Aqueles foram os dez metros de filme mais
longos que alguma vez vira. Armando Cebola, assim lhe chamavam, era Armando de
nome próprio e Cebola de alcunha que já vinha desde o tempo do seu tetravô paterno
e que não morreu no passar das gerações nem na natural, mas acentuada, evolução
do tempo e do espaço que atingiu a família na imensa epopeia que fizera seu avô,
e depois seu pai nas terras do Ribatejo, na viagem dilacerante de sentimentos à
longínqua França ou dos anos que o calendário não determinou e que o relógio
não contou quando, seu pai, viveu ermidas na Serra da Estrela, fundido num
emaranhado de floresta silenciosa, onde os pássaros calados eram cúmplices do
seu desassossego emocional.
