Aqueles foram os dez metros de filme mais
longos que alguma vez vira. Armando Cebola, assim lhe chamavam, era Armando de
nome próprio e Cebola de alcunha que já vinha desde o tempo do seu tetravô paterno
e que não morreu no passar das gerações nem na natural, mas acentuada, evolução
do tempo e do espaço que atingiu a família na imensa epopeia que fizera seu avô,
e depois seu pai nas terras do Ribatejo, na viagem dilacerante de sentimentos à
longínqua França ou dos anos que o calendário não determinou e que o relógio
não contou quando, seu pai, viveu ermidas na Serra da Estrela, fundido num
emaranhado de floresta silenciosa, onde os pássaros calados eram cúmplices do
seu desassossego emocional.
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segunda-feira, janeiro 29, 2018
#As cores da escuridão - Capitulo I
terça-feira, outubro 13, 2015
" Mais tarde, alguns meses depois, acontecera estranho. Como não era normal acontecer, Armando não reagia ao movimento das mãos e parecia sentir-se perdido. Reagia apenas à voz, levantando ligeiramente a cabeça, tentando perceber de onde viria. Algo se passava. Emília percebeu que Armando poderia sofrer de problemas de visão. O tempo confirmara-o. Armando nascera cego. O doutor Antunes, o médico de Santarém que visitava Azinhaga sempre que era chamado, confirmara-o, «O menino tem uma obstrução nos olhos. Não consegue ver».
...
-
e as cores da escuridão do meu pai, do Armando Pereira, não foram o doirado dos
campos, o amarelo do sol, o verde das árvores ou o azul do céu. – ia dizendo –
As cores da escuridão do meu pai, sempre foram a amizade, o carinho, o afecto,
a entreajuda, o amor que partilhou com a minha avó mas que ninguém quis ver. As
cores da escuridão dele são a minha existência, o meu amor por alguém que não
me deixaram conhecer."
in "As cores da escuridão" - de Miguel Branco
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