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sábado, março 21, 2020

Um livro para vocês

Meus amigos,

Tenho escritos alguns textos - livros - os quais já foram apresentados a algumas editoras. No entanto, sem vergonha ou complexo o digo, não foram aceites a publicação. E quando digo editoras, refiro-me a empresas que se dedicam à edição de livros, assumindo o risco, não aquelas que se intitulam de editoras, mas que exigem aos autores que invistam rios de dinheiro, sob o pretexto de que têm de investir para mais tarde usufruir.

sexta-feira, dezembro 13, 2019

Momentos - Anúncio de jornal


“Homem rico procura mulher que não esteja interessada no seu dinheiro ou património, mas sim em todo o amor que ele tem para oferecer.” – assim anunciava o escrito no jornal, na secção de contactos.

sábado, novembro 26, 2016

# Do colapso americano ao holocausto mundial (2)

(continuação)
Cerca de 80% da capacidade militar e financeira da NATO tem o patrocínio dos Estados unidos da América. Segundo Trump, se os países integrados na Aliança do Atlântico do Norte e da Aliança do Pacifico quiserem que os "Estates" continuem a sua politica de apoio à protecção territorial, terão de pagar; se assim não for, vai avisando Donald que, os Estado Unidos da América, saem do terreno.

sábado, novembro 05, 2016

# Conspiração


"- Não te vou poder aprovar a proposta. – avançou o deputado Junqueira.
– Está muita coisa em jogo. – disse o ministro, olhando-o nos olhos.
- Estás a falar de quê? – fez uma pausa, bebericando um pouco mais do malte – Do acordo que o Joaquim tem com os alemães?

quinta-feira, setembro 15, 2016

Bancos de livros



Continuo a não perceber como é que há escolas que ainda não apostam nos Bancos de Livros, facilitando desta feita o orçamento das famílias e a proteção do meio ambiente. Os Bancos de Livros existem e devem ser promovidos pelas entidades de ensino.

quinta-feira, julho 21, 2016

Tirei a carta - que carro devo comprar?



Quem é aprovado no exame prático de condução automóvel quer um carro para se poder movimentar entre pontos sem que com isso tenha que recorrer a transportes públicos ou, então, quer um carro para andar a passear junto dos amigos, exibindo a sua conquista de ter conseguido tamanha proeza: tirar a carta de condução.

domingo, junho 26, 2016

RESPECT




Por mais que se defenda o contrário, principalmente a classe afectada, a verdade é que no meio escolar, por vezes, e quero apenas ali incluir os professores que, de alguma forma se sintam frustrados pelo cargo que desenvolvem, quem se encontra a leccionar perante uma ou mais turmas, tem saídas ou comportamentos reprováveis, perante algum(s) aluno(s), e nunca na linha de orientação que se exige a um profissional preparado, que se espera que seja, quem tem como função complementar o difícil processo de educação de uma criança ou jovem; complementar com conhecimentos úteis, que proporcionem a essa criança ou jovem enriquecer-se, aumentar a sua auto-estima e tornar-se um elemento activo da sociedade, mais enriquecido, mais social e disponível para colocar o seu altruísmo defronte de qualquer adversidade.

A moldagem de carácter de uma criança ou jovem, começa, sem qualquer ponta de dúvida, em casa; com os ensinamentos dos pais, mas principalmente com as suas demonstrações; diz-se que "os filhos são o espelho dos pais". Se até recentemente esta poderia ser uma afirmação válida e correcta, hoje ela é, apenas, parte do puzzle; uma grande batalha para alguns pais.

Qualquer pai ou mãe deseja que o(a) seu filho(a) tenha como princípios básicos de vida e educação, o respeito, a humildade, o altruísmo e o carácter. Estes valores conseguem-se através da transmissão dos mesmos, ou seja, estes valores de vida não são compráveis. Não é possível ir a uma loja e comprá-los. E como tal não é possível, ou são os pais a conseguir, de alguma forma, passar estas virtudes aos seus filhos, ou tais serão, dificilmente, desenvolvidas por eles.

Acontece que, com a evolução dos tempos; e nem sempre evolução é sinónimo de progresso, as crianças e jovens vão olhando cada vez mais para fora do circulo familiar e aí acabam por encontrar alguns ídolos, pelos quais ou nos quais, pela força do marketing associado, adoptam como referência e um exemplo a seguir. Se noutros tempos, naqueles já idos, a filha olhava para a mãe como uma referência de vida, ou o neto para o avô, hoje a realidade é bem distinta; tanto rapazes como raparigas procuram nos seus ídolos externos, um ponto de exemplo para a sua vida, utópica, podendo muitas vezes a sua personalidade e carácter serem moldados a esse mesmo ídolo; forma de vestir, falar e actuar.

