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sexta-feira, dezembro 09, 2016

# Numa caminhada de sonho


No galopar de dois pares de patas,
O silêncio invade-nos e logo,
Logo de seguida,
É violado por um chilrear de pássaros,
Por um cantar infinito,
Por um encanto que desconhecíamos podermos ter.

quarta-feira, novembro 04, 2015



Mesmo na difícil caminhada, os meus pés seguram-se ao chão, determinados no progresso da conquista, na conquista do progresso. - Miguel Branco






quinta-feira, outubro 22, 2015



Nascemos numa incerteza de caminho. Somos moldados a interesses sociais, culturais e religiosos, sem que nos seja questionado "O que queres?". O que queres ser, a quem queres pertencer, o que queres fazer, para onde queres ir ou onde queres ficar, estar , ser.

Crescemos a ouvir que está certo ou errado, que aquele é o caminho correcto ou que se esta a caminhar no sentido errado, que devemos falar e que devemos estar calados.

Ao longo do nossos caminho, esse caminho nómada, de permanente mudança, sem rumo certo, sem porto de abrigo estipulado, sem certezas e repleto de surpresas, tantas delas desagradáveis, mas outras tantas tão fantásticas, que as julgamos irreais. Percorremos veredas de emoções, arriscamos epopeias de sensações... e vivemos, tantas vezes sem viver...sobrevivendo.

Nascemos para um dia partirmos. Mas não sabemos quando. E fazemos planos, tantos planos a longo prazo, na certeza que alcançamos, na inquietude de não chegarmos, na angustia de nos perdermos ou não termos, somente, algo, alguém que seja, de quem nos orgulharmos e nós se orgulhar.

A fama á efémera e quem a procura para a vida não vencerá. Expõem-se ao ridículo, em busca dos "dois minutos de fama", para mais tarde lamentarem, numa queda de 65 andares, terem entrado na corda-bamba.

Caminhamos nómadas no meio do rebanho, nas ruas da incerteza, serpenteando os obstáculos, saltando no chão seguro, pelo menos pensamos nele assim, e olhando, visualizando, contemplando e constatando, todo o envolvente, toda a estrutura, todas as histórias, sem contudo, as entendermos ou querer entender.

Vamos caminhando, fazendo, produzindo, sonhando, para chegarmos ao nosso objectivo. E se o fizermos, mesmo se não chegarmos, alguém, sim, alguém, quem sabe, vai um dia dizer, «Ele(a) tentou. Sim, tentou.»

quarta-feira, outubro 14, 2015



Calcei as botas de sempre, agarrei o cajado que me apoia nas passagens difíceis e fiz-me ao caminho. Um caminho nem sempre fácil, nem sempre plano...mas o caminho que escolhi. Por vezes ando mais rápido, por vezes mais devagar e outras vezes até me parece que estou parado sem, no entanto estar. Mas uma certeza tenho, para trás não vou andar.

Os olhos mantenho no horizonte, numa luta desigual, num terreno abrasivo, numa intempérie de sentimentos e confusões que, por vezes, me ofuscam a visão, por vezes me cega, por vezes me tenta desorientar no caminho, mas nunca, jamais, me conseguirá fazer desistir da minha ambição. Que não é cega nem desmedida. Que não tropeça ou faz cair outrem. É apenas a minha ambição, aquela que me dá forças para me fazer chegar, alcançar, por mais difícil que seja a montanha que tenha que passar.

Subo montes, venço tempestades, enfrento mares bravios...muitos. Mas a minha força interior leva-me a erguer a cabeça e a olhar de frente, olhos-nos-olhos, o inimigo, aquele que me quer derrubar. E sei que um dia, sim, sei, vou vencer e alcançar.

quinta-feira, setembro 24, 2015

Vem irmão, no teu cajado




Vem, irmão no silêncio,
De uma vida de dor
Que te queimou a voz
Que te arrancou a alma
Te amarrou na solidão

Arrastas-te no caminho,
No amparo do cajado
De uns pés cansados
Pelo tempo, rasgado
O teu corpo dilacerado
Em busca do Martinho.

Vem, meu irmão,
Apoia-te em meus ombros
De dois, um seremos
No caminho firme e duro
Um caminho faremos dourado
Do andar de pés tiranos
A força do Louvado.

E quando um dia chegarmos
A porta que nos aguarda
Estará aberta Além
Para finalmente, tranquilos
Descansarmos.

Miguel Branco em "Aurélio, o sem-abrigo" 

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Em busca do Oásis perdido



Muitas são as vezes em que cada um  de nós, eu, tu, ele... e todas as pessoas, sejam num pequeno grupo ou num grupo enorme cujo tamanho pode sempre ser avaliado pela sua grandiosidade social, emocional,qualificativamente ou em quantidade. Todos....ou quase todos, já percorremos ou percorremos ocasionalmente, se bem que essa ocasião por vezes é tão rotineira que chega a ser confundida com a permanência... o deserto.

São dunas, ainda que por vezes e tantas vezes ou maior parte das vezes distintas das secas dunas que vestem os deserto que nos habituamos a ver nos livros da escola, nos programas televisivos do National Geographic ou simplesmente na boca que quem lamenta a falta de sorte. São momentos que parecem não acabar mais, sem um fim anunciado, declarado ou prescrito. São dunas que beijam o céu e nos dificultam a progressão que tanto desejamos. São dunas de areia movediça que requerem de nós habilidades que julgamos não ter ou alcançar.

Mas um dia e que dia, esse dia que não vislumbramos...chegará. Chegará e nos premiará a nossa luta com uma conquista de termos chegado, alcançado, superado aquelas malditas dunas, de termos conseguido ver antes da cegueira da cegueira duna que nos tentou cegar. Esse dia, nem que seja na morte, nos permitirá chegar com orgulho, personalidade, postura e brio ao tão desejoso e almejado Oásis.


Foto: Nepenthes