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quarta-feira, março 25, 2020

Ensaio sobre o amor - 4

(continuação)


Manuela, pegando na sua pequena cesta e na oferenda que levava ao “curandeiro”, deu a mão a Armando que, sentindo toda aquela agitação e azáfama, escutando todo aquele ruído das pessoas que falavam em voz alta e de modo anárquico, associado aos repetidos uivos provenientes do apito do comboio, assustado, enrodilhou-se à sua mãe. Momentos seguidos, escondeu-se atrás das saias da progenitora quando estridentes guinchos se libertaram das rodas que deslizavam sobre os carris metálicos, no momento em que o maquinista deu início à travagem da composição, em primeiro, mas também quando o vapor se libertou da caldeira da máquina, num sinal de alívio e dor.

terça-feira, dezembro 03, 2019

Momentos - Uma descrição vale mil imagens


Perguntaram-me, em modo de sugestão -  que agradeço – porque não ornamento os meus textos com uma imagem! Segundo a pessoa, alegava – e bem – que com uma imagem anexa ao texto, este ficaria mais apelativo. Certamente está correcta essa observação, no entanto a ideia segue exactamente em sentido oposto; se uma imagem vale mais do que mil palavras, porque não com algumas palavras não proporcionar mais de mil imagens?
                Ao escrever momentos, de uma forma mais simplista ou de uma forma mais requintada, o que vou proporcionar a quem ler - tendo em consideração a experiência de vida e expectativas de cada um – criar a sua própria imagem do momento. Desta forma não manipulando a rede neuronal de ninguém com uma imagem pré-concebida, permitirei que cada um dê asas à sua imaginação e significado ao momento.
                       Afinal, uma descrição pode valer mais de mil imagens.

quarta-feira, outubro 28, 2015


Poderei algum dia ser rei?
Não daqueles que usam coroa, ou fazem que usam. Não daqueles que sem saberem o por quê, mandam decapitar a razão ou a contradição dos seus propósitos, não daqueles que não sendo, se julgam ser.

Poderei algum dia ser rei?
Um rei a valer. Um rei daqueles fortes, não de músculos exuberantes, mas de palavras incisivas. Um rei capaz de mandar dar de comer aos pobres e deixar falar os mudos, não aqueles que não podem falar, mas os que não deixam falar.

Poderei algum dia ser rei?
Um rei dos filhos, dos netos, dos amigos. Não um rei de coroa ou alteza de cadeirão. Mas sim um rei, sim, destes de letra minúscula, mas que nas suas palavras se torna maiúsculo. Um rei de amigos. Não o de umbigo pequeno, mas o de mesa farta e braços grandes.

Poderei algum dia ser rei?
Um rei que deixe um legado de amizade, valores, paixão. Não um rei de trono curto e perna torta. Não um rei de coroa falseada em esmeraldas de vidro que se partem e esfumam no ar.

Poderei algum dia ser rei?
Um rei de reino pequeno, sem coroa, sem vaidade, sem ganancia, arrogância ou proa. Um rei que saiba caminhar, conheça os passos que tem de dar e principalmente um rei que não pise os seus iguais ao passar. Um rei humilde a amigo, conhecedor dos seus reinantes e que possa, num amplo partilho partilhar o espaço ao seu redor, com outros reis a reinar.

Nos meus escritos sou rei. Sou um rei de caneta na mão, onde despejo os sentimentos, as paixões, a imaginação. Sou um rei onde o meu reino è na folha que rabisco a minha emoção.

segunda-feira, julho 02, 2012

Cesto de papeis

De lápis na mão tento redigir numa folha de papel o que me vai na alma, na cabeça, no sentimento, na sabedoria ou o que quer que seja.

Começo a escrever umas palavras meio desconchavadas, mas rapidamente as começo a riscar. Não sei se é porque não estou a gostar do que estou a escrever, se é simplesmente porque não possuo vocabulário rico para expressar o que nas veias me ferve e queima.