Esse ídolo universal sabendo que o é de milhares de crianças e jovens, tem a obrigação moral, social e institucional de apresentar uma postura capaz de transmitir, a quem para ele olha, uma índole positiva e de referência, altruísta.

Há quem defenda que a figura pública que se expõe e quer expor, porque só dessa forma consegue a fama que a levará fazer com que os abutres capitalistas se aproximem e invistam em busca de lucro, proporcionando de alguma forma uma vida faustosa à tal figura pública, também é um ser humano, com direito aos seus erros, etc...; esta é uma verdade que não é tão verdadeira como pode inicialmente parecer.

O facto de serem seres humanos e sujeitos ao erro é uma realidade que não é tão verdadeira como pode inicialmente parecer.  O facto de serem seres humanos e vulneráveis ao erro, é uma realidade que deveriam controlar, uma vez que sabem, também, que esse erro vai influenciar os seus seguidores; não é pelo facto de ter muito dinheiro que o ídolo pode fazer o que quiser, com essa mesma justificação, de que "tem dinheiro para pagar o estrago".

 Ainda observando o momento menos feliz de CR7, ao retirar o microfone de um repórter da CMTV e atirando-o para dentro de um lago, não está em causa o valor monetário do aparelho; afinal, o Cristiano tem dinheiro para pagar uma centena deles. O que está em causa é a atitude, reprovável, o exemplo que transmite e as consequências sociais que poderão advir daquela imagem. Sim, porque o Cristiano pode retirar uma ferramenta de trabalho de um profissional, inutilizá-la, condicionando o trabalho que está a ser desenvolvido e ainda é protegido por agentes da autoridade; que exemplo positivo está o CR7 a transmitir para os milhares de seguidores, crianças e jovens? - Nenhum! - Mas pior ainda é o facto de pais, diante dos seus filhos, nas redes sociais, aprovarem aquele comportamento, reforçando-o positivamente, sob o pretexto de aquele canal de informação, supostamente, o que já foi negado, ter emitido uma reportagem sobre o pai do Cristiano, a qual ele não gostou.

Quando um destes dias, na escola, um daqueles professores que se encontram frustados com o sistema, tiver uma saída menos feliz e fizer um comentário sobre o pai ou a mãe de um aluno, este passa a ter o direito de pegar no material de trabalho desse professor, o computador portátil, por exemplo ou o I-phone, e lançá-lo janela fora, da sala de aula, sob o pretexto de aquele professor ter proferido algo que o aluno não gostou e o facto do seu pai ter dinheiro para pagar os estragos, se assim tiver de ser.

Este aluno jamais poderá ser castigado, uma vez que, tal como o seu ídolo, teve uma reacção aprovada pela sociedade e, certamente, os seus pais terão dinheiro para pagar o estrago. Afinal, o que teve como causa tal comportamento, foi o comentário menos feliz à pessoa do pai/ mãe do aluno. Com algum azar, o professor ainda vai ser alvo de um inquérito e processo disciplinar, apenas porque os pais têm algum poder na sociedade.

Serão estes os valores e princípios que queremos que rejam a educação dos nossos filhos? Pelo que posso constactar nas redes sociais, comentários de rua e afins, sim.

Pois eu não!

Nada tenho contra o Cristiano nem contra a CMTV, mas penso que a UEFA e a FPF, que tanto alegam e promovem o "RESPECT", neste caso específico, ficaram, também elas, mal na fotografia. Se aquele reportar ali está, é porque tem uma credencial da UEFA para tal e a autorização da FPF.

quarta-feira, dezembro 23, 2015

Este tecto não é meu



Ser um sem-abrigo não é uma forma de estar na vida e jamais deverá ser um hábito de vida. Ser um sem-abrigo é, para muitas pessoas, a batida no fundo de um poço seco sem rede de apoio ou arnês de suporte, é a descrença num futuro melhor, a humilhação social, o início da atroz epopeia sem meta anunciada ou face identificada.

               Pode, também, pensar-se que ser um sem-abrigo jamais será, para alguém, uma opção de vida. Pensarão assim, essencialmente, os que dão primário valor aos bens materiais, à ostentação social e ao status. Mas estão errados, esses pensamentos. Há quem se entregue à condição, levados pelas maiores variedades de razões, muitas delas traiçoeiras de uma vida que para alguns deixa de fazer sentido, no alinhamento tipo de uma sociedade desenvolvida.

