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domingo, agosto 13, 2017

# Hora de sermos felies



Realmente, enquanto seres humanos, seres supostamente racionais, seres inteligentes, seres superiores - não sei a quê - temos mesmo muito a aprender. Não a aprender de modo académico ou de qualquer forma profissional, mas sim aprender a sermos felizes, saber aprender o que realmente interessa, saber ler que o que nos rodeia e devemos valorizar é a família; e o meu conceito de família, para quem me conhece, não são aqueles seres que, por uma institucionalização qualquer, foram, são ou passarão a ser classificados como tal. 

terça-feira, dezembro 20, 2016

# Riscas, a Boneca



Era uma vez…
            Lembro-me do dia em que a Riscas chegou lá a casa. Foi num domingo, estava sol e fazia calor. Eu estava na minha vida, a passear pelo jardim, quando o pai chegou de carro. O Huguinho, um menino de sete anos de idade, como era seu hábito, também por ali andava, a correr, a pular e a jogar à bola. Ao ver o pai chegar, o rapazito deu uma valente corrida, saltando-lhe para o colo, dando-lhe uma enorme beijoca.

            - Onde está? Onde está? – perguntava, todo excitado.
            - Calma, Huguinho! – disse-lhe o pai, tentando controlar o impulso do filho.
            - Onde está? Onde está? – continuava impaciente.

segunda-feira, novembro 30, 2015



Quando o nosso amigo está feliz, nós estamos felizes.
Esta foi a primeira experiência do nosso Max com a relva. Se inicialmente ficou expectante, logo de seguida ficou tão entusiasmado que não parou de correr, rebolar, cheirar e voltar a correr.

Quando o nosso amigo está feliz, nós estamos felizes.
Tem de ser assim e só pode ser assim. Sim, porque ele é nosso amigo, apesar de lhe ralharmos quando faz asneiras. Sim, porque não deixa de estar connosco, mesmo quando não temos aquele tempinho que tanto deseja e merece, ou o colocamos de castigo quando desfaz um ou outro chinelo.

Quando o nosso amigo está feliz, nós estamos felizes.
E estes amigos, são verdadeiros. estão connosco em qualquer ocasião. Quando estamos felizes ele está lá. Quando estamos tristes ele está lá. Na riqueza e principalmente na pobreza, ele está lá. E quando necessitamos de alguém que nos oiça, sim, porque saber ouvir não é para todos, uma vez que todos querem é falar...ele está lá.

Quando o nosso amigo está feliz, nós estamos felizes.
Dizem que és um cão de sorte, pois foste adoptado por esta fantástica família. Mas eu acho que todos tivemos sorte. Tu por teres cá vindo parar e nós por te termos a ti.

terça-feira, novembro 03, 2015



Levantei-me, com vontade de fazer algo diferente, algo revolucionário, irreverente. Abri a portada, em madeira, da janela do meu quarto, com alguma dificuldade, devido ao imenso tempo que esteve fechada e fui ofuscado por uma luz que não conhecia. Tinha estado tempo demais fechado naquele cubículo que me atrofiou o pensamento, me limitou a visão.

Saí, decidido, para uma rua que não sabia existir, que não conhecia e que, por alguns momentos, me deixou desorientado. Por momentos hesitei, é verdade, mas a minha vontade de partir era enorme. Caminhei em diante, determinado, sem olhar para trás, sem tentar perceber que distância me separava do ponto de partida.

Sim, era um rebelde. Fizera algo de diferente, arrojado, destemido.

Caminhei em direcção à linha de comboio, a uma linha que me levaria mais além, mais longe, a um lugar sem fim, sem destino definido. Conhecia o comboio, claro! Não era desconhecedor do mundo, daquele comum a todos os seres comuns. Corri, apressado para chegar...e cheguei!

Cansado, sentei-me num banco em madeira, cansado, desgastado pelo tempo, pela intempérie. Era um banco envelhecido e perdido num tempo já ido. Esperei! Esperei e esperei! E o raio do comboio nunca mais vinha. Levantei-me e caminhei de um lado para o outro. Nada!

Foi então que olhei ao meu redor e percebi o que se estava a passar... o tempo por mim passara sem que eu dera conta. O tempo já não contava na estação que escolhera. O tempo fugiu e não voltou. Tentei recuperá-lo, correndo atras dele. Ou melhor, tentando, pois as pernas já não me permitiam correr.

Percebi então que estava velho, cansado e já sem tempo. Agarrara-me demais a quem não merecia a minha aplicação, o meu respeito, a minha determinação, o meu tempo.



quarta-feira, outubro 28, 2015


Poderei algum dia ser rei?
Não daqueles que usam coroa, ou fazem que usam. Não daqueles que sem saberem o por quê, mandam decapitar a razão ou a contradição dos seus propósitos, não daqueles que não sendo, se julgam ser.

Poderei algum dia ser rei?
Um rei a valer. Um rei daqueles fortes, não de músculos exuberantes, mas de palavras incisivas. Um rei capaz de mandar dar de comer aos pobres e deixar falar os mudos, não aqueles que não podem falar, mas os que não deixam falar.

Poderei algum dia ser rei?
Um rei dos filhos, dos netos, dos amigos. Não um rei de coroa ou alteza de cadeirão. Mas sim um rei, sim, destes de letra minúscula, mas que nas suas palavras se torna maiúsculo. Um rei de amigos. Não o de umbigo pequeno, mas o de mesa farta e braços grandes.

Poderei algum dia ser rei?
Um rei que deixe um legado de amizade, valores, paixão. Não um rei de trono curto e perna torta. Não um rei de coroa falseada em esmeraldas de vidro que se partem e esfumam no ar.

Poderei algum dia ser rei?
Um rei de reino pequeno, sem coroa, sem vaidade, sem ganancia, arrogância ou proa. Um rei que saiba caminhar, conheça os passos que tem de dar e principalmente um rei que não pise os seus iguais ao passar. Um rei humilde a amigo, conhecedor dos seus reinantes e que possa, num amplo partilho partilhar o espaço ao seu redor, com outros reis a reinar.

Nos meus escritos sou rei. Sou um rei de caneta na mão, onde despejo os sentimentos, as paixões, a imaginação. Sou um rei onde o meu reino è na folha que rabisco a minha emoção.