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sábado, julho 11, 2020

História de Poeta


quarta-feira, junho 24, 2020

Sorriso Par



Por ti sorri tão pouco
Ainda que me digas que não
Num tempo que foi louco
E nem sempre de razão.
Voamos os dois baixinho
Nos altos céus de sonhos
E deitados, quebrámos,
Amarrados ao cais do outro
Apenas observando
No silêncio da madrugada
O céu estrelado do olhar.

Por ti sorri tão pouco
Mesmo que se conte numa vida.
E em cada sorriso que dei
Mesmo que achasse louco
Era teu, sabes que sei,
O nosso sorriso par!

terça-feira, junho 23, 2020

A última valsa




Dança comigo, amor,
A última grande valsa
Agarra-te a mim, amos,
Na paixão de uma vida
Leva-me contigo, amor,
No bailado do salão
Dá-me vida de ti, amor,
No meu momento de solidão.

sexta-feira, dezembro 13, 2019

Momentos - Anúncio de jornal


Homem rico procura mulher que não esteja interessada no seu dinheiro ou património, mas sim em todo o amor que ele tem para oferecer.” – assim anunciava o escrito no jornal, na secção de contactos.

quinta-feira, agosto 15, 2019

#Somos o tempo que temos

Somos um conjunto de tempo,
Inacabado.
Um cronómetro decrescente,
Não parado.
Somos a perfeita imperfeição,
De cada lado,
Somos o pensamento,

domingo, março 26, 2017

#Lágrimas de Cetim


                                 Bebi as lágrimas que disseste
                                 Numa sede ávida de saber
                                 Que amarguras, meu amor
                                 São as tuas, que te fazem sofrer!

                                 Abri os braços ao Mundo
                                 Segurei a torrente libertada
                                 Proferi, palavras eternas de magia
                                 Para proteger a minha amada.

                                 E as tuas lágrimas, afinal
                                Aquelas que se soltaram, não eram
                                De tristeza, então, percebi.

                                Eram doces, como o mel, sim!
                                Ovação a vida nova,
                                Nascidas em teu ventre de Cetim.

                                            - Miguel Branco -




quinta-feira, março 23, 2017

# O teu coração


                                             Quero dizer-te, amor, como te amo
                                             Esvaziar o meu sentimento em ti
                                             Tornar-te dona da minha razão
                                             Sentir que dei e não perdi.

                                             Quero abraçar-te, num abraço eterno
                                             Ser de ti, parte de mim
                                             Fundir-me em ti, estregar
                                             A um só corpo, flor de Jasmim.

                                             E tu a mim me deste
                                             O teu porto-abrigo, seguro
                                             Da queda me salvaste.

                                             E eu, grato de paixão
                                             Amar-te-ei até morrer,
                                             Até me parar, o teu coração.

                                                   # Miguel Branco


segunda-feira, dezembro 19, 2016

# I love you, Paris! (2)

(continuation)

- Excusez-moi, monsieur! - she said.
- There is! I was pissed off to look at that muse that was there in front of me with that fiery hair, rebellious in the origin that was made to run, two turquoise, the most beautiful that I had ever sighted, to look in my direction, Soft, pure, immaculate, candid and with a clear voice, full of candor and honey. - Sorry, did you say something? I asked him; He replied, - I apologize for the trouble I gave

sábado, novembro 07, 2015



A Areia e o Mar


Saí para a rua, destemido,
Percorreu quilómetros de prazer
Na noite escura, entardecido.

Vagueei sem dor ou medo
Transpus barreiras de loucura
Vi um brilho no teu olhar
Vi um sorriso na Lua.

Vi a chuva, o nevoeiro,
No escuro a brilhar,
E nos teus braços me entreguei
Do teu secreto cálice bebi
Nele me embebedei
Me afoguei e não fugi.

E pela manhã ao acordar
Num abraço me perdi
E pela manhã ao acordar
Na fina areia caminhei
Nas suaves ondas os pés banhei
Um novo livro, abri.

E pela manhã ao acordar
O teu corpo bebi
Olhei o céu e o horizonte
Num infinito Cosmos me perdi,
Em Castelos de Areia brinquei
Quando nas dunas a teu lado vivi.

Para trás ficaram marcas
Fundas, longas e não sei.
Para trás ficaram largas
Horas de amor com que sonhei.

E quando eu acordar
Não estarás a meu lado
E quando eu me levantar
E na praia caminhar
Olharei em meu redor
E não te vou avistar.

Vou chorar em solidão
Num choro mudo e calado
E a alma dilacerar
No sentido da razão.

