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sábado, março 11, 2017

# Este tecto não é meu - A relação com o pai


- Qual é a tua relação com o teu pai?
- A minha relação com o meu pai? Não se pode dizer que tenha havido uma relação entre nós os dois. Tipo… pai e filho, estás a ver! Foi apenas aquela cena do sangue e do nome. Penso, muitas vezes, agora à distância, que ele me fez, apenas, para mostrar à sociedade merdosa onde sempre se movimentou e que acabou por o desprezar, que era capaz de fazer um filho. – olhou o infinito, primeiro, depois olhou Cristóvão – Esqueceu-se foi que também deveria saber educa-lo. E acredita, meu amigo, educar um filho não é carregar-lhe os bolsos de dinheiro, colocar-lhe uma farpela de marca sobre o lombo, todo lindinho e já está. E o afecto? E o carinho? E a atribuição da responsabilidade? Onde ficou aquele abraço e beijo ao deitar?

terça-feira, outubro 13, 2015


" Mais tarde, alguns meses depois, acontecera estranho. Como não era normal acontecer, Armando não reagia ao movimento das mãos e parecia sentir-se perdido. Reagia apenas à voz, levantando ligeiramente a cabeça, tentando perceber de onde viria. Algo se passava. Emília percebeu que Armando poderia sofrer de problemas de visão. O tempo confirmara-o. Armando nascera cego. O doutor Antunes, o médico de Santarém que visitava Azinhaga sempre que era chamado, confirmara-o, «O menino tem uma obstrução nos olhos. Não consegue ver». 

...


- e as cores da escuridão do meu pai, do Armando Pereira, não foram o doirado dos campos, o amarelo do sol, o verde das árvores ou o azul do céu. – ia dizendo – As cores da escuridão do meu pai, sempre foram a amizade, o carinho, o afecto, a entreajuda, o amor que partilhou com a minha avó mas que ninguém quis ver. As cores da escuridão dele são a minha existência, o meu amor por alguém que não me deixaram conhecer."

         in "As cores da escuridão" - de Miguel Branco