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quarta-feira, novembro 09, 2016
# Entre rugas e cicatrizes
Dezanove anos não é uma vida, mas é parte dela, um trecho de caminho, uma página de estória, um rol de pequenas conquistas que se mostraram grandes progressos, frustrações - porque também as há - que nos fizeram reflectir e, apesar de tantas vezes se tornarem numa barreira que dificulta a sua transposição; mas que em conjunto, todas as que surgem, vão sendo vencidas, com maior ou menor dificuldade, como a Era que procura um caminho alternativo para seguir o seu progresso.
sábado, setembro 03, 2016
Soldado
Partiste
num adeus confuso
Naquela
manhã ao acordar
e contigo
levaste prosas e certezas
Sonhos,
magoas e no luar
Juramos
amor eterno, ao sol
Paixão
futura, tu areia e eu o mar.
E no
livro que escrevemos
Na capa
que desenhaste
O fim não
soube anunciar
O fim não
soube contar
O fim não
se pode ler e amar.
Largaste
a caneta antes do raiar
Onde as
palavras foram de sabão
Que se
desfizeram nas lágrimas secas,
Nas
lágrimas sentidas de um soldado, ladrão.
A luta
terminou num incentivo, ataque
Na
epopeia vindoura de sentimentos
Na busca
de um Porto Sentido.
No
caminho de ondas velejo agora só, perdido
Perdido
ao vento, agasalhado nas rajadas
Entorpecido
nas marés, grandes vagas.
Abri os
braços e elevei-me aos céus,
Fechei os
olhos e vi galáxias,
Cosmos de
sensações novas à deriva.
Perguntaste-me,
um dia, amiudes
Se sabia
controlar meus sentimentos
E
eu, eu respondi-te sem medo
Na razão
e na certeza
Que sei
amar os momentos.
E num voo
picado te entregas
E num
mergulho de vertigem me entrego
E tu em
mim te pegas
E eu em
ti me pego.
Naquele
adeus estranho e confuso
Naquele
momento de olhar embargo
Deixo-me
dormir, acordado.
sábado, junho 11, 2016
No prado verde contigo (II)
- Meninos... - começou por dizer com uma cara de gozo - ...o pensador. - disse enquanto me direccionava os seus dois indicadores - O pensador que com os seus pensamentos vai salvar o mundo das suas maleitas, os pretitos lá de África de morrerem à fome, os pobres que mendigam nas ruas, mal trapilhos, de se arrastarem ou até mesmo os glaciares do Ártico de derreterem. - olhou os meus colegas, que se riam, e voltou a colar aquele maléfico olhar na minha pessoa. Disse-me - Diga lá, pensador, em que tanto pensava? - e eu calei-me e olhei para o chão. Depois, pensei - Eu não estava a fazer mal algum. Só estava distraído da aula a pensar noutras coisas. - e foi aí que levantei os olhos do pavimento em madeira gasta e a olhei nos olhos. Sabes que eles não gostam que os olhemos nos olhos?
- Não sabia!
- Pois! Olhei-a nos olhos, primeiro, e depois para os meus colegas. Ela nesse momento dizia qualquer coisa que, se queres que te diga, nem tomei atenção do que era. Eles, riam-se todos, feitos parvos, a gozarem comigo. Todos não; a Joana, a Raquel e o Artur não se riam; estavam sérios; não achavam piada ao que se estava a passar. Olhei novamente para a professora, que continuava a mexer a boca, certamente a falar qualquer coisa que não interessava ao meu cérebro, pois mantinha-se fechado às suas palavras, e disse-lhe num tom tranquilo e sereno - Os alunos têm uma vida para além da vida da escola e têm sentimentos para além da relação de aluno. e disse-lhe e calei-me; e no meio da algazarra, uma muito pior do que o silêncio dos meus pensamentos que não estavam a incomodar a aula, ela não percebeu o que eu dissera.
- Então e depois? - indagou Maria.
- Depois disse-me assim - O que é que foi que disse?
- E tu?
- Eu respondi-lhe - Estava distraída ou a pensar na morte da bezerra?
- A sério? Ui! E ela? - o semblante era de espanto.
- Olha, ela apontou para o fundo da sala de aula e disse-me - Rua! O menino é muito mal-educado. Ponha-se na rua.
