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sábado, março 21, 2020

Um livro para vocês

Meus amigos,

Tenho escritos alguns textos - livros - os quais já foram apresentados a algumas editoras. No entanto, sem vergonha ou complexo o digo, não foram aceites a publicação. E quando digo editoras, refiro-me a empresas que se dedicam à edição de livros, assumindo o risco, não aquelas que se intitulam de editoras, mas que exigem aos autores que invistam rios de dinheiro, sob o pretexto de que têm de investir para mais tarde usufruir.

domingo, fevereiro 11, 2018

#Não leiam este texto

  

Este é aquele tipo de textos que não interessa a ninguém, que ninguém vai querer ler; é o chamado texto para encher chouriços. Portanto, não leiam este texto, não percam o vosso tempo.

sexta-feira, junho 17, 2016

No prado verde contigo (III)




- Sim , acho! Depois disso, procurei encontrar um sitio onde pudesse estar sempre que me sentisse chateado; e foi este o que encontrei. Sabes, gosto de aqui estar a contemplar o céu. Gosto de fechar os olhos e ficar a escutar o nada.

(silêncio)

- Gostas de ler?
- Gosto.
- Eu também gostava de gostar de ler.
- E não gostas?
- Na verdade não é que não goste, mas acho que nunca me ensinaram a gostar de ler.
- Posso ensinar-te, se quiseres.
- A sério? E como é que se faz isso?
- É fácil. Gostas de filmes?
- Sim.
- Então isso é meio caminho andado.
- Mas gostar de ler livros não tem nada a ver com gostar de ler.
- Não? Então porquê?
- Olha que pergunta!  Nos filmes tens as cenas, as músicas, os sons, a envolvência, a emoção, os grandes planos, as expressões das personagens...
- Hum! Hum!
- ... num livro, tens um conjunto de letras, sei lá!
- Pois, é verdade! -  rodou a cabeça, olhando para Rodrigo. Este mantinha-se com os olhos fixos no céu. - Eu também gosto de ver filmes, mas se posso criar, dentro da minha cabeça, na minha imaginação, as cenas, o espaço da acção, a fisionomia das personagens; posso imaginar as vozes, as músicas que completam as cenas... aliás, melhor ainda, posso ver-me na pele das personagens, sentir o que eles sentem, ver o que eles veem, partilhar as suas emoções, sejam elas de alegria ou tristeza, mas também posso colocar-me como mero observador.
- E consegues isso tudo quando lês um livro?
- Sim, tudo! Mas claro, nem todos os livros me proporcionaram isso.
- Não!?
- Não. Primeiro temos de encontrar o tipo ou os tipos de literatura com que nos identificamos. Por exemplo, eu não gosto de romances literários, nem os chamados "fantástico" ou os romances amorosos. Gosto de aventura, policiais, crime, suspense.
- Então e eu?
- Não sei! Que tipo de filmes gostas?
- Gosto de filmes de aventura.
- Optimo! Vou arranjar-te um de aventuras.

(silêncio)

- Sabes... - disse Raquel - ...também gosto de estar aqui.
- É bom, não é?
- Sim, é muito fixe. - silêncio - E vens cá há muito tempo?
- Se calhar há mais de um ano.
Estendendo o seu braço direito, deu a mão a Rodrigo, enquanto se mantinham deitados na relva a contemplar o céu.

quinta-feira, janeiro 28, 2016

Entre um carril e outro

A ida de ou o regresso a casa é efectuado de comboio. Poderia fazê-lo de carro, é verdade, mas o facto de o fazer de comboio permite-me, não apenas apreciar toda uma panóplia de pessoas, todas tão diferentes, com imensas histórias diárias, provenientes das mesmas mentes, como também ler; ler com gosto e prazer nos balanços e balanceio descompassado num compasso previsível do comboio, enquanto galga milhas, efectua paragens e retoma o andamento.

Gosto, então, de ler. Mas também gosto de viajar de comboio. Os sub-urbanos são os meus prediletos. Param em todas as estações e apeadeiros, são utilizados por todas as classes sociais, ou quase todas, demoram mais tempo a percorrer a distância e é ali que se encontram as mais fantásticas e hilariantes aventuras.

Num destes dias, no comboio das 7:26 horas, num dos bancos de seis lugares, três virados para outros três, viajavam seis pessoas, um homem e cinco espécimes que, em principio, não são possuidores de miudezas no baixo-ventre.

A conversa ia fluindo entre ele e uma ela, enquanto que os restantes elementos, ou simplesmente iam escutando as mais diversas teorias e conhecimentos exímios do macho do grupo, ou se limitavam, uma delas, a dedilhar duas agulhas envoltas em linha de lã.

Cada vez que a mulher que dialogava dizia algo, fosse o que fosse, sobre o tema que fosse, ele por cima, fantástico conhecedor da matéria, esgrimindo elevado conhecimento técnico apenas ao alcance de tão extraordinária sabedoria, sempre com um inicio de intervenção, bastante eloquente da ignorância da sua parceira de diálogo, com um «você não sabe, mas...», capaz de prender qualquer ouvido às suas explicações.

