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quinta-feira, junho 09, 2016

No prado verde contigo.(I)



- Sabes... - disse - ... também gosto de aqui estar.
- É bom, não é?
- Sim, é muito fixe. Vens cá muitas vezes?
- Sempre que posso, venho.
- E vens cá há muito tempo?
- Nem sei... - pensou um pouco - ...se calhar há mais de ano e meio.
- E por que começaste a vir aqui?
- Olha, vou contar-te. Um dia estava na escola e a professora de matemática disse-me - Olhe lá, menino, está a pensar em quê? - e eu que estava distraído respondi-lhe - Hã! - e ela disse-me - Hã?! Acha que é assim que se responde à professora? Primeiro está distraído, certamente a pensar na morte da bezerra...
- Em que bezerra estavas a pensar?
- Não estava a pensar em bezerra nenhuma. Foi ela que disse.
- Então mas por que disse ela isso?
- Disse-me que era uma expressão.
- Não entendo... mas a bezerra morreu?
- Não existe nenhuma bezerra.
- Não!
- Ela disse que eu estava distraído, a pensar na morte da bezerra e eu perguntei-lhe qual bezerra e ela respondeu-me que não havia bezerra, que era uma força de expressão e eu respondi-lhe o que é que a matemática tem a haver com o reino animal e ela disse-me que era o facto de eu estar distraído.
- E estavas?
- O quê?
- A pensar na morte da bezerra?
- Não! Estava distraído.
- Hã!
- Depois ela começou a dizer que não tinha melhores notas porque não estava atento na aula; eu disse-lhe que sim.
- Que sim?
- Sim! Que sim.
- Que sim, o quê?
- Que sim que estava atento.
- E estavas?
- O quê!
- Atento.
- Mais ou menos.
- Como assim, mais ou menos?
- Estava e não esta.
- Como estavas e não estavas?
- Estava atento, mas não era ao que ela estava a falar.
- Ah! Ah! Ah! - gargalhou.
- Estás a rir-te?
- Sim! Teve piada.
- Pois tem, mas devias de ver a cara da professora quando me perguntou - Ao que é que o menino está atento? À aula não é certamente.
Estou atento aos meus pensamentos.
- E o que é que os seus pensamentos têm de interessante para a aula de matemática?
- Para a aula?
- Sim! O menino não está na sala de aula?
- Estou! Mas os meus pensamentos só a mim me pertencem. - disse-lhe eu e ela respondeu-me - Então fique com eles para quando está fora das aulas.
- Está bem. - disse-lhe eu; e ela interpretou que eu estava a gozar com ela e então disse-me:
- Levante-se e venha aqui à frente; e eu fui e ela tentou envergonhar-me e humilhar-me...
- A sério?
- Sim! ...quando cheguei junto a ela, disse-me - Sobe para o estrado. - e eu subi.
- Meninos... - começou por dizer, com uma expressão de gozo - ...o pensador.

(continua)

quinta-feira, outubro 22, 2015



Nascemos numa incerteza de caminho. Somos moldados a interesses sociais, culturais e religiosos, sem que nos seja questionado "O que queres?". O que queres ser, a quem queres pertencer, o que queres fazer, para onde queres ir ou onde queres ficar, estar , ser.

Crescemos a ouvir que está certo ou errado, que aquele é o caminho correcto ou que se esta a caminhar no sentido errado, que devemos falar e que devemos estar calados.

Ao longo do nossos caminho, esse caminho nómada, de permanente mudança, sem rumo certo, sem porto de abrigo estipulado, sem certezas e repleto de surpresas, tantas delas desagradáveis, mas outras tantas tão fantásticas, que as julgamos irreais. Percorremos veredas de emoções, arriscamos epopeias de sensações... e vivemos, tantas vezes sem viver...sobrevivendo.

Nascemos para um dia partirmos. Mas não sabemos quando. E fazemos planos, tantos planos a longo prazo, na certeza que alcançamos, na inquietude de não chegarmos, na angustia de nos perdermos ou não termos, somente, algo, alguém que seja, de quem nos orgulharmos e nós se orgulhar.

A fama á efémera e quem a procura para a vida não vencerá. Expõem-se ao ridículo, em busca dos "dois minutos de fama", para mais tarde lamentarem, numa queda de 65 andares, terem entrado na corda-bamba.

Caminhamos nómadas no meio do rebanho, nas ruas da incerteza, serpenteando os obstáculos, saltando no chão seguro, pelo menos pensamos nele assim, e olhando, visualizando, contemplando e constatando, todo o envolvente, toda a estrutura, todas as histórias, sem contudo, as entendermos ou querer entender.

Vamos caminhando, fazendo, produzindo, sonhando, para chegarmos ao nosso objectivo. E se o fizermos, mesmo se não chegarmos, alguém, sim, alguém, quem sabe, vai um dia dizer, «Ele(a) tentou. Sim, tentou.»

quarta-feira, outubro 21, 2015

quarta-feira, outubro 14, 2015



Calcei as botas de sempre, agarrei o cajado que me apoia nas passagens difíceis e fiz-me ao caminho. Um caminho nem sempre fácil, nem sempre plano...mas o caminho que escolhi. Por vezes ando mais rápido, por vezes mais devagar e outras vezes até me parece que estou parado sem, no entanto estar. Mas uma certeza tenho, para trás não vou andar.

Os olhos mantenho no horizonte, numa luta desigual, num terreno abrasivo, numa intempérie de sentimentos e confusões que, por vezes, me ofuscam a visão, por vezes me cega, por vezes me tenta desorientar no caminho, mas nunca, jamais, me conseguirá fazer desistir da minha ambição. Que não é cega nem desmedida. Que não tropeça ou faz cair outrem. É apenas a minha ambição, aquela que me dá forças para me fazer chegar, alcançar, por mais difícil que seja a montanha que tenha que passar.

Subo montes, venço tempestades, enfrento mares bravios...muitos. Mas a minha força interior leva-me a erguer a cabeça e a olhar de frente, olhos-nos-olhos, o inimigo, aquele que me quer derrubar. E sei que um dia, sim, sei, vou vencer e alcançar.