- Tu és mal-educado! Então ela é que estava a tentar envergonhar-te e humilhar-te.
- Pois! Mas é sempre assim, eles podem fazer o que quiserem, mas se nós dissermos alguma coisa, somos logo mal-educados.
-Foste para a rua. O que aconteceu depois?
- Olha... depois os meus pais foram chamados à escola, a professora pintou a manta da cor que lhe deu mais jeito, sabes como é, e depois quando cheguei a casa os meus pais vieram conversar comigo e saber a minha versão dos acontecimentos. Aceitaram-na, porque eu não lhes minto... sabes, a mentira tem perna curta e logo se descobre a verdade... dizia-te, aceitaram a minha explicação, mas logo me pediram que não entrasse em conflito com os professores.
- Está bem, não achas?
(continua)
segunda-feira, novembro 16, 2015
Viajar de comboio, cada dia é uma aventura. Diversas são as histórias que se cruzam, conversas distintas em cada assento. Bolhas isoladas sem paredes de retenção de som, fazem ecoar pela carruagem as mais distintas considerações.
Dois bancos mais adiante do meu, um grupo de três adolescentes conversavam, num destes dias, sobre as suas aventuras e desaventuras diversas, atritos e amizades, uma delas num permanente fungo nasal se retenção de um muco que não tinha.
Mais atrás, num tom de voz elevado, sem qualquer cuidado de resguardo de informação, permitindo que todos escutassem, uma senhora na casa dos quarenta, falava ao telefone sobre vida alheia e outras dores. Falava com alguém que se queixava doer-lhe algo, pois a determinado momento, bem audível, comentou:
"O que andou você a fazer esta noite para lhe cair o músculo? Devem ter ca sido umas lindas posições, devem."
Mais adiante, três pessoas, alternadas nos lugares, isolam-se do meio e devoram páginas de livros, consumindo as letras, as palavras e as frases.
Olhando com os meus ouvidos toda aquela parafernália, volto a mergulhar nas páginas do livro que estou a ler e torno-me ausente, camaleónico, invisível. Sigo a viagem numa leitura atenta, transferindo-me para o local da acção.
quarta-feira, novembro 11, 2015
O que têm as estações de caminhos-de-ferro e os comboios haver com leitura, gosto pela leitura, tempo de leitura e a própria leitura? Digo eu, no meu devaneio, que tem tudo haver! Ou seja, cada vez que questiono alguém, ou semi-alguém, se gosta de ler, a resposta é, variavelmente, que sim, mas que não há tempo.
Pois bem, descobri onde se pode ler, sem pensar no tempo ou até mesmo o avaliar, uma vez que ele, o tempo, de certa forma, pára. Quem se desloca de comboio para o trabalho ou escola, tem a sorte de utilizar um meio de transporte, o único, talvez, que permite uma enorme liberdade de movimentos, tempo de deslocação sem necessária atenção ao caminho, avisador de chegada, entre outras situações.
Quem se desloca de comboio, dispõe desse tempo que diz não ter, de uma bolha de isolamento que nos permite viajar par além daqueles carris, daquelas carruagens, daquelas janelas. E quem aproveita aquele tempo para ler, está a valorizar a sua riqueza intelectual, emocional e de capacidade de sonhar, viajar, imaginar.
Ler é crescer. Crescer no sentimento, na emoção, na capacidade de oralizar e essencialmente na competência de saber ouvir.
terça-feira, outubro 27, 2015
"Parva Sed Apta", é o que podemos dizer do romance policial que acabada de ser editado, por mim, Miguel Branco, com o Título Camaleão. "Parva Sed Apta" para mim, ou seja "Pequeno mas Adequado", uma história de ficção onde qualquer leitor se pode rever, claro, em comparação com alguma passagem da sua vida.
Para alguns, um bom livro é aquele que tem uma trama com mais de 400 páginas. Para mim, que escrevo uma história com pouco mais de duzentas, prefiro comer um pastel de nata pequeno, mas saboroso, a um daqueles enormes, mas que no fim me dão uma grandiosa azia, devido à falta de qualidade. São "Magna, Sed Inconueniens"
Ontem, nos raros momentos em que olhei para a televisão, com ela ligada, pude observar que foi encontrado um manuscrito da escritora Harper Lee, o segundo. Pelo que se pode verificar na reportagem da SIC, o livro não tem uma espessura desmesurada, mas segundo dizem os críticos, tem elevada qualidade.
