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quinta-feira, julho 09, 2020

A escrita vazia



Hoje a minha escrita faz-me lembrar aquele copo vazio que teima em manter-se ali, expectante, junto da garrafa, a aguardar que algo lhe chegue do interior da sua companheira.

Hoje a minha escrita faz-me lembrar aquele pescador que, no final de um dia a mergulhar o anzol no meio de um cardume, acaba por regressar a casa apenas com um exemplar, o mais pequeno de todos os que por ali passam e que, por incauto, ou apenas pouca destreza, ficou prezo pela cauda no artefacto.

segunda-feira, janeiro 22, 2018

# Nem eu...



Desembrenho a caneta, num movimento de volta e meia, e mergulho-lhe a ponta no tinteiro de tinta permanente. Acciono o embolo e encho o compartimento de liquido negro. Do monte de folhas de papel branco, cândidas, que se acumula, simétrico, diante de mim, extraio uma unidade.

Olho-a.

sábado, novembro 12, 2016

# O que escrevemos

Para quem escreve um Blog, por exemplo, há sempre a necessidade de o manter actualizado, no sentido de que, quem o visite habitualmente, não deixe de o visitar apenas porque não há uma nova actualização.

domingo, agosto 07, 2016

Uma escrita parva



Escreve-se de tudo e de nada, por tudo e por nada. Escreve-se por que se escreve ou por que se tem a necessidade de escrever, seja o que for, sobre o que for ou com a opinião que for. E quem escreve por vezes nem sabe sobre o que escreve, mas escreve, tem a necessidade social de o fazer para não ser ultrapassado, esquecido ou ultrajado.

Hoje escrevo por que sim ou por que não; no sentido de poder nem saber sobre o que quero escrever. Apenas escrevo para gastar espaço ou simplesmente o ocupar com algo. Escrevo por que gosto, não por que tenho necessidade. Poderia estar no sofá a jiboiar...

Há quem escreva por que a professora lhe disse que até escrevia umas merdas fixes; e escreve! Escreve qualquer coisa.

Mas depois há quem leia; leia por que lê, não por vontade própria, das tantas merdas que se escrevem, mas por que tem a necessidade de saber o que foi escrito, não numa postura de enriquecimento cultural, por que se escreve tanta porcaria, verdadeiras diarreias cerebrais, mas por que não quer ficar a olhar, numa conversa de café, de trabalho (pausa) ou numa outra situação qualquer e ficar a olhar outros que debatem um texto sem núcleo, mas sim apenas um aglomerado de letras e palavras, com virgulas e pontos, a quem alguém chamou de crónica de um artista qualquer de contexto cor-de-rosa.

E lê, porque quer também dizer - Eu também li esse texto. É tão fixe, não é? - não, claro que não é!