Fazer uma reflexão sobre
o que é a amizade, a menos de seis meses de completar meio século de vida, pode
parecer, a alguns seres, um exercício especulativo, a outros uma teoria da
conspiração, a certos uma verdade difícil de aceitar e para mim nada mais será
do que uma constatação de quase cinquenta anos de vida; é um exercício de
análise – a minha análise – após avaliação despreconceituosa de experiências
vividas ao longo do caminho. Desenganem-se aqueles que pensam que eu penso que a
minha verdade é um absolutismo. Nada disso! A minha verdade será sempre a minha
verdade, baseada em factos – que até estes nunca são absolutos – observados do
meu miradouro. O que para mim é um 6, para outros pode ser um 9.
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domingo, novembro 10, 2019
domingo, março 12, 2017
# Uma amizade verdadeira é para a vida
tive o prazer de, um dia, poder privar com uma pessoa que já não se encontra entre os vivos, fisicamente, mas que estará sempre entre esses vivos - pelos ainda que muitos pareçam mais mortos-vivos - emocionalmente e nas nossas lembranças.
Essa pessoa - pouco interessa identificar o nome - servia numa corporação de bombeiros, com toda a sua alma e espírito. Era frontal e isso fazia com que muitos não a olhassem com a mesma admiração que outros o faziam.
sexta-feira, dezembro 23, 2016
# Morte em Angola
Após ver esta reportagem, fiquei ainda mais revoltado com o que se vai passando em Angola. Um país riquíssimo, cheio de potencial e possibilidade de proporcionar aos seus habitantes um bem-estar de vida, que não tem de ser de ostentação de riqueza, mas sim de necessidades básicas de vida, educação, saúde e justiça.
terça-feira, dezembro 20, 2016
# Riscas, a Boneca
Era uma vez…
Lembro-me do dia em que a Riscas chegou lá a casa. Foi
num domingo, estava sol e fazia calor. Eu estava na minha vida, a passear pelo
jardim, quando o pai chegou de carro. O Huguinho, um menino de sete anos de
idade, como era seu hábito, também por ali andava, a correr, a pular e a jogar
à bola. Ao ver o pai chegar, o rapazito deu uma valente corrida, saltando-lhe
para o colo, dando-lhe uma enorme beijoca.
- Onde está? Onde está? – perguntava, todo excitado.
- Calma, Huguinho! – disse-lhe o pai, tentando controlar
o impulso do filho.
- Onde está? Onde está? – continuava impaciente.
sábado, novembro 05, 2016
# Conspiração
"- Não te vou poder aprovar a proposta. – avançou o deputado Junqueira.
– Está muita coisa em jogo. – disse o
ministro, olhando-o nos olhos.
- Estás a falar de quê? – fez uma pausa,
bebericando um pouco mais do malte – Do acordo que o Joaquim tem com os
alemães?
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sábado, outubro 01, 2016
Abandono social
Não há no Mundo muitas merdas que me irritem; mas há algumas. E uma delas é o abandono social humano, se é que realmente se pode chamar humano ao comportamento daqueles que tudo têm, menos humildade e altruísmo, capaz de ajudar quem nada e ninguém tem, a não ser a si mesmo.
Cativar
Muitas são as pessoas que não percebem da nossa postura e da sua influência no dia-a-dia. Simplesmente não compreendem.
segunda-feira, setembro 26, 2016
Uma companhia de cão
No dia em que fomos vê-lo, para o adoptarmos, ele apaixonou-se de imediato por nós; e nós por ele. Era pequenino...seis semanas! Veio connosco para casa e, nos primeiros tempos, ou melhor, nos primeiros dias, dormi com ele no chão, enroscado a mim, choroso de saudades da mãe. Durante a noite ali estivemos, os dois, num só, a levantar-me três e quatro vezes durante a noite para o trazer á rua.
segunda-feira, julho 25, 2016
Sonho de Maria (história infantil)
Era uma vez uma menina que, todas as
noites, sempre que ia para a cama, depois de escovar os dentes e pentear os
seus negros cabelos donde pendiam uns belos e reluzentes cachos que brilhavam
em consonância com as belas pérolas negras que tinha no olhar, agarrava-se ao
seu ursinho de peluche. Ficava a pensar nas histórias que ouvia as suas colegas
de colégio contarem. Maria perdia-se na penumbra dos seus pensamentos e na sua
memória escutava as vozes das amigas.
