 2020

Ensaio sobre o amor - 6


O NASCIMENTO DE ARMANDO

Estava um dia solarengo e Manuela sentiu que chegara a hora de parir. Chamou António, que andava a tratar das alfaces na horta e pediu-lhe que chamasse a enfermeira Emília, pois a cria estava a nascer.
António correu até à casa da enfermeira que, em Azinhaga, também era parteira. Numa passada aligeirada e quase de reboque lá chegou Emília a casa da família Pereira.
Manuela tinha preparado, já há algum tempo, umas toalhas que não permitia que António utilizasse. «São para quando a cria nascer», dizia, assim como umas roupas que a dona Joaquina lhe houvera oferecido. Quando chegaram a casa, Manuela estava deitada e transpirava abundantemente. As dores abdominais eram muitas e mantinham uma frequência ritmada. A respiração era a de um canino cansado após uma correria. António chegou-lhe mesmo a perguntar se ela queria um púcaro de água. Talvez estivesse com sede, pensou.

terça-feira, novembro 26, 2019

Momentos - O Senhor do chapéu de chuva


Todos os dias, pela manhã, pelas 7:30 horas da manhã, seja Verão ou inverno, faça chuva ou faça sol, quando passo naquela estrada a caminho do trabalho, lá vai ele, no seu ritual matutino, calcorreando, após estacionar devidamente o seu automóvel, aquele senhor de feita  idade. Já o vejo naquela caminhada faz tempo. Segue sempre a mesma vereda, aquele caminho que já lhe conhece os passos, a passada, a cadência.
            Todos os dias, pela manhã, lá vai ele, num passo que não sendo apático, não é apressado. É um passo de quem quer manter uma actividade física e iludir a inércia amorfa e demente para onde o Estado e as suas directrizes o enviaram, quando lhe outorgaram o tempo da reforma sem o prepararem para o vazio.
            O Senhor que pela manhã vejo caminhar, contrariando um estado gradativo de decadência, fá-lo determinado e com uma idiossincrasia interessante; debaixo do braço carrega, ao longo de todo o ano, um chapéu de chuva.
            Afinal, Homem prevenido vale por dois.

sábado, novembro 02, 2019

Ensaio - Escravos de um Tempo prostituído


Poema à Humanidade

                        Somos o tempo que marca
                        A marca do tempo que temos
                        A contagem do tempo que fazemos
                        Do tempo que ainda falta
                        Para aquele que queremos
                        Ou para chegarmos à a Arca.

quinta-feira, agosto 15, 2019

#Somos o tempo que temos

Somos um conjunto de tempo,
Inacabado.
Um cronómetro decrescente,
Não parado.
Somos a perfeita imperfeição,
De cada lado,
Somos o pensamento,

terça-feira, janeiro 30, 2018

#Avaliação de desempenho tripartida


A avaliação é algo empírico à existência humana; avalia-se por tudo e avalia-se por nada. Avalia-se a cada segundo a atitude e o comportamento alheio, mas falha-se quando, cada um de nós, seja por arrogância ou medo do que se pode descobrir, não efectuamos uma auto-avaliação.

terça-feira, março 07, 2017

# Formação sénior para melhoramento da segurança rodoviária


Com o passar da idade, de forma natural, cada um de nós vai perdendo as suas capacidades motoras. Isso deve-se ao facto do nosso organismo ir ficando cada vez mais debilitado, assim como a nossa mente. Os reflexos baixam, ou seja a capacidade de reação diminuí.
Esta é uma realidade que todos conhecemos mas à qual resistimos, simplesmente por medo de nos chamarem “velhos” ou “acabado”. Insistimos em defender que a experiência  de uma vida e os tantos anos que levamos como condutores nos trazem um saber supremo, capaz de nos tornar imunes a qualquer situação de trânsito mais complicada.

quinta-feira, janeiro 26, 2017

# Os semáforos com temporizador na zona da Portagem na cidade de Coimbra


Sabemos todos, quantos possuidores de um título de condução, que os semáforos servem para melhor regular o trânsito de viaturas e peões nas intersecções - cruzamentos e entroncamentos - permitindo, dessa forma, uma maior e melhor fluidez de tráfego.

quarta-feira, novembro 30, 2016

# E tanto ainda havia para acontecer

E, de repente, tudo acabou.

A luz apaga-se, numa escuridão, interminável, plena de um misto de saudade e culpa. O silêncio acontece, quando tanto ainda havia para dizer, tanto para ensinar, para aprender, para escutar.

