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sexta-feira, março 27, 2020

Ensaio sobre o amor - 6


O NASCIMENTO DE ARMANDO

Estava um dia solarengo e Manuela sentiu que chegara a hora de parir. Chamou António, que andava a tratar das alfaces na horta e pediu-lhe que chamasse a enfermeira Emília, pois a cria estava a nascer.
António correu até à casa da enfermeira que, em Azinhaga, também era parteira. Numa passada aligeirada e quase de reboque lá chegou Emília a casa da família Pereira.
Manuela tinha preparado, já há algum tempo, umas toalhas que não permitia que António utilizasse. «São para quando a cria nascer», dizia, assim como umas roupas que a dona Joaquina lhe houvera oferecido. Quando chegaram a casa, Manuela estava deitada e transpirava abundantemente. As dores abdominais eram muitas e mantinham uma frequência ritmada. A respiração era a de um canino cansado após uma correria. António chegou-lhe mesmo a perguntar se ela queria um púcaro de água. Talvez estivesse com sede, pensou.

quinta-feira, junho 21, 2012

António

Hoje, mais um dia igual a tantos outros, uma repetição dramática que apenas eu conheço.Mais um dia vagabundo de incertezas concretas.

Hoje, um acordar já sem fome de uma refeição que não sei se vou ter. Um caminhar doentio na procura da migalha misericordiosa que almejo a cada dia.

Hoje, como ontem e no mês passado e no ano passado, caminho descalço pelo trilho que já não me queima ou sangra os pés, não me marca a alma, não me dá esperança.