A
Margarida contara, certo dia, que a sua mãe a tinha levado à cabeleireira
cortar e esticar o cabelo:
terça-feira, novembro 03, 2015
Levantei-me, com vontade de fazer algo diferente, algo revolucionário, irreverente. Abri a portada, em madeira, da janela do meu quarto, com alguma dificuldade, devido ao imenso tempo que esteve fechada e fui ofuscado por uma luz que não conhecia. Tinha estado tempo demais fechado naquele cubículo que me atrofiou o pensamento, me limitou a visão.
Saí, decidido, para uma rua que não sabia existir, que não conhecia e que, por alguns momentos, me deixou desorientado. Por momentos hesitei, é verdade, mas a minha vontade de partir era enorme. Caminhei em diante, determinado, sem olhar para trás, sem tentar perceber que distância me separava do ponto de partida.
Sim, era um rebelde. Fizera algo de diferente, arrojado, destemido.
Caminhei em direcção à linha de comboio, a uma linha que me levaria mais além, mais longe, a um lugar sem fim, sem destino definido. Conhecia o comboio, claro! Não era desconhecedor do mundo, daquele comum a todos os seres comuns. Corri, apressado para chegar...e cheguei!
Cansado, sentei-me num banco em madeira, cansado, desgastado pelo tempo, pela intempérie. Era um banco envelhecido e perdido num tempo já ido. Esperei! Esperei e esperei! E o raio do comboio nunca mais vinha. Levantei-me e caminhei de um lado para o outro. Nada!
Foi então que olhei ao meu redor e percebi o que se estava a passar... o tempo por mim passara sem que eu dera conta. O tempo já não contava na estação que escolhera. O tempo fugiu e não voltou. Tentei recuperá-lo, correndo atras dele. Ou melhor, tentando, pois as pernas já não me permitiam correr.
Percebi então que estava velho, cansado e já sem tempo. Agarrara-me demais a quem não merecia a minha aplicação, o meu respeito, a minha determinação, o meu tempo.
domingo, novembro 01, 2015
O trono está cheio de um ar vazio de poder, mas muito interesse nas terras que a todos pertence.
É um trono cujo rei, sem coroa, vai jogando as suas peças de xadrez a seu belo prazer, pensa, mas que não se apercebe que o seu reinado está a chegar ao fim, prestes a cair, a se desmoronar como um castelo de areia que foi invadido por uma onda do mar, daquelas que se formaram, mas que ele não quis ver.
O trono está podre. O trono está pobre.
O trono que tem nas suas bases riqueza enorme, mas que fraqueja. Fraqueja na sua essência...o respeito humano! O trono está pobre, de princípios, de projectos sociais, se solidariedade, de verdade. É um trono sustentado por mentiras e pressões, por ameças e acções repressivas, por maldade, ganância e desprezo.
O trono está na iminência de cair, sem glória, sem história, sem apoio, sem vitória.
É o trono da casa real angolana, de "dos Santos", que não vê a areia da ampulheta a chegar ao fim e insiste em dar murros em pontas de facas.
E se hoje o rei tem apoiantes externos, porque lhes interessa, afinal os diamantes e o petróleo são riquezas que pagam as amizades, amanhã, na sua queda, na sua desgraça, na sua angustiante miséria, o rei vai estar nu, só, abandonado e com os dedos indicadores dos interesseiros externos a si apontados.
O trono está prestes a cair e muito sangue irá derramar. O reino a seu reino. O povo a seu terreno.
E ou muito me engano, ou quando o reino cair, haverão generais empalados, como nas mais bárbaras batalhas de Chaka Zulu.
quarta-feira, outubro 28, 2015
Poderei algum dia ser rei?
Não daqueles que usam coroa, ou fazem que usam. Não daqueles que sem saberem o por quê, mandam decapitar a razão ou a contradição dos seus propósitos, não daqueles que não sendo, se julgam ser.
Poderei algum dia ser rei?