É, para nós, vulneráveis mortais, difícil percebermos que muitos dos nossos mesquinhos comportamentos são meros incongruências psíquicas na sanidade mental e no equilíbrio emocional de não apenas nós próprios, mas envolvente, também, a quem nos rodeia.

sábado, novembro 19, 2016

# Um dia de chuva


Parece que o dia vai ser molhado; sim, molhado!
Segundo parece, dizem os senhores(as) da meteorologia, este fim de semana vamos estar - vamos, Portugal - em alerta amarelo, devido a chuva intensa e ventos fortes.
Parece que as previsões temiam o inicio do temporal com inicio ontem, no norte do país.
Nem o Espirito Santo salvou o norte do temporal.


quinta-feira, novembro 10, 2016

# O que a história não ensinou ou o que não quisemos aprender?


O Planeta é redondo e andando, andando, acabamos sempre por voltar ao ponto inicial ou ver REPETIR-SE o que já aconteceu antes, que podemos ou não gostar, protagonizado pelos menos actores ou por outros, eventualmente.

sábado, novembro 05, 2016

# Socorro, fui às compras



Compras, compras e mais compras.
Minutos, horas, eternidades de tempo perdido à espera das damas, sentado num qualquer banco de um Centro Comercial; sentado não, estacionado...
O tempo não passa e corre desalmado num tic-tac interminável que me faz soar um desespero louco.
SOCORRO... será possível que haja gente que goste tanto de andar às compras, no meio de um multidão barulhenta, que se arrasta por caminhos entre expositores, arfando e largando um odor a transpiração.
SOCORRO... alguém que faça uma lei que proíba as pessoas estarem nas compras por tempo superior a...sei lá, cinco minutos? Parece-me um tempo razoável.
Estou estacionado já faz tanto tempo que ainda sou autuado por estacionamento abusivo.
Circular? Nem pensar, que as solas das botas se gastam em demasia, tais são os quilómetros que teria de percorrer.

quarta-feira, agosto 24, 2016

A Terra tremeu e o relógio parou!



A sapiência do povo não o prepara as intrigas que a natureza manhosa arquitecta, em conspirações perpétuas que a ciência e esses fantásticos  seres, os cientistas, tentam desvendar, quais espiões que se infiltram nos meandros mais obscuros das grandes organizações secretas.

E não será o planeta Terra uma enorme organização secreta, que nos permite vislumbrar apenas algumas das suas franjas, mas que conspira, nas profundezas, as mais diabólicas e destruidores ataques?

sábado, agosto 06, 2016

Tempo...



Damos conta que a idade começa a passar por nós quando, no final de um dia de trabalho, ao regressarmos a casa, de comboio, deixamos a cabeça pender sobre o vidro da janela e de repente, acordamos sobressaltados com um enorme estrondo (pelo menos na ocasião parece) e verificamos que todos estão a olhar na nossa direcção - a coisa está complicada - diz-nos um senhor com, seguramente, pela aparência física, mais uns quinze anos do que nós, mas que não adormeceu e não deixou cair o telemóvel e a mochila pelo chão.

Damos conta que o tic-tac dos anos vão passando, não pelos cabelos brancos - que esses são poucos -, mas quando a nossa cara-metade nos recorda que logo, logo, estamos no meio século; e damos connosco a pensar - como é que o tempo, este sacana, passou tão rápido?

domingo, julho 17, 2016

Tempo


Os ponteiros do relógio, aqueles que teimam em desaparecer e a dar espaço a números quadrados, obviamente vindos de um qualquer jogo de computador da década 80, marcam o tempo que vai passando, que por nós vai passando, tantas e tantas vezes sem nos apercebermos disso, outras vezes desejando que pare; e ele não pára, teimosamente, mas outras tantas vezes almejando que corra, que seja rápido, mais rápido que o relógio mais rápido do Mundo, aquele que conta os cem metros percorridos pelo Bolt...

Os ponteiros são os obreiros de um tempo pelo Homem inventado, pelo Homem definido e pelo Homem odiado. Já tenho pouco tempo, ou ainda me falta tanto tempo; esse tempo é tão ambíguo quanto misterioso, pois o mesmo tempo pode ser demasiado, ou demais limitado.

Assim, devemos valorizar cada fracção do tempo, desse definido por alguém, e aproveitar para sorrir, cantar (mesmo que não sejamos aceites pelos ouvidos cristalinos), dançar e viver. Devemos ser felizes, dentro do possível; preocuparmo-nos, essencialmente, com o nosso tempo e, não perder tempo, a olhar o tempo alheio, é que um dia podemos ter de parar e perceber que perdemos tanto tempo com o tempo alheio que agora já não temos tempo para o nosso tempo... aquele que nos resta!

quarta-feira, junho 22, 2016

Saiba como melhor se preparar para o seu exame de condução



Um exame de condução é a fase final do processo de aprendizagem e formação de quem pretende adquirir um título que o habilite a conduzir um veículo, seja ele de que categoria for. É sempre o ponto alto de todo o processo e pensar-se na palavra exame, provoca, de modo geral, um formigueiro na barriga.

