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sábado, junho 13, 2020

Fuga do Rei

Às águas lançado já vai
Num mar oculto de incertezas
Almas perdidas na noite
Sorrisos vendidos às serpentes.

É a esperança no amanhã
A última carta jogada
O cheque-mate final
A morte já anunciada.

E se à coragem vier a razão
Do esforço, a conquista
O sonho liberto de correntes.

Ao reino, o Rei fugirá
Num futuro auspicioso
Aos Reis supremos, o reino morrerá!


*Critica aos Governos e governantes que se limitam a observar a morte de um povo.

quarta-feira, junho 10, 2020

Mar eterno

Neste mar já antes navegado
Este que testemunho marca
A morte na esperança do amanhã
A costa, salvação, alcançar.

Este mar calmo que oculta
A miséria do povo que foge
Nas profundezas escuras, mergulha,
Num silêncio, ensurdecedor e mudo.

São lançados na incerteza
Numa madrugada de esperança
Ao Pireu chegar.

São cascas de nozes, viagem,
Choros de criança, escondidos,
Sussurros de medo nas vozes!


*Poema dedicado aos migrantes que morreram na travessia do Mediterrâneo.

segunda-feira, setembro 28, 2015

Procuro a tua mão



Procuro no livro
A vida que perdi
Aquela que me deram
E eu destruí.

Anseio numa busca,
Que sei não conseguir
Da mão que outrora
Num tempo já ido
Se me estendeu e eu não vi.

Temos histórias que não conheço
De amor, ódio ou então
São histórias que desejo
Finais pelos quais vivo
A minha eterna paixão.

Maldita sejas, maldita,
Que me fizeste sonhar, acreditar,
Entraste em mim sem pedires
De mim te viciaste
E de ti me vou matar.

Fujo desta estrada sem chão,
Do lugar que não conheço.

Sei que viajo sem rosto
Que voo sem gosto
E que amanhã,
Sim, amanhã acordarei
E ao olhar, ao procurar,
Não encontrarei,
Aquela pela qual choro,
A tua mão.

in "Aurélio - o sem-abrigo"

quinta-feira, setembro 24, 2015

Migrantes da sua própria arrogância e ignorância




Segundo a definição de diversos dicionários portugueses, "Migrante" é aquele que muda de região dentro do próprio país ou mesmo de país. É o movimento, que pode ser de massas, como se vê actualmente com os migrantes que vêm da Síria, do Líbano, da Palestina e outros países mais, rumo à Europa, em busca de uma vida melhor.

Europa que se diz unida... sim, unida! União Europeia.

A verdade é que esta União Europeia, como lhe chamam os timoneiros, aqueles que sentados ao leme conseguem levar a nau a navegar ao sabor da boa correnteza, numa postura altiva, prepotente e cega. Esta União Europeia é sim unida nessa correnteza, assim como todos nós, marinheiros de uma nau à deriva, sem que nos apercebamos que tal assim é, até a maré virar e os timoneiros, aqueles altaneiros, lá no seu posto de comando nos dizerem que, com a maré contra, não sabem navegar.

Olhamos os migrantes de sul, levantamos-lhes barreiras, criticamo-los e esquecemo-nos que também nós somos migrantes de verão, quando nos deslocamos dentro do nosso país, nas mais diversas direcções e quando, nas décadas de quarenta, cinquenta e sessenta saímos em massa, tal como acontece hoje, para outros países não apenas da Europa, mas do Mundo.

Se os migrantes de sul fogem de uma guerra militar e civil, de guerras étnicas e xenófobas, nós, do sul da Europa, nomeadamente os portugueses, fugimos de uma ditadura, para França, essencialmente e hoje fugimos de uma guerra social, financeira e económica, migrando em massa, para países do norte da Europa, essencialmente.

E ao longo deste processo todo, onde está a nossa suposta compaixão pelos povos sofredores? Ah, já sei! Apenas está quando eles estão longe e não nos incomodam. Assim podemos montar todos os movimentos de solidariedade, porque fica bem socialmente. Mas se eles vêm ter conosco, montamos muros, não de betão, como outrora se fez em Berlim, mas sim de arame farpado, homens armados e condições xenófobas.

Esta Europa, ou melhor, esta União Europeia, não passa de uma farsa de tamanho descomunal onde, quando tudo está bem é fácil de gerir, mas quando algum problema social, essencialmente, porque militar ainda não foi conhecido, mais ou menos, pois podia falar dos aviões russos que a sobrevoaram e a espiaram, mas social, as coisas complicam-se e, para além de não se conseguir um consenso de actuação, constata-se que não existe um plano de acção num pressuposto acontecimento futuro.

Resta saber o que farão os países do sul da Europa, quando a peste, aquela de que os leitores, os mais dois, para além de mim, se estão a rir deste meu devaneio, surgir e se disseminar nesses países como Inglaterra, Noruega, País de Gales, etc... certamente esta União Europeia irá erguer muros e obrigar que os migrantes provenientes desses países morram.