Um rei a valer. Um rei daqueles fortes, não de músculos exuberantes, mas de palavras incisivas. Um rei capaz de mandar dar de comer aos pobres e deixar falar os mudos, não aqueles que não podem falar, mas os que não deixam falar.
Poderei algum dia ser rei?
Um rei dos filhos, dos netos, dos amigos. Não um rei de coroa ou alteza de cadeirão. Mas sim um rei, sim, destes de letra minúscula, mas que nas suas palavras se torna maiúsculo. Um rei de amigos. Não o de umbigo pequeno, mas o de mesa farta e braços grandes.
Poderei algum dia ser rei?
Um rei que deixe um legado de amizade, valores, paixão. Não um rei de trono curto e perna torta. Não um rei de coroa falseada em esmeraldas de vidro que se partem e esfumam no ar.
Poderei algum dia ser rei?
Um rei de reino pequeno, sem coroa, sem vaidade, sem ganancia, arrogância ou proa. Um rei que saiba caminhar, conheça os passos que tem de dar e principalmente um rei que não pise os seus iguais ao passar. Um rei humilde a amigo, conhecedor dos seus reinantes e que possa, num amplo partilho partilhar o espaço ao seu redor, com outros reis a reinar.
Nos meus escritos sou rei. Sou um rei de caneta na mão, onde despejo os sentimentos, as paixões, a imaginação. Sou um rei onde o meu reino è na folha que rabisco a minha emoção.
quinta-feira, outubro 22, 2015
Nascemos numa incerteza de caminho. Somos moldados a interesses sociais, culturais e religiosos, sem que nos seja questionado "O que queres?". O que queres ser, a quem queres pertencer, o que queres fazer, para onde queres ir ou onde queres ficar, estar , ser.
Crescemos a ouvir que está certo ou errado, que aquele é o caminho correcto ou que se esta a caminhar no sentido errado, que devemos falar e que devemos estar calados.
Ao longo do nossos caminho, esse caminho nómada, de permanente mudança, sem rumo certo, sem porto de abrigo estipulado, sem certezas e repleto de surpresas, tantas delas desagradáveis, mas outras tantas tão fantásticas, que as julgamos irreais. Percorremos veredas de emoções, arriscamos epopeias de sensações... e vivemos, tantas vezes sem viver...sobrevivendo.
Nascemos para um dia partirmos. Mas não sabemos quando. E fazemos planos, tantos planos a longo prazo, na certeza que alcançamos, na inquietude de não chegarmos, na angustia de nos perdermos ou não termos, somente, algo, alguém que seja, de quem nos orgulharmos e nós se orgulhar.
A fama á efémera e quem a procura para a vida não vencerá. Expõem-se ao ridículo, em busca dos "dois minutos de fama", para mais tarde lamentarem, numa queda de 65 andares, terem entrado na corda-bamba.
Caminhamos nómadas no meio do rebanho, nas ruas da incerteza, serpenteando os obstáculos, saltando no chão seguro, pelo menos pensamos nele assim, e olhando, visualizando, contemplando e constatando, todo o envolvente, toda a estrutura, todas as histórias, sem contudo, as entendermos ou querer entender.
Vamos caminhando, fazendo, produzindo, sonhando, para chegarmos ao nosso objectivo. E se o fizermos, mesmo se não chegarmos, alguém, sim, alguém, quem sabe, vai um dia dizer, «Ele(a) tentou. Sim, tentou.»
domingo, outubro 11, 2015
quinta-feira, outubro 01, 2015
Que foi? - perguntou.
Nada! - disse ele.
Nada, não! Porque estás a olhar assim para mim?
Por nada, já te disse! - sorriu.
Olha, parece que és parvo, sabias?
Já me tinham dito isso.
Então porque continuas a olhar-me?
Não posso?
Depende.
Depende do quê?
Depende porque razão me estás a olhar assim.
Assim como?
Assim... com essa cara de parvo. - sacudiu o cabelo - Gostas de mim?
Depende.
Depende do quê? Ou gostas ou não gostas.
Ele olhou-a mais fixamente e sorriu-lhe.
Estás parvo?
Outra vez?
Sim, outra vez! Falo contigo e não respondes.
