Parece que agora a moda europeia é colocar Portugal numa lista negra da Covid-19, como se de um país terrorista se tratasse. Portugal, que há cerca de pouco mais de um mês atrás estava referenciado como um país de referência no combate ao vírus.
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domingo, junho 21, 2020
sexta-feira, abril 03, 2020
Ensaio sobre o amor - 12 - Armando
ARMANDO
Final da tarde
Hoje estou muito contente. Gostava que o
dia de escola não tivesse terminado. A Margarida esteve quase sempre comigo.
Conversamos sobre tantas coisas. Ela está mais tempo comigo do que os outros
colegas, mas não me importo. Gosto da sua companhia.
A Margarida contou-me das suas férias em
Lisboa, na casa da avó, que tinha visitado o Castelo de S. Jorge; quem me dera
poder visitar o Castelo de S. Jorge. Na verdade não sei o que é um castelo, mas
se a Margarida diz que é bonito, é porque é. Falou-me também dos passeios no
rio Tejo, num barco que se chama Cacilheiro; eu só uma vez é que andei de barco
e foi no rio Almonda, quando o senhor Afonso me levou a passear. Disse-me que
um dia me levava a pescar; prometeu-me.
segunda-feira, dezembro 26, 2016
quinta-feira, agosto 18, 2016
Uma morte inesperada
Férias, são férias e passamo-las, não onde queremos - por vezes sim - mas sim, maior parte do tempo, onde podemos. E se onde podemos é exactamente onde queremos, então...fantástico!! - E assim está a ser comigo. Estou de férias onde quero e porque posso... se bem que este "onde posso" não está associado a capacidade financeira, até porque isso nem sempre é o mais importante, mas sim porque tenho onde pernoitar e um lugar realmente bastante agradável de se estar, percebam, sem que tenha de recorrer à utilização do automóvel para me deslocar.
segunda-feira, agosto 15, 2016
- Estamos de férias -
"Estamos oficialmente de férias!" - poderia eu gritar se, repito, se, o Tó não tivesse oficializado o 15 de Agosto (com letra maiúscula) como aprendei durante a minha instrução primária com uma professora formada e reconhecida pelo ministério da educação e não por uma professora que lhe vê imposto ensinar os alunos ao abrigo de um acordo ortográfico que, vejam bem, nem o nosso Presidente da Républica, o Professor Marcelo, das notas ao domingo na TVI, diz respeitar enquanto cidadão.
Pois dizia eu que poderia gritar - Estamos de Férias - se o feriado do 15 de Agosto não tivesse regressado; mas regressou; e felizmente que regressou por que nós merecemos. E como regressou, hoje não posso gritar - Estamos de férias - (sim, estamos, porque eu falo à enfermeiro; na terceira pessoa do plural; vamos tomar o remédio, vamos tirar a febre, vamos isto, vamos aquilo - como se eles o fizessem.) - mas amanhã, sim, amanhã, já poderei gritar a bons pulmões
- ESTAMOS DE FÉRIAS -.
terça-feira, agosto 11, 2015
As férias no Algarve
Certo dia, durante as
férias, a minha mãe chegou junto de mim e questionou-me; «Miguel, gostavas de
ir com a tia de férias para o Algarve?». O Algarve, ainda hoje, é uma zona de
Portugal muito procurada, mítica, diria. Desejada por tantos milhares que nunca
lá foram, a não ser em revistas, postais enviados por familiares ou pela
televisão.
Para mim, aos oito anos de idade,
poder ir ao Algarve passar férias era como ganhar um prémio na Lotaria. Eu
queria muito ir com os tios aquela terra que se chamava Algarve e que tinha umas
casas com umas chaminés diferentes.
Fiquei muito entusiasmado com a
ideia.
Quando os meus tios chegaram a minha
casa, corri todo entusiasmado a dar-lhes a novidade, como se eles já não a
soubessem. Afinal eram eles que me iam levar ao “El Dourado” dos veraneantes
portugueses. Afinal, durante o verão, principalmente no mês de Agosto, o país
inclina-se e quem não se agarrar bem vai parar ao Algarve. E nesse ano eu não
me queria agarrar bem. Ao dar a novidade, os meus tios riram-se e começaram a
“entrar” comigo;
- Então mas queres ir connosco? E não
vais chorar?
- Não choro! – respondi – Quero muito
ir.
- Mas não sei se tenho lugar para ti,
no carro – dizia o meu tio – Vou eu, a tia, a prima, a tenda, os sacos-cama e
todas essas coisas.
- Então, mas eu posso levar a tenda e
os sacos-cama ao meu colo – argumentava da forma como podia para não perder as
férias do Algarve.
Não se mostrou necessário transportar
todo aquele material em cima de mim. A carrinha, Toyota Corolla azul, dos tios,
foi capaz de transportar tudo. Não tenho grande ideia da viagem, porque na
ocasião havia muito o hábito de se fazê-la durante a noite. Era mais fácil de
atravessar o Alentejo, pois dessa forma não se sofria com todo o calor
alentejano e as crianças, eu e a minha prima, que deveria ter uns cinco anos de
idade, iriamos a dormir.