Mas afinal, será o exame de condução uma prova tão difícil e complicada como a tradição do passa a palavra quer fazer parecer, ou não passa de um breve momento em que alguém vai avaliar os nossos conhecimentos teóricos e práticos e avalizar a nossa capacidade para enfrentarmos o meio rodoviário, sozinhos?

sexta-feira, junho 17, 2016

Bicicletas e automóveis - a coabitação perfeita



Bicicletas e automóveis, como é a sua coabitação na estrada? A resposta vamos dár-lha neste post. Tratam-se de veículos que têm cada vez mais de saber coabitar, uma vez que a utilização de veículos de duas rodas movidos a pedais se tornou uma moda e uma forma de estar na vida.


As bicicletas são veículos mais vulneráveis. Pode dizer-se que as pernas dos condutores (ciclistas) são os pára-choques em caso de conflito entre partes. Se algo correr mal no meio rodoviário, serão sempre os condutores das bicicletas que irão sofrer com as consequências físicas. E esta realidade deve estar sempre presente.

segunda-feira, fevereiro 08, 2016


Por mais que queiramos, nem sempre a gestão do tempo é efectuada a forma que mais desejamos. Ele escapa-nos por entre os dedos, como se grãos de areia se tratasse, não fosse a ampulheta uma forma de o contar e contabilizar.

Oiço cada grão cair, vejo-os partirem numa imensidão de tudo e de nada. Tento aproveitá-los para construir castelos que não se desmoronem e no entanto...consigo fazê-lo contra todas as expectativas. Os meus castelos continuam de pé, a minha crença... eu que não sou crente, continua firme, a minha luta continua lá.

Olho o relógio de soslaio; aquele que já parou ou que já parei e sorrio. Ele perdeu a luta e eu ganhei-a. Ele não soube quando parar e eu aprendi a fazê-lo. Ele perdeu a corda e eu recuperei-a. Ele, o relógio, aquele que morreu no tempo, já não existe e eu, este que no tempo venceu, continuo cá, aqui, tal como tu, tal como todos os que não baixaram os braços e riscaram na parede da vida cada passo, cada conquista, cada vitória.

terça-feira, novembro 03, 2015



Levantei-me, com vontade de fazer algo diferente, algo revolucionário, irreverente. Abri a portada, em madeira, da janela do meu quarto, com alguma dificuldade, devido ao imenso tempo que esteve fechada e fui ofuscado por uma luz que não conhecia. Tinha estado tempo demais fechado naquele cubículo que me atrofiou o pensamento, me limitou a visão.

Saí, decidido, para uma rua que não sabia existir, que não conhecia e que, por alguns momentos, me deixou desorientado. Por momentos hesitei, é verdade, mas a minha vontade de partir era enorme. Caminhei em diante, determinado, sem olhar para trás, sem tentar perceber que distância me separava do ponto de partida.

Sim, era um rebelde. Fizera algo de diferente, arrojado, destemido.

Caminhei em direcção à linha de comboio, a uma linha que me levaria mais além, mais longe, a um lugar sem fim, sem destino definido. Conhecia o comboio, claro! Não era desconhecedor do mundo, daquele comum a todos os seres comuns. Corri, apressado para chegar...e cheguei!

Cansado, sentei-me num banco em madeira, cansado, desgastado pelo tempo, pela intempérie. Era um banco envelhecido e perdido num tempo já ido. Esperei! Esperei e esperei! E o raio do comboio nunca mais vinha. Levantei-me e caminhei de um lado para o outro. Nada!

Foi então que olhei ao meu redor e percebi o que se estava a passar... o tempo por mim passara sem que eu dera conta. O tempo já não contava na estação que escolhera. O tempo fugiu e não voltou. Tentei recuperá-lo, correndo atras dele. Ou melhor, tentando, pois as pernas já não me permitiam correr.

Percebi então que estava velho, cansado e já sem tempo. Agarrara-me demais a quem não merecia a minha aplicação, o meu respeito, a minha determinação, o meu tempo.



sábado, junho 16, 2012

Velho

De olhar preso num horizonte infinito e vazio, aqueles sentimentos viajam vagabundos por um tempo que só ele sabe, só ele conhece, só ele pode descrever, observar.

De olhos vidrados em memórias, aquele momento aquele momento de imaculada interiorização fá-lo percorrer anos, quiçá corredores de lembranças e saudades.

Olho-o sem o querer entender, percebendo a solidão do momento, um em tantos iguais aos diferentes na história, mas gémeas na imensa procura  da resposta em tantos outros assentos.