Estou calado, por acaso?
Mas não respondeste à minha pergunta.
Qual delas? Já fizeste tantas.
Se gostas de mim, seu estupido.
Hum! ... sabes, essa coisa do gostar é muito complicada.
Como assim? Ou gostas ou não gostas. Pronto, é simples.
Mas queres saber se te amo?
Tu és parvo? Amar é uma coisa mais forte... faz-nos faltar o ar, faz-nos tremer as pernas, faz-nos ficar acordados à noite a pensar na outra pessoa, faz-nos deixar de comer.
Hum! Por acaso...estou a ficar com falta de ar.
És asmático?
Não!
Então estás a ficar com falta de ar porquê?
Porque estou a olhar para ti... e também tenho as pernas a tremer.
A sério? Então isso quer dizer que me amas?
Não sei! O que sei é que estou à rasca para mijar e isto de estar a apertar e à espera que te vás embora para eu poder fazer, está-me a deixar com falta de ar.
Estupido! - disse-lhe, virando costas e indo-se embora irritada.
- Miguel Branco -
domingo, agosto 09, 2015
Cartas de amor
A ida para a escola
veio a revelar-se uma enorme vantagem no campo afectivo. Aprender a escrever
foi um salto exponencial na possibilidade de contacto, recorrendo ao silêncio,
mas com a possibilidade de transmitir emoções.
O segundo ano de escolaridade do
ensino básico, na ocasião chamado de segunda classe, com o saber adquirido ao
longo do ano anterior, já se ia conseguindo criar algumas frases, ainda que
pequenas. Entre mim e a Raquel havia uma aproximação tímida, envergonhada e
escondida um do outro, pelo menos no discurso directo, pois no discurso do
mensageiro «Ela diz que gosta de ti» e «Ele diz que gosta de ti». Deste passo à
escrita foi um salto enorme.
A sala de aula era um pré-fabricado
a que nós chamávamos de galinheiro. A classe era composta por vinte alunos,
rapazes e raparigas. A sala tinha duas filas de sete secretárias, daquelas em
madeira com tampo inclinado e que dava para dois alunos. A Raquel estava na
quarta carteira da fila do lado esquerdo, sentada à direita e eu na quinta
carteira do lado direito, sentado no lugar da esquerda. O primeiro bilhete de
namoro foi ela quem o enviou. «Gosto de ti», dizia, ao que eu respondi, num
outro bilhete, «Também gosto de ti». O método de envio era simples. Quando a
professora estava distraída ou a escrever no quadro de ardósia, atirávamos os
bilhetes um para o outro, rente ao chão. Bilhetes que passaram a ser cartas,
com o avançar do tempo. Cartas que eram guardadas em casa, numa gaveta,
supostamente longe da curiosidade da minha mãe que, vim a saber mais tarde, as
leu. Um dia, numa dessas cartas, a Raquel escreveu «No intervalo quero um
beijo» e eu, todo atrapalhado, mas cheio de coragem, quis dar esse beijo. Mas
quis dar tantos que acabei por não dar nenhum.
Quando o ano lectivo terminou, fiquei a saber
que ia mudar de cidade. Ninguém me avisou com tempo, para que me pudesse
despedir. As minhas aventuras amorosas tinham terminado ali, deixando para trás
uma namorada sem lhe ter dito que para o próximo ano já lá não estaria.
sábado, fevereiro 22, 2014
Amizade
A amizade, aquela verdadeira e não a da simples palavra, despojada de verdade, sentimento e bravura, uma bravura capaz de romper preconceitos e chegar mais além... existe. É rara, é verdade! Mas existe... ainda existe. Cabe assim a cada um de nós olhar o nosso interior e deixar um "post" no nosso coração, na nossa alma e essencialmente na nossa verdade. Naquela que cada um de nós deve ter, mas que tantas dúvidas tantas e tantas e outras tantas pessoas devem ter, sentindo um vazio em si mesmas. A amizade é uma fortuna que cada um de nós deve procurar encontrar, explorando a sua alma, se é que isso existe. Deve procurar a sua sensibilidade, se é que a tem. Vasculhar o baú da esperança e perceber que valores tem guardados.
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