O NASCIMENTO DE ARMANDO
Estava um dia solarengo e Manuela sentiu
que chegara a hora de parir. Chamou António, que andava a tratar das alfaces na
horta e pediu-lhe que chamasse a enfermeira Emília, pois a cria estava a
nascer.
António correu até à casa da enfermeira
que, em Azinhaga, também era parteira. Numa passada aligeirada e quase de
reboque lá chegou Emília a casa da família Pereira.
Manuela tinha preparado, já há algum
tempo, umas toalhas que não permitia que António utilizasse. «São para quando a cria nascer», dizia,
assim como umas roupas que a dona Joaquina lhe houvera oferecido. Quando
chegaram a casa, Manuela estava deitada e transpirava abundantemente. As dores
abdominais eram muitas e mantinham uma frequência ritmada. A respiração era a
de um canino cansado após uma correria. António chegou-lhe mesmo a perguntar se
ela queria um púcaro de água. Talvez estivesse com sede, pensou.