O grande problema em Portugal, não é tanto a escrita em si, se bem que temos gente a escrever com muito pouca qualidade ou escrita atrativa, mas essencialmente por que as pessoas compram o que está na moda ou aquele escritor que tem uma máquina de marketing nas costas com elevados recursos financeiros para o colocar no mercado.
Outra forma de vender em Portugal, é conseguir vencer um prémio literário. Podemos ter uma centena de livro editados, eventualmente com vendas abaixo do espectável. Mas se vencermos um concurso literário, esses livros que até então pouco ou nenhum interesse tinham despertado nos leitores e críticos literários, passam a ser os melhores livros no mercado e sofrem um Boom de vendas.
Fazem lembrar aqueles jogadores de futebol que estão numa equipa de meio da tabela e nunca são chamados à seleção nacional, porque não têm qualidade. Se tiverem a sorte de assinar por um dos três clubes grandes, adquirem, quiçá, através de uma vacina a qualidade necessária, uma vez que passam de imediato a ser chamados ao serviço da seleção nacional de futebol.
Volto a dizer, o "Camaleão" de Miguel Branco é "Parva Sed Apta".
sábado, outubro 24, 2015
"
“Como estás?” – questionou Chico, dando um abraço a Oswaldo.
“Nada bem, na verdade” – respondeu Oswaldo,
correspondendo ao cumprimento, acompanhando o abraço. –“Sabe quem sou?”
“Jamais me esquecerei de quem me salvou a vida, mesmo estando a deter‑me.”
“Posso sentar‑me?”
“Claro que sim, senta‑te. Que bebes?”
“Água, por favor.”
“Manel, traz uma água fresca aqui para o meu amigo” – ordenou o traficante a um dos seus homens, continuando: – “Mas o que é que te traz até mim?”
“Necessito da sua ajuda” – disse.
“Engraçado, um polícia a pedir ajuda a um condenado.” – Fez uma pausa. – “E em que é que te posso ajudar?” " Miguel Branco in "Camaleão"
sábado, outubro 10, 2015
Hoje é o dia...aquele dia!
Hoje é o dia em que toda a diferença pode acontecer, ou não! O dia em que a reunião de amigos, de tantos amigos que se espera, possa fazer a diferença. Sim, porque são os amigos e as amizades que fazem a diferença, aquela diferença. A diferença entre ir ou ficar, saltar ou manter parado, abraçar ou ignorar, amparar ou deixar cair.
Hoje é o dia...aquele dia!
Hoje é o dia em que todos nós nos tornaremos camaleônicos de uma forma consciente. Sim, porque todos os dias e todos nós, somos uns camaleões da vida, dos espaços, dos momentos, das ocasiões, das circunstancias.
Hoje é o dia...aquele dia!
Hoje é o dia em que espero poder levantar ao ar, todas as mãos da minha amizade e com os meus amigos gritar vitória. Vitória sobre qualquer coisa que os faça felizes, sentirem-se agradáveis e agradados...sentirem que valeu a pena pelo que lutaram, pois alcançaram.
Hoje é o dia...o vosso dia!
domingo, fevereiro 09, 2014
Fonte de saber e sabedoria
Por vez, muitas são as vezes, em que temos vontade ou necessidade de comentar, opinar ou simplesmente falar, conversar sobre os mais diferentes temas. Temos todo o direito de dar a nossa opinião, seja ela qual for, no entanto sempre e sempre sem ofender, humilhar ou denegrir seja quem for.
Acontece que por vezes e muitas vezes são tantas as vezes em que existe alguém que não se faz entender e por vezes e tantas vezes, são utilizadas palavras e termos que não refletem aquilo que realmente queremos dizer ou pensamos e por isso, tantas e outras tantas vezes somos mal interpretados.