               Quando abordamos este tema tão sensível como é o dos sem-abrigo, surgem de imediato duas questões pertinentes; quantos são os sem-abrigo em Portugal e o que é que se faz para combater tão nefasto fenómeno social?

               Peguei no telefone e tentei obter resposta a estas e outras tantas questões que me foram surgindo, em catadupa, na minha inquietude. As respostas obtidas foram vagas, vazias de conteúdo e nada concretas. Estimavam as informações obtidas que, em Portugal, seriam cerca de 5000 os sem-abrigo e que, o que se vai fazendo, nada é para terminar com o fenómeno, mas sim e apenas para minimizar as consequências de quem por ele foi arrebatado.

               Tem consciência a Segurança Social que os valores apresentados estarão muito aquém da realidade e que é graças à boa vontade de dezenas de IPSS e seus voluntários que, disponibilizando o seu tempo, permitem uma intervenção nas ruas, levando alguma comida a quem nada tem ou tudo perdeu.
               Não satisfeito com estas e outras respostas, resolvi ir para o terreno e procurar estórias contadas na primeira pessoa.

               Lisboa é uma biblioteca replecta de páginas por ler. Desconhecedor da realidade para lá daquela que se encontra à vista de todos e que por muitos (maioria) é desprezada, talvez por pudor ou simplesmente por um terror camuflado de estarem a vislumbrar algum reflexo futuro, quis saber como é a vida de um sem-abrigo. O seu dia-a-dia, se assim lhe podem chamar.

A Solidão

               Uma das marcas que caracteriza um sem-abrigo é a solidão. A profunda solidão. Chegam a estar anos sem falar ou pelo menos sem conversar com alguém. Fecham-se numa bolha apenas sua, impenetrável, inalcançável, isolando-se de tudo o que seja ser humano ao seu redor. Deixam-se conduzir para um campo emocional altamente degradado, sóbrio e longínquo que os leva, em casos mais extremos, ao suicídio.

As diferenças

               Para o comum, egoísta e egocêntrico, mortal, um sem-abrigo é muitas vezes confundido com um pedinte ou com um toxicodependente. Mas a verdade é outra. Um pedinte ou um toxicodependente pedem no discurso directo, sem pudor ou qualquer constrangimento. Um sem-abrigo, quando mendiga, fá-lo no discurso indirecto, nunca abordando o transeunte, mas aguardando que a sensibilidade e humanismo de quem passa o leve a depositar uma moeda na pequena lata de salsichas, num boné gasto pelo tempo ou na caixa de sapatos encontrada junto a um contentor do lixo, quando buscava algo para comer.

               Os pedintes e os toxicodependentes, quando a noite cai, sabem que, grande parte deles, têm um tecto que os aguarda, em melhores ou piores condições. O sem-abrigo apenas sabe que, os únicos tectos que poderá encontrar, serão os de alguns vãos de escadas o u acessos a edifícios, os tabuleiros de viadutos, caixas de papelão ou em muitos casos o céu, umas vezes estrelado, outras chuvoso.~

Coimbra dos meus amores

               Senti, após alguma investigação na capital Lisboa, procurar outras paragens, outras estórias, algo que pudesse mexes com a altivez que cada um de nós ostenta, ainda que em muitos casos de forma dissimulada e hipócrita. Escolhi a cidade de Coimbra. Efectuei alguns contactos e consegui chegar à fala com um homem a quem vou chamar de Aurélio. Um sem-abrigo que deambula pela cidade capital de distrito, vende o jornal nos semáforos ou arruma carros. Não se considera arrumador, fá-lo apenas para queimar algum tempo que diz não contabilizar.

De “riquinho” à rua

               Encontrei-me com Aurélio, um sem-abrigo de 39 anos de idade. Escolhi falar com Aurélio, pois ele é um caso em que ser um sem-abrigo foi uma opção de vida. Mas nem sempre foi assim. Quando em pequeno, Aurélio era conhecido como o “menino riquinho”. Segundo me contou, tal devia-se ao facto de, desde tenra idade, os seus pais o deseducaram, uma vez que, vindo ele do seio de uma família conimbricense abastada, a exigência social do meio onde estavam integrados associada ao desinteresse familiar de um pai ausente, prepotente e mulherengo, fez com que possuísse elevadas quantidades de dinheiro nos bolsos. O acesso a todo tipo de experiências estava facilitado e sem controlo de um adulto.