- Você não sabe, mas houve uma sonda espacial que caiu a 100 quilometros de profundidade e só com um submarino telecomandado a conseguiram ir buscar. - ou - Você não sabe, mas há um comboio que anda a 300 km/ h.

Mas foi naquele regresso a casa, após mais uma jornada de trabalho, sentado naquele banco junto à entrada, no que tem dois lugares virados entre eles, estando eu e a minha mochila, ali ao meu lado, quando lia um trilho do texto e estava completamente dentro da história, que tive a sensação de estar a ser observado. 

Não posso precisar em que paragem foi que um casal octogenário entrou na mesma carruagem onde eu estava e se foram sentar no conjunto de bancos, quatro lugares, que se situava no lado contrário ao meu, na coxia. Chamou-me à atenção este casal, pela forma peculiar como ele se vestia; envergava uma farda de GNR, já bastante surrada, à cintura umas algemas, que não serviam certamente para fazer brincadeiras com a senhora acompanhante, e na cabeça uma boina dos comandos, seu grande orgulho, certamente.

Pensei por fracções de segundo, retomando a minha leitura, que o senhor viesse de alguma manifestação de ex-combatentes reformados. Mas não me recordei de ter escutado alguma coisa sobre o assunto.

O senhor sofria de problemas auditivos. Era perceptível, como vim a confirmar mais tarde. Falava muito alto, muito alto mesmo.

Estava então eu a ler o meu livro, curiosamente uma história onde a trama se passa, parte dela, no comboio; «A rapariga no comboio», quando me senti observado. Retirei a minha atenção da leitura e, levantando ligeiramente a cabeça, rodei-a para a direita; a pouco mais de quinze centímetros de mim, lá estava ele, o GNR octogenário com um odor a álcool, a observar-me.

- Você gosta de ler! - constactou num tom de voz elevado e com um bafo que quase me deixou em coma alcoólico.  

Olhei a carruagem de soslaio. Fez-se silencio e todos os olhares desaguaram ali, no espaço que eu ocupava e que aquele homem invadira.

- Você gosta de ler! - repetiu, ao que anuí, pensando que a minha confirmação o fizesse regressar ao seu lugar na carruagem. Mas não! Continuou - Eu sou poeta! Em França escrevi poemas e romances.

Fiz uma cara de «muito bem, parabéns.». Ele não desistiu;

- Então o que está a ler? - questionou-me, ao que lhe mostrei a capa do livro. Soletrou-o e disse-me - Muito bom!

Fiquei na expectativa de que tivesse saldado a sua curiosidade e regressasse ao seu lugar. Os olhares da carruagem não desviavam do meu espaço e eu tentava ser cordial com o senhor, sem no entanto lhe dar espaço a mais conversa. 

Foi então que aconteceu. Ele ainda não saciara a sua fome de cusquice e avançou com a frase;

- Você vive onde?

Fiquei a olhá-lo, nem sei se espantado com a forma directa de cusquice, se pela pergunta em si. Como não respondi de imediato, voltou a colocá-la;

- Você vive onde?
- Tem alguma coisa a ver com isso? - respondi-lhe em tom de pergunta, ao que ele disse;
- Hã?! Sesimbra? - Não respondi, insistiu. - Hã? Onde é que mora?
- Você não tem nada a ver com isso. - disse-lhe
- H~? Coimbra?

Toda a carruagem nos olhava. Ao aperceber-me que estava a chegar ao meu destino de chagada, levantei-me e disse;

- Desculpe, tenho de sair aqui.

Naquele momento os olhares desprenderam-se de nós e fiquei com a sensação que toda aquela gente estava há uma infinidade de tempo com a respiração presa e que naquele momento a tinham retomado.

- António, anda para aqui. - disse-lhe a senhora que o acompanhava, enquanto lhe puxava pela manga do casaco.

O comboio parou, as portas abriram-se e saí. Terminava ali mais um dia de histórias e estórias.   

quarta-feira, novembro 11, 2015


O que têm as estações de caminhos-de-ferro e os comboios haver com leitura, gosto pela leitura, tempo de leitura e a própria leitura? Digo eu, no meu devaneio, que tem tudo haver! Ou seja, cada vez que questiono alguém, ou semi-alguém, se gosta de ler, a resposta é, variavelmente, que sim, mas que não há tempo.

Pois bem, descobri onde se pode ler, sem pensar no tempo ou até mesmo o avaliar, uma vez que ele, o tempo, de certa forma, pára. Quem se desloca de comboio para o trabalho ou escola, tem a sorte de utilizar um meio de transporte, o único, talvez, que permite uma enorme liberdade de movimentos, tempo de deslocação sem necessária atenção ao caminho, avisador de chegada, entre outras situações.

Quem se desloca de comboio, dispõe desse tempo que diz não ter, de uma bolha de isolamento que nos permite viajar par além daqueles carris, daquelas carruagens, daquelas janelas. E quem aproveita aquele tempo para ler, está a valorizar a sua riqueza intelectual, emocional e de capacidade de sonhar, viajar, imaginar.

Ler é crescer. Crescer no sentimento, na emoção, na capacidade de oralizar e essencialmente na competência de saber ouvir.