Chegámos ao parque de campismo pela
manhã. O meu tio fez o registo de entrada e, quando chegou ao carro disse «vais
ter de te esconder para o guarda não te ver» e eu tentei esconder-me, de
ninguém, para que não me vissem.
Entramos.
O
parque de campismo era muito bom. Pelo menos era o que dizia o meu tio. E se
ele dizia, uma vez que era adulto, então deveria ter razão. Acenávamos que sim.
E na verdade era. Visitei-o alguns anos mais tarde e realmente comprovara-o.
Era muito bom, o parque de campismo. Tinha muitas sombras, excelentes
balneários, bons acessos. Do outro lado da rua estava a praia.
A ida
de férias trazia duas novas experiências, a primeira, o facto de ir de férias
ao Algarve e a
segunda a de ir acampar. A
montagem da tenda, a preparação do espaço, as regras do barulho, do cuidado
para não levar areia para dentro da tenda, ui! Tanta coisa nova.
Visitámos praias e locais. Fomos à ilha
de Tavira e aí diverti-me muito. Até andamos de barco para lá chegar. Mais uma
nova experiência. Que emoção! No entanto, na praia de Monte Gordo, iria surgir
um acontecimento que me marcaria as férias de sonho. Foi ali, naquela praia onde
a água parece “caldo”, numa maré vazia, que assisti à briga de dois irmãos pela
posse de uma alforreca. De uma alforreca, imagine-se. Aquele bicho gelatinoso,
branco, que segundo o meu tio «não se pode tocar, porque se o fizermos ficamos
com comichão para toda a vida». «Para toda a vida?». Fiquei muito assustado,
não o demonstrando. Olhava para aqueles dois à briga, por causa de uma
alforreca. Olhei em meu redor e vi, no areal, muitas e muitas alforrecas. Tive
vontade de correr dali. Fiz-me forte e nada disse aos meus tios. Porém, nessa
noite, algo de terrível aconteceu. Enquanto dormia, sonhei que estava rodeado e
a ser atacado por dezenas de alforrecas. Acordei muito assustado e, olhando no
escuro ao meu redor, via-as. Estavam ali, a cercar o meu saco-cama, a
vigiarem-me, prontas para me atacarem e me deixarem com comichão para toda a
vida. Tive vontade de gritar, chamar pelos meus tios, mas não o fiz. Apenas me
limitei a chorar em silêncio, horrorizado, sem fazer barulho com medo que
aquelas malditas me escutassem e viessem para cima de mim. Chorei, baixinho, em
silêncio, sempre na mesma posição, sem me mexer. Tinha medo de um ataque
súbito. Desejava apenas que a noite terminasse, mas nestas situações o tempo não
passa O relógio parece parar.
De manhã, assim que escutei a voz do
meu tio, sabia que ele me viria salvar de todas aquelas alforrecas. Lentamente
levantei a cabeça e abri os olhos na esperança de o ver. Ao olhar em meu redor,
reparei que as alforrecas tinham desaparecido. Pensei então «assustam as
crianças, mas fogem dos adulto. Malditas!».
No regresso a casa, no final das
férias, fiquei triste por aquele tempo ter passado tão rápido, mas muito feliz
por voltar a ver os pais e ir ficar longe daquelas alforrecas que me fizeram
chorar.
segunda-feira, agosto 10, 2015
As férias da Praia de Vieira de Leiria
Estávamos todos os
quatro, eu, o Zen, o Zi e o Lei, muito entusiasmados e excitados com a primeira
viagem que íamos fazer. Apenas nós os quatro, sem pais e sem adultos.
Tínhamos o hábito de nos
encontrarmos em minha casa quando nos reuníamos para irmos até ao centro da
cidade. Utilizávamos a frase “às tantas horas em casa do Miguel Branco”. No
entanto, se o encontro dos amigos se passava numa tarde de sábado, ele
acontecia num pequeno espaço que tínhamos arranjado no sótão da casa do Zen. Aí
dizíamos isso mesmo, que nos encontramos “no sótão do Zen.”
O “sótão do Zen” era um espaço que se
situava, como todos os sótãos, sobre a casa da mãe do Zen. Um sótão, portanto,
mas cuja entrada e acesso se fazia pelo exterior da casa. Tínhamos arranjado
materiais, grande parte deles comprados com as nossas economias, outras
oferecidas por alguns conhecidos. Com o nosso trabalho erguemos no pequeno
sótão uma espécie de clube privado, onde fazíamos umas festas e ao qual, por sugestão,
creio eu, do Zi, demos o nome de “Meddle”, título de um álbum dos Pink Floyd.
Nessa noite o “Meddle” foi a casa de
nós os quatro. Não era o “sótão do Zen”, mas sim o “Meddle”, o quartel-general
de quatro adolescentes, um com 14 anos de idade, eu, e ou restantes com 13 anos
de idade. Foi o “Meddle” que testemunhou a ansiedade de quatro rapazes que
passaram uma noite em claro, à espera que o relógio marcasse as sete horas da
manhã.