Tal acontece porque tantos e tantos são os que não leem e por isso não adquirem o dom da palavra que se vai refletir, também, na escrita. E o dom da palavra não é necessariamente falar "caro", mas sim falar ou escrever com as suas palavras, a sua forma de falar ou escrever, com ou sem erros, mas com conhecimento do modo de falar ou escrever. Dando a sua legitima opinião.
Foto: Blue Polver
sexta-feira, janeiro 31, 2014
Um romance para todos
Quem é que lê e não gostaria de escrever um romance? Quem não tem esse desejo infinito e escondido, muitas vezes não revelado, quanto mais não seja para seguir a máxima "Ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro"?
Bom, filhos já tenho e uma árvore já plantei. Mas um livro, esse conjunto de palavras ordenadas e bem compostas, capazes de fazer viajar quem o lê, transmitir sentimentos novos, interrogar certezas de quem as afinal não tem ou sonhar com os mais recônditos lugares por vezes inexistentes, esse ainda não o escrevi, ou julgo não ter escrito.
Darei inicio a um conjunto de palavras que julgo poder chamar texto, quiçá livro, em capítulos, neste meu espaço que de todos quero que o sintam. Não é comercial, é apenas ...algo pessoal que desejo ser global.
"Um Amanhecer Diferente" vai falar da história de um arquiteto, Artur, que se encontra envolvido num negócio de tráfico de diamante entre Angola e Portugal. Pelo meio da trama, irão surgir esquemas paralelos de intriga, tráfico de interesses, etc...
Este será um romance, se assim lhe poderei chamar sem ofender os verdadeiros romancistas, que me parece que jamais será editado em papel, a não ser que me saia o euromilhões; e há muitas formas de sair o euromilhões, certo??
domingo, janeiro 26, 2014
Aprendi a ler
É realmente fantástico aprender a ler. Não aprender no sentido de juntar as letras e constituir uma palavra seguida de outra, mas sim no sentido de desfolhar um livro e beber as palavras que naquelas páginas brotam como fonte de vida.
Durante algum tempo quis aprender a ler, no entanto algo me faltava que me prendesse às masmorras de uma capa, de um título, de uma história, de um sentimento, de uma sensação, de uma capacidade de ver pelos olhos do escritor.
Hoje sei ler. Leio o adocicado teor das palavras que meus olhos e minha mente consomem de um autor de onde debito das suas obras um sentimento que por vezes me deixa extasiado, outras vezes petrificado e por vezes ansioso pelo conhecimento do desfeito da acção.
Mergulho nas páginas e páginas de viagens, descrições, apresentações e confissões dos personagens, fantasio as histórias e observo os lugares sem, todavia, alguma vez lá ter estado. Muitas vezes procuro na internet os locais descritos para melhor conseguir viver o calor da emoção ou sentir o arrepio da preocupação.
Estou a adorar aprender a ler e a todos recomendo que aprendam a ler e assim consigam viver, viajar e aprender.
Durante algum tempo quis aprender a ler, no entanto algo me faltava que me prendesse às masmorras de uma capa, de um título, de uma história, de um sentimento, de uma sensação, de uma capacidade de ver pelos olhos do escritor.
Hoje sei ler. Leio o adocicado teor das palavras que meus olhos e minha mente consomem de um autor de onde debito das suas obras um sentimento que por vezes me deixa extasiado, outras vezes petrificado e por vezes ansioso pelo conhecimento do desfeito da acção.
Mergulho nas páginas e páginas de viagens, descrições, apresentações e confissões dos personagens, fantasio as histórias e observo os lugares sem, todavia, alguma vez lá ter estado. Muitas vezes procuro na internet os locais descritos para melhor conseguir viver o calor da emoção ou sentir o arrepio da preocupação.
Estou a adorar aprender a ler e a todos recomendo que aprendam a ler e assim consigam viver, viajar e aprender.
Se o quiseres ter
Um livro é uma fonte de saber e prazer onde sacio a minha sede de conhecimento e desfruto das mais encantadoras viagens, idealizando lugares à descrição do autor. Navego horas perdidas sem perder tempo ou o tempo, no desfolhar de páginas e páginas, sentindo o odor do tempo rasgado pelas memórias, consumindo cada palavra, expressão ou sentimento, vivendo emoções e sensações, encarnando o personagem, deixando que cada aroma da história e da estória me absorva a alma e me transporte no tempo.
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