               Confidencializou-me que a sua opção de se tornar um sem-abrigo passou, também, pela dor de ter abdicado de um grande amor num determinado período da sua vida. 

O álcool e as drogas 

               Segundo Aurélio, as más companhias, o álcool e as drogas surgiram de forma natural e um estilo de vida de alto risco. «Quando tens dinheiro nos bolsos, tens tudo e todos ao teu redor.», diz. Segundo ele, o dinheiro fácil abriu-lhe portas que, de outra forma, jamais teria acesso. Confessa ter participado, enquanto menor, em jogos de sorte e azar. «O dinheiro era a chave de entrada.»

               Aurélio esteve preso por tráfico internacional de droga, quando foi um correio de droga e viu morrer diante dos seus olhos o seu melhor amigo. O irmão que nunca teve. Foi no Sobral Cid, hospital psiquiátrico, que esteve internado a determinada altura da sua vida. Desmoronou com a fortuna da família; «Juntamente com as mulheres que o meu pai sustentava nas suas viagens de negócios.», diz, com amargura na voz.

               Hoje afirma ter largado as drogas. Já o álcool, esse ainda lhe serve de cobertor, principalmente nas noites mais frias. Amante de animais, faz-se acompanhar de uma cadela que adoptou, a Luna, após a ter encontrado abandonada e amarrada a um contentor do lixo. Segundo ele, tem na Luna a sua melhor companhia. E por que assim é, vê-se muitos sem-abrigo sempre acompanhados de quem jamais os abandonará.

A comunidade dos sem-abrigo

               Não me bastava o relato na primeira pessoa. Necessitava de algo mais próximo da realidade, ainda que Aurélio ilustrasse bem a sua experiência de mais de década e meia, arrebatadora, replecta de emoções, sensações e sentimento. Fizera de tal forma intenso este seu relato, que consegui desenhar o filme da sua vida no meu pensamento.

               Senti que tinha de ir, realmente, para o mundo deles, diluir-me neles e viver, ainda que fosse uma noite apenas, as suas amarguras, frustrações e revoltas. Sempre tive a noção que todas as emoções que viesse a sentir seriam efémeras. Lembrá-las-ia para sempre, é certo, mas no meu regresso ao meu mundo, teria sempre um tecto que me aguardava, uma banheira e água quente. Ainda assim, avancei.

À noite, nas trevas

               Fomos deambulando pelas ruas da baixa de Coimbra. A noite caíra e com ela uma neblina gélida, húmida e fustigante. As ruas, mal iluminadas por umas lâmpadas de cor âmbar, proveniente de um cansaço do tempo, iam ganhando um aspecto sinistro, pardo, de elevado suspense, medonho. Aqui e ali, iam, carcaças debilitadas por uma sorte rude e traiçoeira, encostando-se embrulhadas em papelão, desaparecendo no seu interior, como ratos que se esquivam, após uma última olhada de vigia.

               «Estamos sempre em alerta.», comentou, continuando «Os mitras quando aparecem só fazem asneira.». Foi num tom de lamento que me contou a história da “Ti Alzira” , como carinhosamente a tratavam, uma senhora de setenta e poucos anos que tombou após ter sido agredida numa noite de trevas, por um grupo de organizado que, por vezes, espalha o terror nas ruas.

               A manhã surgiu e com ela os primeiros raios de sol, mais um dia sem tempo, pois esse já parou no passado. Sentados na escadaria de pedra gasta e polida do acesso à estação nova da cidade, eu e o Aurélio, em silêncio olhávamos a vida de mais um dia a surgir, acariciados pelos primeiros raios de sol, uma ténue aragem e um odor acre proveniente de um rio envelhecido e cansado. A meia-dúzia de metros, estendido no chão, um estudante ébrio.

               Num impulso convidei-o a tomar um pequeno-almoço, comigo, ao que este recusou, alegando que tal não era justo para os outros sem-abrigo da cidade.


               Levantamo-nos e despedimo-nos na promessa de um dia voltar a procura-lo. Quando atravessei a arcada da porta de entrada do edifício da estação, olhei para trás e fiquei a ver aquele homem que se afastava e que, para mim, representava a descrença num estado social com futuro, sem certezas nos seus sonhos de um mundo melhor para os sem-abrigo. Ficaram as últimas palavras que me dirigiu; «Se pudesse, edificava uma estrutura que albergasse os sem-abrigo durante a noite e deles cuidasse durante o dia…”, fez uma pausa, olhou o rio numa profundidade arrepiante e concluiu «…mas isso custa tanto dinheiro e ninguém quer saber de quem nada vale.».