Mas um dia se quiseres
Leva o meu coração devagar
Numa Praia de emoção

Eu sou a Areia e tu o Mar.

quarta-feira, outubro 14, 2015



Calcei as botas de sempre, agarrei o cajado que me apoia nas passagens difíceis e fiz-me ao caminho. Um caminho nem sempre fácil, nem sempre plano...mas o caminho que escolhi. Por vezes ando mais rápido, por vezes mais devagar e outras vezes até me parece que estou parado sem, no entanto estar. Mas uma certeza tenho, para trás não vou andar.

Os olhos mantenho no horizonte, numa luta desigual, num terreno abrasivo, numa intempérie de sentimentos e confusões que, por vezes, me ofuscam a visão, por vezes me cega, por vezes me tenta desorientar no caminho, mas nunca, jamais, me conseguirá fazer desistir da minha ambição. Que não é cega nem desmedida. Que não tropeça ou faz cair outrem. É apenas a minha ambição, aquela que me dá forças para me fazer chegar, alcançar, por mais difícil que seja a montanha que tenha que passar.

Subo montes, venço tempestades, enfrento mares bravios...muitos. Mas a minha força interior leva-me a erguer a cabeça e a olhar de frente, olhos-nos-olhos, o inimigo, aquele que me quer derrubar. E sei que um dia, sim, sei, vou vencer e alcançar.

terça-feira, outubro 13, 2015


" Mais tarde, alguns meses depois, acontecera estranho. Como não era normal acontecer, Armando não reagia ao movimento das mãos e parecia sentir-se perdido. Reagia apenas à voz, levantando ligeiramente a cabeça, tentando perceber de onde viria. Algo se passava. Emília percebeu que Armando poderia sofrer de problemas de visão. O tempo confirmara-o. Armando nascera cego. O doutor Antunes, o médico de Santarém que visitava Azinhaga sempre que era chamado, confirmara-o, «O menino tem uma obstrução nos olhos. Não consegue ver». 

...


- e as cores da escuridão do meu pai, do Armando Pereira, não foram o doirado dos campos, o amarelo do sol, o verde das árvores ou o azul do céu. – ia dizendo – As cores da escuridão do meu pai, sempre foram a amizade, o carinho, o afecto, a entreajuda, o amor que partilhou com a minha avó mas que ninguém quis ver. As cores da escuridão dele são a minha existência, o meu amor por alguém que não me deixaram conhecer."

         in "As cores da escuridão" - de Miguel Branco

sexta-feira, outubro 02, 2015



Olá!
Já te disse hoje que te amo muito? Sim, que te amo!
Que te amo desde que nasci até ao dia em que partiste... tão nova que eras e tanto que ainda tinhas para me ensinar.
Já te disse hoje que sinto a tua falta, apesar de estares sempre comigo?
Sim, a tua falta. Aquele porto seguro que sabemos que tem sempre um ancoradouro para amarrarmos o nosso barco e nos sentirmos seguros, apesar de sabermos que depois, sim depois, teremos de voltar e enfrentar a tempestade.
Sim, voltar a enfrentar a tempestade, mas com maior capacidade, saber, confiança.
Já te disse hoje que te amo?
Amo-te de uma forma louca, podes dizê-lo, mas não me importo.
Amo-te como te amava quando estávamos ligados através do cordão umbilical.
Amo-te como naquele dia em que me deste força, coragem e confiança para ir sozinho para a escola... e mais tarde disseste-me que me tinha seguido ao longe, para ver se não me perdia.
Amo-te como nunca amei ninguém.
Um dia disseste-me que iria ser um grande pai... na verdade tenho um metro e oitenta de altura.
Agora que já sou pai, tento a cada dia transmitir aos meus filhos, teus netos, os valores que me ensinaste. Mas partiste tão cedo e não consegui aprender tudo.
Já te disse que te amo? Sim, amo!
Paro tantas vezes no tempo contigo na minha recordação. Aqueles momentos que foram só nossos, apenas nossos. Tantos momentos que não sendo bons, juntos riamos da estupidez dos mesmos e tornavamo-los engraçados. Sinto falta deles. Sinto falta desses momentos, dessas pequenas aventuras, dessa cumplicidade.
Dou tantas vezes comigo a pensar como seria se não me tivesses deixado daquela forma abrupta.
Dou comigo a coagitar de como seria, agora, tu e eu, eu e tu e todos os outros que nos rodeiam.
Sim, partiste cedo demais. Tinhas tantos sonhos. Tínhamos tantos sonhos.
Ficou tanto por fazer, tanto por dizer, tantos abraços por dar, beijos ao deitar por entregar...ficou tanto por fazer.
Já te disse hoje que te amo? Sim, amo!
Amo-te de uma forma silenciosa, só minha, interior.
Um dia, sim um dia, irei voltar a encontrar-te e juntos iremos continuar a nossa história.
Mas agora, agora vou continuar por aqui, a educar os teus netos e a tentar fazer-te feliz... sentires orgulho de mim.

                                                                      - Miguel Branco -