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sábado, abril 04, 2020

Ensaio sobre o amor - 13 - Margarida


MARGARIDA

                                                                                              Quarta-feira, 21:37 horas


Querido Diário;
            Hoje estou muito triste. Faz um mês que morreu o pai do Armando. Os meus pais insistem em que não nos devemos dar com ele. Isso deixa-me triste, por que gosto muito de estar na sua companhia. É meigo na fala, na pouca que faz. Ele tem falado muito pouco e quando o faz, fá-lo apenas comigo e com a professora Matilde.
            Querido Diário, não quero imaginar o que é perder os pais. Deve ser horrível. E é por ser horrível, que não entendo porque é que nos querem obrigar a não estar com ele.
            Não vou obedecer ao pai. Vou continuar a encontrar-me com o meu amigo Armando, às escondidas. Combinámos fazê-lo em casa da professora Matilde.

sexta-feira, abril 03, 2020

Ensaio sobre o amor - 12 - Armando


ARMANDO
           
                                                                                                                         Final da tarde

            Hoje estou muito contente. Gostava que o dia de escola não tivesse terminado. A Margarida esteve quase sempre comigo. Conversamos sobre tantas coisas. Ela está mais tempo comigo do que os outros colegas, mas não me importo. Gosto da sua companhia.
A Margarida contou-me das suas férias em Lisboa, na casa da avó, que tinha visitado o Castelo de S. Jorge; quem me dera poder visitar o Castelo de S. Jorge. Na verdade não sei o que é um castelo, mas se a Margarida diz que é bonito, é porque é. Falou-me também dos passeios no rio Tejo, num barco que se chama Cacilheiro; eu só uma vez é que andei de barco e foi no rio Almonda, quando o senhor Afonso me levou a passear. Disse-me que um dia me levava a pescar; prometeu-me.

domingo, janeiro 03, 2016



Escrever é uma paixão que vai crescendo dia após dia, sem a pressão de ter de o fazer, seguir coordenadas ou temas. Não! Escrevo pelo prazer que me dá descarregar sobre o papel, primeiro, contrariamente ao que muitos outros escritores fazem, para depois passar para o computador.

Mas hoje dei comigo a pensar, sobre de que vale escrever, apenas por escrever, se esse prazer não puder ir de encontro à ajuda social que tantos necessitam? Não faz sentido, ou se calhar faz e eu é que não estou a ver a coisa como deve de ser.

Pois bem, decidi que quero que a minha escrita, seja ela boa ou má, com qualidade ou sem ela, com muitos ou poucos leitores, que vou doar parte dos meus direitos de autor a uma causa social. Ou seja, assim que comece a receber os meus direitos de autor, seja quanto for, não interessa, sobre as vendas efectuadas, 10% desse valor será entregue à instituição de apoio social CASA.

Porque de nada vale olhar ao meu redor e ver que há quem necessite e não tenha, todos devemos ajudar, mesmo com pouco que seja. Não o faço em busca de qualquer protagonismo. Não! Faço-o no sentido de ajuda, pois não sabemos o dia de amanhã.

sábado, dezembro 26, 2015



A convite do meu amigo Emídio fui até ao Natal que a Casa ofereceu, uma vez mais, aos seus utentes, pessoas carenciadas, sem rosto, com história, umas melhores que outras, umas menos agradáveis que outras, umas diferentes de outras.

São histórias de vida, histórias que marcam, cada uma, a sua viagem, o seu trajecto, diferentes trajectos que hoje se encontram num entroncamento de pobreza, necessidade, solidão, por vezes e alguma angústia, certamente. Mas encontram-se numa "biblioteca" que acolhe as suas páginas, numa ajuda de vida melhor, que escrita enriquecida e de leitura capaz.

Fui convidado a participar, sob o pretexto de ler uma história aquelas estórias. E contei...penso eu!
Contei a história de uma vida que não conheço o ponto inicial, mas consegui imaginar parte dela e encontrei o ponto actual. Contei uma história que creio ser a de cada uma daquelas pessoas, que diante de mim me escutaram. Contei aquela que espero ser a história deles, ainda que me tenha apercebido das suas dificuldades.

Sabendo da dificuldade em que a Casa tem em conseguir, por vezes, alimentação para chegar a tanta gente, seria fantástico que as grandes superfícies comerciais da cidade pudessem auxiliar, assim como os cidadãos. Seria fantástico que se desenvolvessem esforços para se conseguir uma infraestructura  móvel ou mesmo fixa, capaz de proporcionar um banho quente, diário, aos sem-abrigo e aos carenciados.

Da minha parte uma certeza tenho. Vou desenvolver esforços para conseguir mais e melhor apoio à organização que não tem fins lucrativos. E apelo a todos quantos lerem este texto que o façam também, sem interesses, preconceitos ou vergonha.






Fotos: Carlos Miguel e Casa