Estávamos no ano de 1984, o ano que
marcou definitivamente a nossa emancipação. Caminhando agora numa rua
diferente, estes eram os quatro elementos que estavam quase sempre juntos. Digo
quase, porque não dormíamos nem almoçávamos juntos. Bem, desde este dia
passamos muitas vezes, também, a almoçar juntos. Desde o dia seguinte a esta
noite, eu, o Zen, o Zi e o Lei passamos uma semana a dormir juntos, dentro de
uma tenda para três pessoas. Quatro adolescentes, uma tenda para três pessoas,
quatro bicicletas e muita vontade de avançar para o desconhecido.
A preparação das férias fez-se ao longo
de duas semanas. Ficou decidido que iriamos estar fora durante uma semana.
Aprovação dos pais para avançarmos nesta novidade para as nossas vidas,
O Zi, que tinha o hábito de acampar com
os pais, trouxe o “Guia do Campista” para podermos estudar bem o que o parque
de campismo tinha, de serviços, para oferecer. Eu tinha uma vaga ideia da
localidade, uma vez que tinha lá passado férias, com os meus pais, em criança. O
Zen era o “McGuiver” do grupo e também já tinha acampado, para além de ser o
dono da tenda e o Lei, uma vez que já tinha sido escuteiro, era o
“especialista” na avaliação do terreno.
A lista do material a transportar foi
escrita. Eu comprei uma mochila de campismo, um saco cama e um colchão de
espuma. Decidimos levar as bicicletas.
A véspera do grande dia chegou e, no
final da tarde, fomos os quatro para o “Meddle”. Fingimos que dormimos, mas na
verdade passamos a noite a implicar uns com os outros. A manhã raiou e depois
de uma noite não dormida, pegamos nas mochilas e fomos de bicicleta até à
estação. A ida foi feita de comboio até à Marinha Grande. Daí até ao nosso
destino a viagem foi feita de bicicleta.
Após alguns quilómetros a pedalar lá
chegámos à Praia de Vieira de Leiria. Quatro rapazotes, de bicicleta e mochila
às costas chegaram à entrada do parque de campismo. Tínhamos constactado que havia
lugares livres dentro do parque de campismo. Ao tentarmos fazer o registo para
montarmos a tenda naquele parque de campismo, fomos informados pela senhora da
recepção:
- O Parque está lotado. Não há vagas
para montarem tenda.
Argumentamos que tínhamos avistado
diversos lugares livres, no entanto a senhora mostrou-se irredutível em nos
deixar entrar no Parque. Sugeriram-nos que montássemos a nossa tenda no pinhal
do outro lado da rua, onde estava a casa do Guarda Florestal. Assim fizemos.
Após nos termos comprometido a não criarmos problemas, lá o senhor nos deixou
armar a tenda do Zen. Uma tenda com capacidade para três adultos onde dormiram
quatro adolescentes.
Sendo esta a primeira vez que nos
ausentamos sozinhos, a minha mãe, a do Zi e a do Zen colocaram-nos a condição
de, todos os dias, pelas oito horas da noite, telefonarmos para casa.
O telefone mais próximo do sítio onde
tínhamos a tenda ficava a cerca de três quilómetros.
A primeira noite contou com a nossa
presença no telefone, à vez, a comunicar para casa que tudo estava bem. No
entanto, na segunda noite resolvemos, por unanimidade, que todos os dias, ir
telefonar, nos dava muito trabalho. Nessa noite não fomos.
Pouco tempo passava das vinte e três
horas, quando começamos a escutar umas vozes familiares que chamavam pelos
nossos nomes. Saímos da tenda e deparamo-nos com a minha mãe, a do Zen e a do
Zi, carregadas com sacos de comida e que tinham vindo à nossa procura, uma vez
que não tínhamos telefonado. Levámos um ralhete, mas ganhámos a confiança de não
ter de telefonar todas as noites.
A semana de férias, a porca e
irresponsável semana de férias passou rapidamente. Semana porca de férias,
porque apenas se tomou banho de água limpa, nos balneários municipais, uma vez.
Irresponsável porque muitas vezes, ao longo da semana, bebemos água retirada de
um poço a céu aberto de onde o senhor Guarda Florestal tirava, também, água para dar aos animais, um porco, duas vacas,
dois cães, algumas galinhas e patos.
Foi uma semana de férias fantástica.
Divertimo-nos, conhecemos muitas pessoas, entre elas uns franceses, ou melhor,
dois irmãos portugueses emigrados em França, um deles casado com uma francesa.
Tinham um filho pequeno. Quando se foram embora deram-nos a comida toda que
tinham, deram-nos uma mesa de campismo e uma cadeira também, que um dia se
partiu com o Lei lá sentado, deixando-o preso, o que produziu em nós uma enorme
risada.
O regresso a casa foi feito de
bicicleta, mas o Zen não veio connosco. A sua bicicleta avariou-se e teve de
vir de automóvel.
Estas férias marcaram, definitivamente,
o início de uma caminhada por ruas muito diferentes da rua onde, até agora,
brincávamos.
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