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quinta-feira, julho 02, 2020

50 anos de sabedoria


Ao longo do nosso caminho existem check-points que adquirem maior relevância - comparativamente a outros, como se os outros não tivessem igual preponderância. Falo-vos da idade de vida, aquela que vai marcando no corpo as experiências da vivência, as vicissitudes do trajecto, os capítulos da história.

quarta-feira, março 25, 2020

Ensaio sobre o amor - 4

(continuação)


Manuela, pegando na sua pequena cesta e na oferenda que levava ao “curandeiro”, deu a mão a Armando que, sentindo toda aquela agitação e azáfama, escutando todo aquele ruído das pessoas que falavam em voz alta e de modo anárquico, associado aos repetidos uivos provenientes do apito do comboio, assustado, enrodilhou-se à sua mãe. Momentos seguidos, escondeu-se atrás das saias da progenitora quando estridentes guinchos se libertaram das rodas que deslizavam sobre os carris metálicos, no momento em que o maquinista deu início à travagem da composição, em primeiro, mas também quando o vapor se libertou da caldeira da máquina, num sinal de alívio e dor.

terça-feira, março 07, 2017

# Formação sénior para melhoramento da segurança rodoviária


Com o passar da idade, de forma natural, cada um de nós vai perdendo as suas capacidades motoras. Isso deve-se ao facto do nosso organismo ir ficando cada vez mais debilitado, assim como a nossa mente. Os reflexos baixam, ou seja a capacidade de reação diminuí.
Esta é uma realidade que todos conhecemos mas à qual resistimos, simplesmente por medo de nos chamarem “velhos” ou “acabado”. Insistimos em defender que a experiência  de uma vida e os tantos anos que levamos como condutores nos trazem um saber supremo, capaz de nos tornar imunes a qualquer situação de trânsito mais complicada.

sexta-feira, outubro 14, 2016

Alterações na data de renovação das cartas das categorias de pesados



Já aqui abordei, noutros posts, algumas das últimas alterações que o decreto-lei nº40/ 2016 de 29 Julho trouxe à realidade do contexto rodoviário.

São aplicadas alterações que deveremos ter em consideração, sob a possibilidade de, não as seguindo, entrarmos numa situação de caducidade de carta de condução, com possibilidade de se ter de realizar novo exame prático de condução.

quarta-feira, setembro 28, 2016

Decreto-Lei nº40/ 2016 de 29 de Julho - 1ª parte



Pode parecer estranho surgir uma publicação tendo como título a indicação de um Decreto-Lei, no entanto tal foi propositado no sentido de alertar os nossos leitores para as alterações ocorridas ou a ocorrer à legislação do Código da Estrada e que é pertinente estarem atentos.

sexta-feira, setembro 23, 2016

Quando o dia anterior chegar...




Hoje dei comigo a pensar de como será o último dia de trabalho. Aquele que antecede a passagem à categoria de reformado. Posso estar muito enganado, mas olho para esse momento e vejo-o como um longo espasmo de dor e angustia.

terça-feira, novembro 01, 2011

Função da Condução, a idade e a experiencia do condutor

A parte visual da Função da Condução, tecnicamente conhecida como acção motora, que desenvolvemos ao volante de um veículo,  não é mais do que a montra ou a finalização de um complexo conjunto de sistemas nervosos que vão actuando entre si, desde a exploração perceptiva, onde  podemos evidenciar a mais importante, a visão, até à referida intervenção de movimentos cinestésicos.

Muitas são as vezes em que se debate a temática sinistralidade rodoviária, suas causas e soluções para as minimizar.

Se é verdade que a velocidade, as manobras mal executadas ou o consumo de bebidas alcoólicas  podem estar na base das causas, torna-se cada vez mais imperioso analisar os pilares do problema, ou seja, fazer um aprofundado e minucioso estudo à Função da Condução de cada condutor, no sentido de ajudar cada individuo a evocar o seu conhecimento mediante a apresentação de diversos índices pertinentes e críticos, trabalhar as suas apresentações, perceber as suas atitudes e ponderar a alteração de algum comportamento.
Tal deve acontecer, uma vez que elevada percentagem da sinistralidade rodoviária acontece por pouca experiência do condutor, o que o leva a não ter ainda bem desenvolvido o seu processo decisional, ou seja, a exploração perceptiva visual é muito limitada, estática e pouco selectiva. A recolha dos índices é em grande número e de difícil ou demorada identificação. Tal deve-se ao facto de não existirem em memória de longo prazo índices para comparação ou estes serem limitados na qualidade.

Assim, a pouca experiência faz com que haja um limitado tratamento da informação recolhida, nomeadamente na pouca capacidade de antecipação e previsão mediante um determinado teatro de trânsito, sempre  condicionado igualmente com o pouco conhecimento das possíveis consequências  de uma determinada decisão.  Tal  atrasa o processo e leva, em muitos casos, a uma errada acção.

Poderia pensar-se que o problema se resolveria com as aptidões adquiridas ao longo dos anos de experiência. Avaliando a situação a frio, seria uma realidade, no entanto a experiência e o passar dos anos, faz com que o condutor vá criando representações não consonantes com a realidade rodoviária e legal, condicionando a sua atitude e grande parte das vezes o seu comportamento.

Se é verdade que com a experiência o condutor consegue melhorar a sua exploração perceptiva visual, dando mais atenção a índices pertinentes e críticos, não será menos verdade que, com base nas representações criadas, muitos dos índices pertinentes passam a simples índices formais, sendo muitas vezes ignorados.

Se é verdade que com a experiência os condutores conseguem antecipar-se, olhando cada vez mais longe, orientando de forma selectiva esse olhar, prevendo possíveis acontecimentos e decidindo rapidamente como actuar, não será menos verdade que com o avançar da idade e as limitações que a mesma vai criando, esta antecipação torna-se mais difícil, pois a acuidade visual e a visão estereoscópica são afectadas, condicionando muitas vezes a decisão.

Também a idade está directamente ligada à taxa de sinistralidade, uma vez que os condutores mais jovens, até sensivelmente aos 24 anos de idade, apresentam comportamentos de risco elevados, provenientes do pouco conhecimento e de uma confiança falsa e perigosa, mais notória no segundo ano de carta de condução.

Já os condutores mais velhos, após sensivelmente os 45 anos de idade, começam a notar algum condicionamento na sua acuidade visual, visão estereoscópica e mais tarde na sua capacidade motora.
Os dois primeiros factores têm como consequência uma maior dificuldade de recolha de índices, sua identificação, assim como perceber o triângulo espaço/velocidade/ distância. As consequências são, por vezes, más decisões e comportamentos de risco.