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sexta-feira, abril 27, 2018

#A Caneta - (conto)


Quando o telefone tocou na Central, o agente Simões, Sargento de patente, homem com mais de vinte anos de serviço à Guarda, não fazia ideia do que aquele dia lhe reservava.
- Posto da Guarda, bom dia! – começou por dizer, num atendimento rotineiro, o agente Simões.
- Bom dia, Sargento! – cumprimentou a voz do outro lado da linha – Quem lhe está a ligar é o barbeiro Américo. – informou – Quero denunciar um homicídio. – avançou – Matei um cliente. Fez uma pausa – Estou na barbearia à vossa espera.

domingo, outubro 30, 2016

# London, 8:39


Every day is one day. Think of specific objectives, with scheduling activities, is pure speculation that, in general, for statistics events, it may unfold; essentially covered by inconsistent terms to match, they change all planned and intentions of action projects. The accessory ceases to have any relevance in the concrete; the time comes to an end. The timer stops, the dry hourglass and the cuckoo loses the corner.

domingo, agosto 28, 2016

Conduzir sobre o efeito de drogas



Drogas e álcool é um tema que muito se tem debatido no meio público de divulgação, sensibilização e prevenção rodoviária. No entanto, ainda assim, muitos têm sido os condutores detectados a conduzir sobre o efeito destas substâncias.

E se assim é, pergunta-se, em surdina, o que falta fazer para que os condutores percebam a verdadeira razão para deixarem de consumir drogas e álcool, enquanto condutores.

sexta-feira, junho 17, 2016

No prado verde contigo (III)




- Sim , acho! Depois disso, procurei encontrar um sitio onde pudesse estar sempre que me sentisse chateado; e foi este o que encontrei. Sabes, gosto de aqui estar a contemplar o céu. Gosto de fechar os olhos e ficar a escutar o nada.

(silêncio)

- Gostas de ler?
- Gosto.
- Eu também gostava de gostar de ler.
- E não gostas?
- Na verdade não é que não goste, mas acho que nunca me ensinaram a gostar de ler.
- Posso ensinar-te, se quiseres.
- A sério? E como é que se faz isso?
- É fácil. Gostas de filmes?
- Sim.
- Então isso é meio caminho andado.
- Mas gostar de ler livros não tem nada a ver com gostar de ler.
- Não? Então porquê?
- Olha que pergunta!  Nos filmes tens as cenas, as músicas, os sons, a envolvência, a emoção, os grandes planos, as expressões das personagens...
- Hum! Hum!
- ... num livro, tens um conjunto de letras, sei lá!
- Pois, é verdade! -  rodou a cabeça, olhando para Rodrigo. Este mantinha-se com os olhos fixos no céu. - Eu também gosto de ver filmes, mas se posso criar, dentro da minha cabeça, na minha imaginação, as cenas, o espaço da acção, a fisionomia das personagens; posso imaginar as vozes, as músicas que completam as cenas... aliás, melhor ainda, posso ver-me na pele das personagens, sentir o que eles sentem, ver o que eles veem, partilhar as suas emoções, sejam elas de alegria ou tristeza, mas também posso colocar-me como mero observador.
- E consegues isso tudo quando lês um livro?
- Sim, tudo! Mas claro, nem todos os livros me proporcionaram isso.
- Não!?
- Não. Primeiro temos de encontrar o tipo ou os tipos de literatura com que nos identificamos. Por exemplo, eu não gosto de romances literários, nem os chamados "fantástico" ou os romances amorosos. Gosto de aventura, policiais, crime, suspense.
- Então e eu?
- Não sei! Que tipo de filmes gostas?
- Gosto de filmes de aventura.
- Optimo! Vou arranjar-te um de aventuras.

(silêncio)

- Sabes... - disse Raquel - ...também gosto de estar aqui.
- É bom, não é?
- Sim, é muito fixe. - silêncio - E vens cá há muito tempo?
- Se calhar há mais de um ano.
Estendendo o seu braço direito, deu a mão a Rodrigo, enquanto se mantinham deitados na relva a contemplar o céu.

sábado, outubro 24, 2015











"
“Como estás?” – questionou Chico, dando um abraço a Oswaldo.
“Nada bem, na verdade” – respondeu Oswaldo,
correspondendo ao cumprimento, acompanhando o abraço. –“Sabe quem sou?”
“Jamais me esquecerei de quem me salvou a vida, mesmo estando a deter‑me.”
“Posso sentar‑me?”
“Claro que sim, senta‑te. Que bebes?”
“Água, por favor.”
“Manel, traz uma água fresca aqui para o meu amigo” – ordenou o traficante a um dos seus homens, continuando: – “Mas o que é que te traz até mim?”
“Necessito da sua ajuda” – disse.
“Engraçado, um polícia a pedir ajuda a um condenado.” – Fez uma pausa. – “E em que é que te posso ajudar?” "   Miguel Branco in "Camaleão"