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quarta-feira, junho 10, 2020

Mar eterno

Neste mar já antes navegado
Este que testemunho marca
A morte na esperança do amanhã
A costa, salvação, alcançar.

Este mar calmo que oculta
A miséria do povo que foge
Nas profundezas escuras, mergulha,
Num silêncio, ensurdecedor e mudo.

São lançados na incerteza
Numa madrugada de esperança
Ao Pireu chegar.

São cascas de nozes, viagem,
Choros de criança, escondidos,
Sussurros de medo nas vozes!


*Poema dedicado aos migrantes que morreram na travessia do Mediterrâneo.

segunda-feira, junho 08, 2020

O império da razão

No pós-confinamento e com todas as normas de um Estado de Calamidade aprovadas e tecnicamente aplicadas, não aplicáveis, eis que após tanta solidariedade partidária - no primeiro Estado de Emergência e que se foi perdendo ao longo do segundo e terceiro - se preparam e alinham os deputados da nação, fazendo lembrar as gaivotas que se alinham no cais à espera das traineiras, que após árdua labuta liberta em mar aberto e desprovido de segurança, anseiam os despojos e a escória, grasnando num decibel estridente, tentado fazerem-se escutar acima do histerismo contíguo.

sábado, novembro 07, 2015



A Areia e o Mar


Saí para a rua, destemido,
Percorreu quilómetros de prazer
Na noite escura, entardecido.

Vagueei sem dor ou medo
Transpus barreiras de loucura
Vi um brilho no teu olhar
Vi um sorriso na Lua.

Vi a chuva, o nevoeiro,
No escuro a brilhar,
E nos teus braços me entreguei
Do teu secreto cálice bebi
Nele me embebedei
Me afoguei e não fugi.

E pela manhã ao acordar
Num abraço me perdi
E pela manhã ao acordar
Na fina areia caminhei
Nas suaves ondas os pés banhei
Um novo livro, abri.

E pela manhã ao acordar
O teu corpo bebi
Olhei o céu e o horizonte
Num infinito Cosmos me perdi,
Em Castelos de Areia brinquei
Quando nas dunas a teu lado vivi.

Para trás ficaram marcas
Fundas, longas e não sei.
Para trás ficaram largas
Horas de amor com que sonhei.

E quando eu acordar
Não estarás a meu lado
E quando eu me levantar
E na praia caminhar
Olharei em meu redor
E não te vou avistar.

Vou chorar em solidão
Num choro mudo e calado
E a alma dilacerar
No sentido da razão.

Mas um dia se quiseres
Leva o meu coração devagar
Numa Praia de emoção

Eu sou a Areia e tu o Mar.

domingo, outubro 18, 2015



Poseidon enlouqueceu. 

Era assim que deveriam começar as notícias d os jornais televisivos de todo o mundo, as manchetes de todos os jornais em papel e de rádios, nacionais, internacionais ou locais.

Poseidon enlouqueceu.

Enlouqueceu ou passou-se de vez ou ainda, noutra hipótese, zangou-se de vez com os Homens que rasgam os mares e oceanos, baralhando-lhes as marés, o discernimento ou simplesmente a bússola, tal como acontece com as baleias que encalham nas praias sem justificação plausível.

Poseidon enlouqueceu.

Poseidon fartou-se de ver o mal que se tem feito na natureza marítima, da poluição que se tem produzido, da falta de valores humanos para com o bem de todos.

Poseidon enlouqueceu. 

Não! Poseidon deixou foi de alertar os marinheiros para os perigos dos mares, de os levar a bom-porto em boas marés, de os abraçar com a suavidade de uma pluma. Poseidon zangou-se a agitou os braços, produziu enormes ondas, anulou o norte magnético, fazendo as bússolas deixarem de funcionar e cobriu o céu de nuvens, não deixando o astrolábio encaminhar.

Poseidon gritou num grito surdo que ninguém quis escutar, perceber, concordar.

quarta-feira, outubro 07, 2015



Na calma do teu leito navego sem velas ao mastro.
Percorro as milhas que não sinto,
Guardo em ti segredos que não conto,
Numa confiança cega que aprendi a acreditar.

Neste mar, longo mar que minha vida é,
Minha morte não anseio, num respeito que tenho,
Numa paixão que me leva,
Num amor que abraço...sem abraçar.

Parto, pela noite ao acordar,
Na procura do embalo
Da fome contigo matar.

Quero-te no meu respeito.
Procuro-te no meu peito... e morro,
Sem que te possa amar.


                              - Miguel Branco -

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Os Tubarões de Gibaltrar



Pegar num barco, confinar lá dentro meia dúzia de homens que, sem olhar para trás avançam mar adentro intrépido em busca de um prato de comida para os filhos que diáriamente calcorreiam a vereda de casa para a escola em busca de conhecimento que os liberte de tão dura vida.

Todos os dias o fazem na ânsia de abraçar seus pais no regresso ao lar, de lhes beijarem a áspera e gladiadora pele de uma face queimada pelo frio e calor, geada e salitre que as ondas mais agrestes difundem ao obstinam em invadir o espaço de trabalho de humildes criaturas que agarrados aos remos e num cantar solene rasgam um mar, por vezes bravio, por vezes amansado pelo cantar das sereias.

E depois de uma jornada de faina, ao arregaçarem o saco de redes, procurando o prato que irá alimentar os seus pequenos mamíferos, veem-se limitados ao tamanho de uma métrica que os Tubarões de Gibraltar lhes infligem.

A arte xávega corre riscos. Riscos provocados pela ponta da caneta de um Gibraltar qualquer. Saiba mais aqui.

Foto: joseolgon

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Aquele mar longínquo que me beija os pés



Dei hoje comigo a pensar numa máxima que os pescadores e as pessoas ligadas ao mar costumam dizer... "O mar virá buscar tudo o que é dele". Nos anos 50, ou seja, à cerca de sessenta anos, o mar, na zona da marginal figueirense chegava até junto à torre que marca as horas que passam no tempo, por vezes esquecido, naquele espaço de passagem.

Sessenta anos passaram e ao longo deles, sem que o homem ali colocasse areia, cresceu um areal enorme, apelidado já de "Rainha das Praias" aquela que, sem dúvida alguma já foi a Rainha das praias de Portugal e não só. Cresceu por influencia da construção de um molhe de apoio à proteção do rio.

Hoje olho aquela praia, aquele mar, aquela longitude e penso, penso e penso se realmente algum dia aquela imensidão de histórias que na areia rebentam num mergulho infernal me virá beijar os pés, quando sentado no muro o aguardar?

Foto: Presente

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Hoje...estava assim!



Hoje... estava assim! Revoltoso e revoltado pelas maldições que lhe atribuem. Esse "maldito" mar que tão seletivo é que ao abraçar quem o invade à praia devolve a Monarquia consumindo a alma da Plebe. Hoje... estava assim! Zangado! Este mar que histórias guarda num profundo silêncio de amarguras, revoltas e saudade.

E nos seus mudos gritos as sereias, cantam na voz das ondas atormentadas, canções de piratas, tradições. Hoje... estava assim! Inquieto! Este mar de encantos mil onde olhares profundos sem fim se perdem, tantas e tantas vezes em busca de resposta, soluções... um sinal!